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Economia

22/09/2017

Elmo Calçados fecha acordo com credores e evita falência

Dívida gira em torno de R$ 46 milhões
Gabriela Pedroso
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Grupo criado em 1938 entrou com um pedido de recuperação judicial no ano passado/FILÓ ALVES
Tradicional empresa do comércio mineiro, a Elmo Calçados conseguiu, na última quarta-feira (20), a aprovação do plano de recuperação judicial junto aos seus credores. Com a decisão favorável, a rede, além de se livrar de um possível pedido de falência, assegurou o emprego de 1.004 funcionários que hoje trabalham nas 51 lojas do grupo espalhadas por Minas Gerais (36) e Espírito Santo (15).

“Com a aprovação do plano, a Elmo Calçados continua operando normalmente as lojas que estavam funcionando, garantindo os postos de trabalho, o que, em tempos de crise, é algo muito relevante”, avalia a administradora-judicial do processo, Maria Celeste Morais Guimarães.

A votação do plano de recuperação judicial, ocorrida na última quarta-feira, foi feita durante uma Assembleia Geral convocada pela Justiça, no Hotel Ouro Minas, na região Nordeste de Belo Horizonte. Com uma dívida de cerca de R$ 46 milhões, o grupo obteve a maioria dos votos nas três classes de credores abrangidas pelo processo: trabalhista, micro e pequenos empresários e quirografária, formada por médios e grandes fornecedores.

Do montante devido pela empresa de calçados, a maior parte, R$ 44 milhões, diz respeito a créditos quirografários. Conforme acordado no plano de recuperação, a Elmo terá até 180 meses após a homologação do acordo para quitar os débitos em aberto com os médios e grandes fornecedores. Outros R$ 2 milhões envolvem passivos com micro e pequenos empresários, que aceitaram a proposta de parcelamento da dívida em até 120 meses. Nas duas situações, está prevista a correção dos valores com base na Taxa Referencial (TR).

A rede possui ainda uma dívida trabalhista da ordem de R$ 180 mil, que será paga em até um ano. “Agora, o plano segue para o juiz Adilon Claver de Resende, da 2ª vara empresarial de Belo Horizonte, que vai homologar por sentença o que foi aprovado em Assembleia”, detalha Maria Celeste. A administradora judicial lembra, no entanto, que a decisão ainda cabe recurso.

Prazo maior - O plano de recuperação judicial tem como objetivo propiciar à empresa que o propõe um prazo maior para o pagamento das dívidas pendentes. A administradora-judicial Maria Celeste Guimarães destaca, entretanto, que é preciso cumprir à risca os termos acordados. Caso contrário, um dos credores pode requerer a falência da instituição devedora.

A Elmo Calçados, cujo grupo foi fundado em 1938, entrou com o pedido de recuperação judicial em março do ano passado. Ao todo, o processo abrange 181 credores.

Lei - O chefe da Assessoria Especial do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes, disse ontem que quando o ministro Henrique Meirelles voltar de Nova York a pasta vai encaminhar ao Congresso a nova Lei de Falências e Recuperação Judicial. De acordo com o assessor, que falou durante palestra que fez no seminário “Desafios Fiscais no Próximo Mandato”, organizado pelo Centro Macro Brasil da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Lei de Falências visa agilizar a falência daquelas empresas que não têm jeito e que não se sustentam e também facilitar a recuperação daquelas que estão passando por momentos inadequados dando a elas maior acesso ao crédito e com poder maior dos credores para definir o destino destas empresas. Com informações da Agência Estado.

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