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Opinião

10/07/2018

EDITORIAL | O triste fim da Embraer

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Um grupo de engenheiros e oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) sonhou alto e, há mais de quarenta anos, deram asas ao seu sonho com a criação da Embraer. Ousaram pensar grande, ousaram imaginar que a partir dos conhecimentos reunidos no Centro Técnico Aeroespacial (CTA), Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e Instituto de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe) seria possível desenvolver no País uma indústria aeronáutica de expressão mundial. Parecia impossível, muito além das possibilidades do País, mas liderados pelo coronel Ozires Silva o grupo foi adiante até fazer decolar o primeiro avião de porte médio brasileiro, o Bandeirantes, com capacidade para doze passageiros.

Na sequência, e sempre com a marca da ousadia, vieram o jato de treinamento avançado Xavante e o monomotor de pulverização agrícola Ipanema. Em apenas dez anos a Embraer chegava ao caça de treinamento Tucano, ao Brasília, com maior capacidade de passageiros, e aos caças AMX. Voos ainda mais altos vieram com a privatização, em 1994, e, a partir daí, com a produção de variada gama de aviões comerciais voltados para a aviação regional, aviação executiva e, finalmente, a maior de suas aeronaves, um jato de transporte militar.

A empresa foi muito além dos sonhos de seus fundadores para tornar-se a maior fabricante de produtos manufaturados de alta tecnologia no Brasil, além de ser a terceira maior fabricante de aviões de passageiros no mundo, perdendo apenas para a norte-americana Boeing e para a europeia Airbus. Não se imaginava que era possível ir tão longe. Uma trajetória que pode, daqui para a frente, ser drasticamente alterada. Anuncia-se que o acordo entre a Boeing e a Embraer, discutido desde o início do ano, está muito próximo de ser concretizado.

Para dar lugar a uma nova empresa, que terá como foco a produção de jatos regionais, em que a brasileira é líder global. A marca Embraer desaparece e na nova empresa 80% do capital será controlado direta e indiretamente pela Boeing, ficando os brasileiros com uma fatia bem menor. Equilíbrio e igualdade de condições parece impossível, sendo bastante lembrar que o Conselho da nova empresa terá entre 9 e 10 cadeiras, sendo apenas um assento reservado aos brasileiros.

Parece evidente que a Embraer está sendo engolida pela Boeing e que o Brasil fatalmente perderá o centro de estudos e desenvolvimento tecnológico instalado em São José dos Campos, sendo reduzida – e quando muito – a uma plataforma de montagem. Triste fim para um sonho que chegou tão longe e tão alto.

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