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Opinião

24/05/2018

Editorial

A ditadura do petróleo
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Alguém em Brasília está fazendo contas erradas, muito erradas com relação aos preços dos derivados de petróleo que desde meados do ano passado vêm sendo majorados em termos que não têm o menor sentido. E explicam a atual mobilização de caminhoneiros, cuja paralisação já começa a provocar desabastecimento em áreas cruciais, além de começar a afetar o transporte público urbano. A crise anunciada com mais de um mês de antecedência parece ter pego o governo federal de surpresa e incapaz de reagir, negociando em termos que evidentemente não são aqueles propostos até agora.

Nada de fato parece fazer sentido. As explicações oficiais são de que os preços praticados internamente são ditados pelo mercado mundial e as altas mais recentes decorrem das bruscas variações cambiais e de tensões internacionais, agora especificamente no Irã.
Estamos sendo chamados a pagar uma conta que não é nossa. A escalada do consumo, notadamente a partir do fim da Primeira Guerra Mundial, influi fortemente nas dinâmicas internacionais de poder, colocando o petróleo no eixo desse movimento. Nos anos 70 do século passado, quando a escalada ganhou velocidade e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) passou a reger a economia mundial, em movimentos articulados com as potências industriais, o Brasil entendeu que era fundamental romper tal dependência.

Um movimento antes de tudo estratégico e, felizmente, bem-sucedido. Hoje o País, conforme dados da Agência Internacional de Energia (AIE), produz aproximadamente 2,8 milhões de barris de petróleo/dia para um consumo da ordem de 3 milhões de barris. Ou seja, muito próximo de uma situação de autossuficiência, embora ainda dependente da importação de refinados. Uma conta que faça sentido tem que ser feita a partir desse ponto e considerando, como dado essencial, o custo da produção de cada barril de petróleo para a Petrobras, com a correta remuneração de seus investimentos. Serão valores que, com certeza, passarão longe daqueles ditados pela especulação – e outros interesses – no plano internacional.

Não há como escapar do fato de que este raciocínio deixará evidente que existe sim espaço para manobra, sem colocar em risco o processo de recuperação da estatal ou impor ao conjunto da população sacrifício desmedido. É esta afinal a razão de ser da própria Petrobras e de se manter controle sobre as reservas de petróleo do País, escapando de um jogo de dependência que já nos custou tão caro.

O que não faz o menor sentido é que o País, mesmo dispondo do petróleo de que necessita e de reservas que se contam entre as maiores do mundo entre, para perder, num jogo que não é o seu.

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