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Opinião

12/06/2018

Editorial

Café frio ou requentado
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Restaurar a credibilidade para retomar a confiança dos investidores e assim fazer girar com mais velocidade as rodas da economia. O presidente Michel Temer chegou ao Palácio do Planalto, há pouco mais de dois anos, dizendo que sua grande ambição era recolocar o Brasil nos trilhos e que se daria por vitorioso ao término do mandato se pudesse também anunciar significativa redução no número de desempregados no País. Parece a cada dia que passa mais claro que o presidente da República está longe de seus objetivos.

A economia não reagiu, não pelo menos com velocidade e intensidade capazes de suprir as carências que foram se acumulando, e o governo, notadamente depois da paralisação dos caminhoneiros, dá sinais de desorientação e esgotamento. Para a segunda metade do ano, observadores credenciados dizem que o mais provável é que o chefe do governo apenas conte os dias até a transmissão do cargo. Dito de outra forma, tarefas ditas inadiáveis foram e continuam sendo postergadas, aumentando substancialmente o peso que o próximo governo terá que carregar.

Também nessa perspectiva os horizontes permanecem nebulosos, com certeza, apenas, de que as dificuldades à frente serão ainda maiores. Persiste um vazio que chega a ser assustador, com candidatos e partidos se movimentando como de costume, buscando construir alianças que adiante se traduzam em votos em troca dos favores de sempre.

Discursos e promessas são de ocasião, tão fáceis quanto absolutamente inconsistentes. Conforme a posição de cada um, fala-se, ou não, de problemas ou de correção de rumos, tudo simples, tudo superficial e, sobretudo, com todos fingindo ignorar o preço das alianças políticas que vão se desenhando, repetindo parâmetros que resistem por mais fortes que possam ser os sinais de esgotamento, de algo perigosamente próximo do colapso.

É claro, claríssimo, que poderia e deveria ser diferente, o que começaria a acontecer a partir de que os projetos de poder dessem lugar, afinal, a projetos de governo, sustentados por convicções e não mais exclusivamente pelas ambições que às vezes mudam apenas de aparência para que se repitam e se perpetuem. Tudo isso significa ineficiência ou exatamente o contrário daquilo que o presidente Temer prometia deixar como marcas de sua passagem pelo Planalto, restando-lhe, talvez, o crédito das boas intenções apagadas nos caminhos tortuosos da política.

Um vazio triste e desanimador, claramente percebido nas flutuações do câmbio e na tendência de elevação dos juros, os sinais mais próximos de um mundo real e indesejado.

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