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21/11/2017
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Negócios

21/10/2017

Empresários apostam em lojas temporárias

Casa Maia prevê vendas 30% maiores
Mírian Pinheiro
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Na tradicional Casa Maia é possível encontrar adornos de R$ 5 a R$ 5 mil, como no caso das árvores gigantes nevadas/Alisson J. Silva
Típicas do Natal brasileiro, as lojas temáticas e temporárias, aquelas recheadas de produtos de decoração natalinos, nessa época do ano invadem as cidades do País. Em Belo Horizonte não é diferente. Algumas especializadas em presentes mudam o mix de produtos para atender exclusivamente os consumidores com artigos natalinos, e outras, como as conhecidas por comércio relâmpago, são criadas exclusivamente para atender a demanda da data mais esperada do ano pelos varejistas.

Comerciantes da Capital, que atuam nesse nicho há anos, veem no período uma oportunidade para futurar alto em pouco tempo. Alexandre Maia, dono da Casa Maia, há 24 anos no mercado, espera um aumento de 18% no faturamento das lojas na comparação com o resultado de 2016. Com quadro de funcionários reforçado em 30%, nas duas unidades, localizadas nos bairros de Lourdes e Santo Agostinho, ambas na região Centro-Sul, ele inaugurou a vitrine natalina no mês passado e, desde então, o movimento de clientes nas duas unidades só cresce. Até dezembro, destaca o proprietário, serão 70% de acréscimo no movimento.

A Casa Maia, especializada em presentes e flores ao longo do ano - e temática em ocasiões especiais -, já turbinou seus estoques natalinos em 30% na comparação com o ano passado, isso porque o proprietário Alexandre Maia está otimista e, além de esperar por um resultado de vendas ainda melhor do que no ano passado, ele acredita que a data é a melhor do varejo. “Não tem crise quando o assunto é decoração natalina. As pessoas não abrem mão de enfeitar a casa”, diz. Sendo assim, nas suas lojas é possível encontrar adornos de R$ 5 a R$ 5 mil, como no caso das árvores gigantes, com destaque para as árvores nevadas, galhos, flores, tudo em tons claros, como branco e gelo.

Outra que aposta na sazonalidade do comércio temático é a loja de presentes Tempori, aberta há 21 anos. Segundo a proprietária Bruna Magalhães Gozende, ninguém deixa de investir no Natal e, exatamente, por isso, ela estima um volume de vendas 5% superior ao registrado no ano passado, que já foi ‘excelente’, diz. Com duas unidades na cidade, nos bairros Cidade Jardim e São Pedro, ambas na região Centro-Sul, a loja contratou mais dois funcionários e aumentou em 20% o estoque natalino para atender a demanda. As compras, de acordo com a proprietária, foram feitas nos meses de fevereiro e março, para garantir melhores preços, e os artigos natalinos, a maioria importados, já estão à venda desde o início do mês.

Entre as novidades, a comerciante cita os presépios e a variedade de Papais Noéis, além dos enfeites rústicos, como bichinhos de palha. Os preços variam de R$ 10 a R$ 2 mil. Na Tempori, os tons creme e fendi dão o tom do Natal. A loja também aluga árvores decoradas, que custam, em média, R$ 700 e podem chegar até a R$ 5 mil, dependendo do modelo escolhido. As peças podem ser alugadas agora e devolvidas só em janeiro.

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Vantagem planejada - Investir em um negócio temático, como o voltado a produtos de Natal, pode ser vantajoso, aponta a analista de acesso ao mercado do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Luciana Lessa. Mas é preciso ter cautela, diz, uma vez que a duração das vendas é igual à disponibilidade de estoques.

No caso das lojas que funcionam o ano inteiro, ela argumenta que o período que se ganha dinheiro é muito curto para segurar os custos do negócio ao longo do ano. “São apenas três meses de maior demanda e não dá para considerar que o investimento feito seja menor. O custo para formação de estoque é alto”, analisa.

Para ela, todo modelo de negócio, o que inclui o temporário e o temático, requer planejamento. “As compras devem ser feitas com antecedência, já que a maioria dos produtos natalinos é importada e demora a chegar”, observa.

