25/03/2017 - Emissoras de rádio assinam na Capital termo aditivo de migração de AM para FM

O termo aditivo para migração de AM (modulação em amplitude, do inglês amplitude modulation) para FM (frequência modulada) de 45 rádios mineiras foi assinado na sexta-feira, no auditório da Academia Mineira de Letras, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), Gilberto Kassab. Minas Gerais é o Estado com o maior número de rádios que vão migrar no Brasil. Além das 45 confirmadas, outras 26 emissoras mineiras em AM já fizeram a migração em novembro de 2016. Cerca de 20 emissoras estão com pendências de documentação e mais 22 aguardam o canal estendido, que será liberado após o encerramento do sinal analógico das TVs. A mudança vai melhorar o sinal das emissoras e torná-las capazes de serem sintonizadas em dispositivos móveis, garantindo a continuidade das rádios e a consequente modernização. “A palavra de ordem hoje é a busca da eficiência, da melhoria qualidade de vida. Começamos agora, com vocês, aqui em Minas Gerais, a construção de uma radiodifusão mais moderna e eficiente”, disse Kassab. Um dos principais objetivos da medida é dar fôlego às rádios do interior. A melhoria do sinal e a entrada nos dispositivos digitais atrairiam mais ouvintes e, por isso, mais anunciantes. Junto à migração, também foi comemorada aprovação pelo Senado, no último dia 7, do Projeto de Lei de Conversão (PLV) 1/2017, decorrente da Medida Provisória (MPV) 747/2016. A sanção pelo presidente da República, Michel Temer, está marcada para o próximo dia 28. A nova lei desburocratiza o processo de renovação da outorga, baixando de 28 documentos necessários, para apenas quatro declarações obrigatórias. “Com essas medidas podemos retomar a comunicação em alguns municípios onde as rádios estavam praticamente abandonadas. Ganha o cidadão, que vai ter uma comunicação de mais qualidade, ganham as rádios, que passam a ter mais eficiência e melhores condições de trabalho. O nosso apoio será total junto à área econômica para que todos aqueles que queiram fazer a migração consigam os recursos”, destacou o ministro. Para o presidente da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt), Mayrinck Júnior, a migração é um divisor de águas para as rádios no Brasil. “As rádios AM estavam em um processo de falência, não tinham condição de disputar o mercado. Com a migração elas voltam a disputar o mercado, com uma rádio adaptada às novas tecnologias”, analisou Mayrinck Júnior. Além das dificuldades econômicas vividas por todos os setores da sociedade brasileira, as rádios, especialmente as do interior, também enfrentam a diminuição das inserções publicitárias do governo do Estado. “Existe uma conversa bem encaminhada para mostrar a força do rádio no interior junto ao governo e acredito que nos próximos meses tenhamos boas notícias”, afirmou o presidente da Amirt. Começamos agora, aqui em Minas, a construção de uma radiodifusão mais moderna, disse Kassab Investimentos - O diretor da Rádio Clube de Itaúna, Afonso Henrique Lima Silva, avalia a importância da migração. “As rádios AM são as mais antigas no Brasil e esse é um sistema que ficou obsoleto. Ele tem a vantagem do alcance, que é maior, mas é apenas teórica, pois com a grande quantidade de emissoras, existe muita interferência. A migração é importante para o ouvinte, que vai receber mais qualidade, e para a rádio, com sistemas mais modernos, ganha em eficiência e diminui os custos com energia, por exemplo”, analisou Silva. A Rádio Clube de Itaúna fica na região Centro-Oeste e alcança cerca de 40 quilômetros de raio, incluindo cidades como Divinópolis e Pará de Minas. O público-alvo da emissora, porém, além da cidade de Itaúna, são os pequenos vilarejos e comunidades próximas ao município. “As cidades maiores têm as suas próprias rádios. Já dos lugares pequenos se vinculam a um município para fazer compras, trabalhar e estudar. Eles, normalmente, são ouvintes muito fiéis, que tem na rádio o seu principal veículo de comunicação”, destacou o empreendedor. Custos da migração - Em Pirapora, na região Norte de Minas, a Rádio Cariri, vai se esforçar para arcar com os custos da migração. O radialista Diego Carvalho, representante da Rádio Cariri, aposta na melhoria da qualidade da programação e na geração de novos postos de trabalho. “É um custo que vamos parcelar a longo prazo, mas creio que a mudança para FM vamos chegar bem. Dificilmente uma rádio AM no interior tem mais de dois ou três locutores. Com essa modificação virão novos engenheiros, locutores, calculamos cerca de seis novos empregos”, explicou Carvalho. Para que seja possível transmitir em FM as rádios precisarão instalar novos transmissores e antenas, entre outros equipamentos. Boa parte dos fornecedores está sediado em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, conhecida como o Vale da Eletrônica. Uma dessas empresas é a Biquad, especializada em soluções para broadcast, fundada em 2002, após passar pelo programa de incubação do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel). Segundo o diretor da Biquad, Carlos André Salvador, o valor médio mínimo para que uma empresa faça a migração fica em torno de R$ 40 mil, para o equipamento de estúdio. “As AMs que estão migrando demandam atualização tecnológica e temos essas soluções. Estamos ampliando o parque de fabricação e o portfólio de produtos. Já houve geração de demanda. Na Biquad tivemos, por conta da ampliação, que aumentar o quadro de funcionários na fábrica e no setor de pesquisa e desenvolvimento”, revelou Salvador. Recentemente, o Inatel celebrou a abertura do Centro de Cooperação em Tecnologia da Informação Brasil-Coreia, em parceria com Agência Nacional da Sociedade de Informação da República da Coreia (NIA). A novidade, embora não atinja diretamente empresas como a Biquad, é vista com bons olhos. O Centro se dedicará, especialmente, ao desenvolvimento de tecnologias como 5G e tecnologia das coisas. “Embora isso não nos diga respeito diretamente, é sempre bom estar inserido em um ambiente de desenvolvimento tecnológico. O polo nos dá essa grande vantagem. Todo conhecimento gerado é, de alguma maneira, compartilhado e sempre pode ser aproveitado”, declarou o diretor da Biquad. Pensamento compartilhado pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. “Na medida em que o País se moderniza, polos como o de Santa Rita também se desenvolvem. Isso é importante para a economia e para ampliar as condições de desenvolvimento local e nacional”, completou Kassab.