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Opinião

14/06/2018

Editorial

Insensibilidade além do limite
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Ainda sob impacto da greve dos caminhoneiros e suas consequências, vem de São Paulo mais um forte exemplo da falta de sintonia entre o interesse público e o comportamento dos políticos, numa insensibilidade que vai aos poucos alcançando as proporções da insensatez. Estamos falando da aprovação, na Assembleia Legislativa local, de proposta de emenda constitucional que eleva o teto salarial dos servidores públicos do Estado de R$ 21 mil para R$ 30 mil. O benefício será aplicado de forma escalonada ao longo dos próximos quatro anos e tem destino certo - a elite do funcionalismo -, implicando em gastos que, uma vez completado o processo, terá custo anual próximo de um bilhão de reais.

O que se faz em São Paulo essencialmente não é diferente do que ocorre no resto do País e igualmente no plano federal, com o tal “teto” transformado, na prática, em mera referência, facilmente contornável quando conveniente. Nessa realidade está a explicação para o exagerado aumento das despesas de custeio na esfera pública e, na mesma proporção, para os crescentes déficits que já representam um desequilíbrio estrutural que não tem como ser suportado. Ou, como foi dito recentemente, permitindo a conclusão de que o Estado brasileiro não cabe mais no PIB brasileiro.

Espanta, ainda assim, que diante de tantas e tão graves dificuldades, com desigualdades que se avolumam, políticos continuem se mostrando desconectados da realidade, patrocinando aventuras que reproduzem, ampliam e ajudam a perpetuar alguns de nossos piores males. E sejam também capazes de justificar sua atitude, no caso em tela, como destinada exclusivamente a fortalecer carreiras no serviço público, evitar a evasão e, como se não bastasse, também a combater a demagogia. Na realidade e na prática, recursos públicos estão sendo drenados de áreas essenciais, de investimentos já inadiáveis, exclusivamente para bancar privilégios das castas mais elevadas do funcionalismo. E as justificativas também fazem pouco da inteligência alheia.

Como foi dito acima, o caso da Assembleia de São Paulo é tomado aqui apenas como o exemplo mais recente de abuso e de descaso, na repetição de práticas que comprometem o melhor destino de recursos públicos, alimentam o déficit crescente e produzem uma conta que, mais dia menos dia, todos os contribuintes serão chamados a pagar. Nas delicadas circunstâncias que se apresentam, seja por conta da insatisfação coletiva, dos privilégios cultivados e ampliados e do consequente impedimento de gastos que verdadeiramente atendam às demandas coletivas, a atitude dos deputados paulistas – 64 votos a favor e apenas 4 contra – certamente se aproxima da gota d`água que faz o copo entornar.

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