Para o economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), Guilherme Almeida, ofertar produtos levando em conta aspectos sazonais é uma boa estratégia, mas desde que se atente a particularidades, como formas de estoque. “Ele deve ser bem planejado, porque o escoamento da mercadoria no Natal é diferente do que em outras datas”, comenta, dizendo ainda que outro item a ser observado é a saúde financeira do negócio.

Também, diz, é preciso ter caixa para comportar a alternância de produtos. Para o economista, o comportamento do consumidor tem que ser considerado tanto pela loja temática quanto pela temporária. “Fatores macroeconômicos e preferências pessoais interferem no desejo de compra. É bom que o varejo esteja atento ao fato de que o consumidor ainda está cauteloso”, alerta.

Modelo não dispensa exigências legais

Ao contrário do que se imagina, as lojas temporárias não dispensam as exigências legais, segundo o especialista em legislação empresarial e analista do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Haroldo Araújo. “Mesmo tendo características de temporalidade, devem ter CNPJ - Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - e seguir as regras como se fossem perenes”, afirma. Ele explica, ainda, que até mesmo a contratação de funcionários segue as regras da CLT - Consolidação das Leis do Trabalho -, com carteira assinada, e os direitos conforme a convenção coletiva junto ao sindicato da categoria.

Segundo ele, os contratos de trabalho por tempo determinado têm características próprias, como quando o contrato é firmado no início da atividade e o empresário tem o intuito de avaliar o empregado, colocando-o em período de experiência. “Este período é de 90 dias”, ressalta.

Também há a situação quando o caráter da contratação é transitório, como o caso de uma empresa de venda de fogos de artifícios, para funcionar somente no período das festas juninas. A terceira exceção, ele diz, trata dos contratos a prazo determinado para atender fluxo transitório. Neste caso, explica o especialista, se enquadram as contratações efetuadas para atender a demanda sazonal decorrente das atividades do comércio, como no período natalino.

“Diferentemente do contrato por prazo indeterminado, o contrato por prazo determinado é aquele que estabelece o início e o término do contrato, sendo sua duração legal limitada a 2 (dois) anos, esse tipo de contrato ocorre somente em casos específicos”, esclarece Araújo.

Temporário virou fixo - Deu tão certo o comércio temporário de Natal da Casa Futuro que a loja, um dia fixa, especializada em adornos e presentes, fechou para dar lugar ao varejo relâmpago. Foram anos de loja fixa na região Centro-Sul da cidade até migrar definitivamente para o novo modelo e nele permanecer. O estabelecimento já trabalha há mais de mais de 10 anos com comércio temporário, vendendo artigos exclusivamente natalinos por um período de dois meses no ano.

Segundo a supervisora da Casa Futuro, Eliana de Fátima Marques Caldeira, neste mês foram reabertas as lojas temporárias do bairro de Lourdes, na região Centro-Sul, e a do BH Shopping. A expansão do negócio natalino temporário neste ano veio com a abertura de mais uma loja, no Shopping Boulevard, localizado na região Leste. Até o final do mês, outra, ainda sem endereço definido, será inaugurada para locação de objetos natalinos. “Os clientes terão à disposição figuras luminosas, como estrelas e cometas, árvores decoradas de vários tamanhos, guirlandas, bonecos de neve, Papai Noel, tronos, casinhas decorativas e muitas outras novidades”, antecipa.

China - A supervisora também diz que a proprietária da loja, Cláudia Machado Travesso, se encontra na China, já preparando os estoques do Natal de 2018. “Trabalhamos aqui o ano todo para atender a demanda do Natal. Nessa época, 10 funcionários trabalharam em cada unidade”, diz. A Casa Futuro possui dois grandes depósitos no bairro Alto dos Pinheiros, região Noroeste, onde mantém os estoques para data mais esperada do calendário cristão.

Eliana Caldeira não soube informar o volume estocado neste ano, nem se ele é maior que o feito no ano passado, mas diz que foi reposto em maio. No entanto, ressalta que as expectativas com relação às vendas para este ano não poderiam ser melhores. “Novembro é o mês que mais vendemos”, revela. A Casa Futuro trabalha com peças que vão de R$ 2,50 (pequenos enfeites de árvore) a R$ 4,600 (Papai Noel inflável).



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