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Economia

21/03/2017

Empresário mineiro mantém pessimismo

Índice de confiança chegou a 39,5 pontos em novembro, caracterizando desconfiança do segmento
Gabriela Pedroso
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Com grande dependência do poder público, ainda descapitalizado, o setor reduziu em 52,2% a capacidade instalada/Jorge Woll/Divulgação
Com o Brasil “mergulhado” na crise, os investimentos em infraestrutura em 2016 retraíram consideravelmente no País. E os reflexos da menor demanda por obras afetaram diretamente a indústria da construção pesada de Minas Gerais, que segue pessimista quanto à sua situação. Apesar de uma pequena melhora, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria de Construção Pesada (Iceicon) do Estado registrou em novembro 39,5 pontos, abaixo dos 50 pontos, caracterizando desconfiança do segmento.

A percepção das construtoras em relação às condições atuais de negócios (27,8 pontos) indicou piora na situação do setor e ajudou a explicar o motivo do sentimento pessimista. Entretanto, o quadro poderia ter sido mais delicado, não fosse a expressiva alta do indicador de expectativas, outro componente do Iceicon. De março de 2016 (29 pontos) até novembro (45,4 pontos), as perspectivas das empresas do ramo subiram em 16,4 pontos, contribuindo para a evolução da confiança observada em novembro.

Elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (Sicepot-MG), o levantamento mostra que a dependência dos construtores mineiros em relação ao setor público ainda é grande. Em 2016, o governo estadual, mesmo em dificuldades, foi responsável por 64% do faturamento do segmento. Com a situação de endividamento de Minas, o presidente do Sicepot-MG, Emir Cadar Filho, acredita que 2017 não deve ser diferente.

“Este ano vamos caminhar ainda bem devagar, trabalhando muito mais em manutenção do que na construção de algo. É pública a situação financeira do Estado, em dificuldades com suas contas e mais ainda para fazer investimentos. Temos procurado o governo para encontrar alguma solução, mas Minas não tem recursos, a não ser aqueles decorrentes da Lei Kandir”, destaca Cadar Filho, lembrando do crédito de R$ 135 bilhões que o Estado alega possuir junto à União referente a repasses previstos na respectiva lei.

De acordo com a Sondagem da Construção Pesada, os indicadores de atividade do setor melhoraram em novembro no confronto com março do ano passado, mas ainda assim permaneceram sinalizando um quadro de contração. O nível de produção marcou 27 pontos, enquanto o índice de emprego fechou em 28 pontos. A utilização da capacidade instalada verificada foi de 52,2%, ou seja, quase metade das máquinas não estavam em operação.

Economista da Fiemg, Annelise Fonseca avalia que o cenário da construção é um retrato da economia nacional. “A atividade do setor está em linha com a economia: produção em queda, emprego em queda e ociosidade alta. A pesquisa mostrou uma pequena recuperação no Iceicon frente a março de 2016, mas que ainda não é suficiente para trazer o indicador a patamares de confiança”, explica.

Expectativas - As expectativas dos empresários medidas pelos indicadores de atividade da indústria da construção pesada para os próximos seis meses também são de queda, mesmo com a ligeira evolução apresentada nos índices. Em novembro, a produção alcançou 37,3 pontos, o emprego, 35,3 pontos, e a perspectiva por novos contratos atingiu a marca de 37,7 pontos. A intenção de investimento encerrou em 23 pontos.

De acordo com os entrevistados, os principais problemas do setor atualmente são oferta de obras insuficiente (74,7%), inadimplência dos clientes (46,7%) e falta de capital de giro (34,7%). De abril a outubro de 2016, 48% das construtoras no Estado tiveram faturamento inferior a R$ 10 milhões.

“O maior desafio da construção pesada hoje é se manter viva. As empresas, com pouquíssimos contratos, praticamente estão passando a pão e água há três anos e têm sido verdadeiras heroínas para conseguir sobreviver em um mercado de falta de investimento total”, afirma Cadar Filho.

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