Publicidade
22/05/2018
Login
Entrar

Opinião

20/04/2018

Editorial

Uma conta impagável
Email
A-   A+
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve anunciar, na segunda quinzena de maio, o percentual de reajuste a ser aplicado às tarifas da eletricidade fornecida pela Cemig. Trata-se da correção determinada de quatro em quatro anos, conforme os contratos de concessão e destinada a equilibrar as tarifas aos investimentos realizados pela concessionária. O problema, conforme já se antecipa, será o tamanho da conta, que poderá chegar a 22,6% para consumo residencial e a 34,4% para consumo industrial. Com a economia ainda em lento processo de recuperação depois de dois anos de recessão e a inflação nos mais baixos patamares desde o lançamento do Plano Real, a correção anunciada soa como mais um absurdo ou, na realidade, uma carga que para muitos poderá se revelar insuportável.

Nas condições que se apresentam, e independentemente das regras estabelecidas, é preciso encontrar uma alternativa que, pelo menos, reduza o impacto do reajuste pretendido e, vale acrescentar, ocorre num ambiente em que as tarifas de energia elétrica já se encontram em patamares bastante elevados. Afinal, não se pode imaginar que se cumpra a previsão de um consumidor do Norte do Estado, que já imagina o retorno às lamparinas e velas, diante da impossibilidade, para a maioria, de continuar pagando as contas de luz. E isso, perversamente, depois de pesados investimentos realizados exatamente para levar energia elétrica aos pontos mais remotos – e pobres – do Estado. Definitivamente não faz o menor sentido o que está sendo pretendido.

O mesmo se aplica à energia elétrica destinada ao consumo industrial, em que o reajuste previsto será ainda maior. A disponibilidade de energia, a custos competitivos, é fator diferencial na atração de investimentos e, no caso de Minas Gerais, ajuda a explicar os bons resultados alcançados a partir da segunda metade do século passado, tendo como um dos suportes da expansão industrial justamente a Cemig. Fazer exatamente o contrário será, com certeza, um tiro pela culatra num momento decisivo para a retomada da economia estadual.

Outro risco que deveria estar sendo melhor avaliado diz respeito ao fato de que a indústria, assim como os demais setores da economia, não tem como absorver estes novos custos. Vale dizer que ele será obrigatoriamente repassado ao consumidor final, pressionando preços em todas as áreas, afetando o consumo e a produção, além de colocar em risco o – até agora – bom comportamento da inflação.

Diante de tantas implicações, custa crer que o anúncio da Aneel tenha passado praticamente despercebido, como se fosse minimamente aceitável o que se pretende fazer. É preciso protestar, é preciso reagir, fazendo ver, simplesmente, que o buraco está sendo cavado mais fundo.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

22/05/2018
Editorial
Cautela pode custar caro
22/05/2018
Sai pra lá, Sísifo
A vida é um eterno recomeço. Fosse escolher a lenda mitológica que mais se assemelha à sua vida, provavelmente o povo brasileiro colocaria a história do castigo...
22/05/2018
Do casamento real e Brexit
Fascinante o casamento do sexto pretendente ao trono britânico, atualmente Duque de Sussex, Harry, com a agora duquesa, ex-divorciada, americana, afrodescendente, feminista, independente e...
19/05/2018
Editorial
Reação adiada para economia
19/05/2018
Uma conta que vai para filhos e netos
Em evento da Confederação Nacional do Comércio, o ministro do Planejamento Dyogo Oliveira informou que 57% de todo o gasto do governo hoje é...
› últimas notícias
Preços inviabilizam transporte de cargas
Confiança do empresário avança 1,2 ponto
PIB tem aumento de 0,3% no 1º trimestre
Minas recorrerá à expertise chinesa para aproveitar rejeitos
Balança brasileira registra superávit de US$ 1,924 bi na terceira semana de maio
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


19 de maio de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.