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Opinião

21/07/2018

EDITORIAL | Muito além da imaginação

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Descer mais fundo a estas alturas parece quase impossível. No último final de semana, duas salas do Ministério do Trabalho, num daqueles prédios projetados por Oscar Niemeyer e mandados construir por Juscelino Kubitschek para formar a Esplanada dos Ministérios em Brasília, foram invadidas e reviradas. Conforme informado, as duas salas, onde armários e mesas foram arrombados, guardavam documentos relativos a carteiras de trabalho e seguro-desemprego. A Polícia Federal já se ocupa de investigar o ocorrido, determinar se documentos foram roubados e, sobretudo, apurar se o ataque tem relação com operações que investigam corrupção na pasta.

Ainda na semana passada tomou posse, como titular do Ministério do Trabalho e na condição de primeiro mineiro a fazer parte do primeiro escalão da administração federal no atual governo, o desembargador Caio Vieira de Mello. Um momento verdadeiramente incômodo, além de delicado, e não apenas por conta do ataque à sede do Ministério, um acontecimento sem precedentes e que sugere o grau de deterioração da alta administração pública no País.

Não se faz qualquer segredo em Brasília que o Ministério do Trabalho era um dos feudos do Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB comandado pelo ex-deputado Roberto Jefferson e que não guarda nenhuma relação ou semelhança com o partido fundado por Getúlio Vargas. Também deixou de ser segredo que o ex-ministro Helton Yomura, convidado a se retirar como resultado de investigações da Polícia Federal sobre a concessão fraudulenta de registros sindicais pelo Ministério, seria apenas um “fantoche”. Na verdade, alguém que apenas ocupou a cadeira em que a deputada Cristiane Brasil não chegou, apesar de escolhida e assim apresentada, por ordem da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

As investigações da Polícia Federal concluíram pela existência, no Ministério, de uma “organização criminosa” com “efetiva participação” da cúpula do PTB e de outros partidos na concessão fraudulenta de registros sindicais. São movimentos que chegam à luz e muito provavelmente ajudarão a explicar o porquê da existência de mais de dezoito mil sindicatos no País enquanto o índice médio de filiação a estas entidades não chega a 20% dos trabalhadores. Tudo faz crer, apenas mais um bom negócio entre tantos que operam a partir de Brasília.

Tudo isso, parece evidente, pode ter nexo com o ataque à sede do Ministério do Trabalho, muito provavelmente na noite de domingo para segunda-feira. E teria sido, salvo a hipótese também levantada de mera invasão de moradores de rua, uma possível queima de arquivos, nesse caso com um grau de ousadia que vai além da imaginação.  

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