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Opinião

18/05/2018

Editorial

Sucesso vem com ameaças
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O agronegócio brasileiro continua sendo produtor também de boas notícias. A mais recente antecipa que a partir do próximo ano o País pode alcançar o primeiro lugar na produção global de soja, superando os Estados Unidos. As previsões são de que a colheita no Brasil chegue a 116,9 milhões de toneladas, contra 116,4 milhões dos EUA.

Um marco, por hora, apenas simbólico, mas ainda assim muito relevante, principalmente se considerado que nos últimos anos a produção local cresceu cinco vezes mais que a norte-americana. Também chama atenção que na safra anterior o País colheu 114,1 milhões de toneladas, contra 119 milhões nos Estados Unidos.

Condições climáticas, a favor para os brasileiros e contrárias para os produtores norte-americanos, explicam os movimentos da balança que, para os especialistas, numa perspectiva de futuro tende a prosseguir pesando a favor do Brasil. Tecnologia já num estado de excelência, clima mais favorável e disponibilidade de terras para expansão das lavouras são alguns dos principais fatores que pesam a nosso favor. Mas existem também gargalos a ser superados, principalmente no que diz respeito à logística.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, hoje o principal produtor no País, escoar a produção é desafio que cresce de proporções na mesma medida em que aumentam as quantidades a serem movimentadas. Ele lembra que a malha rodoviária é precária, com pontos intransitáveis no período das chuvas, o que significa que levar a soja até a hidrovia no Norte está tão caro quanto descer para os portos do Sul. Uma situação que só não é pior porque na Argentina problemas climáticos provocaram quebra na produção, a desvalorização do real favorece a produção local e, para completar, os chineses ameaçam sobretaxar a soja norte-americana, em mais um lance da guerra comercial entre os dois países.

Tudo isso embala os sonhos dos produtores brasileiros, que comemoram, além dos fatores externos favoráveis, os níveis de produtividade que alcançaram, enquanto voltam a lembrar que seus problemas na verdade continuam do lado de fora das porteiras. Lembram que o País está ganhando, que na realidade o agronegócio tem sustentado a economia do País, e reclamam que o retorno não chega nem mesmo a patamares razoáveis. Rodovias, ferrovias e portos são os grandes gargalos, obstáculos imediatos à competitividade da produção nacional e riscos concretos para sua expansão continuada, tal como é esperado.

Mudar, ou reduzir os riscos a proporções aceitáveis, significa pôr atenção nesses problemas e cuidar de remover os gargalos apontados. Para os produtores, o caminho já percorrido é o melhor indicativo de que vale a pena prosseguir na direção que o sucesso aponta.

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