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Opinião

23/05/2018

Editorial

Mudança para pior
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A economia global continua dando sinais de turbulência, num processo que alguns analistas enxergam o que chamam de mudança de patamar. O câmbio, cujos parâmetros são ditados pela moeda norte-americana, é um desses sinais e outro é a valorização do petróleo, com o barril já sendo cotado a mais de oitenta dólares. Apostas a estas alturas são ainda bastante difíceis e a maioria das atenções se volta para a consistência, ou não, do processo de consolidação da economia dos Estados Unidos e os prováveis impactos de um estremecimento das relações com a China.

Tudo isso de uma forma ou outra chega ao Brasil, cuja moeda nas últimas semanas esteve entre as que mais perderam valor frente ao dólar. Outro ponto muito sensível é a questão dos preços do petróleo e a maneira como, internamente, esta mudança de patamar será tratada. Certo é que os radares já foram acionados, principalmente por quem se lembra que no ano passado a Petrobras mudou sua política de preços, passando a acompanhar as flutuações do mercado internacional e, assim, impondo reajustes bem acima da inflação aos derivados de petróleo.

O impacto dessa mudança só não foi sentido de forma mais severa por conta da retração da economia, com a inflação mantida em patamares bastante baixos. Mesmo assim os setores de transportes de cargas e de passageiros foram severamente afetados e nesta semana os caminhoneiros entraram em paralisação nacional contra a política de reajuste do óleo diesel e denunciando a situação em que se encontram. Também chamaram atenção números revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao consumo de gás de cozinha, o derivado de petróleo mais afetado pelas elevações de preços.

A regressão, nesse particular, é, além de alarmante, de um forte simbolismo. Os brasileiros mais pobres, mais de um milhão de indivíduos, voltaram a usar lenha e carvão para cozinhar, abandonando o gás. Segundo o IBGE, no ano passado em 12,3 milhões de domicílios a lenha e o carvão foram o combustível mais utilizado para o preparo de alimentos, com elevação de 11% em relação a 2016. No Maranhão, 44,9% das famílias se encontram nessa condição e no Piauí, sempre conforme o IBGE, o percentual chega a 32,9%. Com certeza um dos símbolos mais contundentes de regressão e empobrecimento.

Se a Petrobras não rever sua estratégia e a volatilidade dos preços internacionais do petróleo continuar apontando para cima, como parece ser a tendência atual, os problemas à frente poderão se tornar incontroláveis. Ao mesmo tempo será constatado que todos os esforços e investimentos feitos para levar o País à autossuficiência em petróleo na prática se perderam.

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