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Opinião

20/04/2018

Editorial

Uma conta impagável
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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve anunciar, na segunda quinzena de maio, o percentual de reajuste a ser aplicado às tarifas da eletricidade fornecida pela Cemig. Trata-se da correção determinada de quatro em quatro anos, conforme os contratos de concessão e destinada a equilibrar as tarifas aos investimentos realizados pela concessionária. O problema, conforme já se antecipa, será o tamanho da conta, que poderá chegar a 22,6% para consumo residencial e a 34,4% para consumo industrial. Com a economia ainda em lento processo de recuperação depois de dois anos de recessão e a inflação nos mais baixos patamares desde o lançamento do Plano Real, a correção anunciada soa como mais um absurdo ou, na realidade, uma carga que para muitos poderá se revelar insuportável.

Nas condições que se apresentam, e independentemente das regras estabelecidas, é preciso encontrar uma alternativa que, pelo menos, reduza o impacto do reajuste pretendido e, vale acrescentar, ocorre num ambiente em que as tarifas de energia elétrica já se encontram em patamares bastante elevados. Afinal, não se pode imaginar que se cumpra a previsão de um consumidor do Norte do Estado, que já imagina o retorno às lamparinas e velas, diante da impossibilidade, para a maioria, de continuar pagando as contas de luz. E isso, perversamente, depois de pesados investimentos realizados exatamente para levar energia elétrica aos pontos mais remotos – e pobres – do Estado. Definitivamente não faz o menor sentido o que está sendo pretendido.

O mesmo se aplica à energia elétrica destinada ao consumo industrial, em que o reajuste previsto será ainda maior. A disponibilidade de energia, a custos competitivos, é fator diferencial na atração de investimentos e, no caso de Minas Gerais, ajuda a explicar os bons resultados alcançados a partir da segunda metade do século passado, tendo como um dos suportes da expansão industrial justamente a Cemig. Fazer exatamente o contrário será, com certeza, um tiro pela culatra num momento decisivo para a retomada da economia estadual.

Outro risco que deveria estar sendo melhor avaliado diz respeito ao fato de que a indústria, assim como os demais setores da economia, não tem como absorver estes novos custos. Vale dizer que ele será obrigatoriamente repassado ao consumidor final, pressionando preços em todas as áreas, afetando o consumo e a produção, além de colocar em risco o – até agora – bom comportamento da inflação.

Diante de tantas implicações, custa crer que o anúncio da Aneel tenha passado praticamente despercebido, como se fosse minimamente aceitável o que se pretende fazer. É preciso protestar, é preciso reagir, fazendo ver, simplesmente, que o buraco está sendo cavado mais fundo.

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