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DC Sustentabilidade

09/08/2016

Empresas mineiras investem em ações com "pegada verde"

Muitas iniciativas atendem normas legais
Patrícia Santos Dumont
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A Bioextratus Cosméticos investiu R$ 3 milhões em uma usina de energia fotovoltaica/Marco Regis/Divulgação
Palavra de ordem nas sociedades modernas, a sustentabilidade está cada vez mais presente no cotidiano das empresas mineiras. Atitudes “verdes” direcionadas para mitigar danos ambientais ou para estimular a preservação do ecossistema têm ganhado espaço na rotina de companhias de médio e grande porte sediadas em Minas. Em alguns casos, as medidas atendem normas previstas nas legislações federal ou estadual, que variam conforme o porte e o potencial poluidor do empreendimento. Muitas vezes, porém, os projetos são implementados não somente para ajudar na preservação do meio ambiente, mas para intensificar resultados, promovendo a sustentação das próprias atividades.

Na região Central do Estado, a 170 quilômetros de Belo Horizonte, a “menina dos olhos” da Bioextratus Cosméticos Naturais - que está comemorando bodas de prata este ano - é uma usina de energia fotovoltaica. A estrutura, que recebeu aporte de R$ 3 milhões para entrar em funcionamento, está instalada na unidade fabril da empresa, em Alvinópolis. A usina é composta por 2.159 placas fotovoltaicas, cada uma delas com capacidade de gerar 275 watts. Ao todo, a estrutura produz 72 mil quilowatts por hora, contra um consumo de 60 mil quilowatts por hora, possibilitando, desta forma, a autossuficiência da fábrica de cosméticos.

Fundador da companhia, que nasceu, literalmente, dentro de casa, o empresário Lindouro Modesto Gomes diz que a usina é fruto de uma filosofia baseada em processos “limpos”. “Sempre tive o sonho de trabalhar com energia limpa e nos tornamos uma empresa com processos sustentáveis. Já dispomos de um sistema de tratamento de esgoto, que é referência, e estamos construindo agora encanamentos independentes para reúso de água”, adianta Gomes.

A implantação da usina fotovoltaica começou a ser realizada há cerca de quatro meses. A expectativa é de que o empreendimento se pague em até 10 anos. “Mas não pensamos nisso. Pensamos no ganho ambiental que a empresa está trazendo não só para a cidade, mas para o planeta. Muita gente já está interessada em implantar algo parecido em suas casas. Acredito que seja um caminho sem volta. Tivemos a vontade e saímos na frente”, afirma.

Além do sistema de geração de energia, que utiliza a luz solar para abastecer toda a indústria, a Bioextratrus mantém um complexo formado por 11 lagoas artificiais responsáveis por controlar o fluxo da água da chuva, mantendo o recurso represado para abastecer a fábrica. Dentre os planos do empresário estão a construção de um imenso reservatório para coleta e armazenagem da água retida nas lagoas. “A água é um recurso fundamental para a nossa produção e precisa ser de boa qualidade, por isso temos um cuidado extremo, além da consciência ambiental”, reforça Gomes.

A produção média da Bioextratus é de 562 toneladas por mês. Fundada em 1993, quando se tornou uma microempresa, a fábrica de cosméticos possui a ISO 14001, uma norma internacional de padrão de qualidade de empresas que tenham sistema de gestão ambiental e que, portanto, não prejudicam o meio ambiente em nenhuma etapa do processo produtivo.

No âmbito legal, existem leis que preveem condições mínimas para a concessão de licenças ambientais. De acordo com o gerente de Compensação Ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF) de Minas Gerais, Ronaldo José Ferreira Magalhães, as medidas podem ser mitigadoras ou compensatórias. “Quando não se pode mitigar, compensa-se. Existem hoje uma série de condicionantes que devem ser cumpridas e nenhuma delas é voluntária, são impostas por um processo ou lei. Se o empreendedor não concorda, não adquire a licença”, explica Magalhães. A compensação, por exemplo, é medida obrigatória nos casos de intervenção em área de Mata Atlântica ou de Unidade de Conservação Ambiental. O porte do empreendimento bem como o potencial poluidor são levados em conta para que seja estabelecida a medida mais adequada.

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Olimpíadas - Quarta maior distribuidora de combustíveis do Brasil, a Ale pegou “carona” nas Olimpíadas do Rio para implementar uma medida em prol do meio ambiente. A empresa é patrocinadora do Ecoboat, projeto que tem como objetivo remover resíduos sólidos flutuantes na Baía de Guanabara e na Lagoa Rodrigo de Freitas, ambas no Rio de Janeiro. Os espelhos d’água receberão provas de iatismo, canoagem, remo e vela nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, cujo jogo de estreia aconteceu no último dia 3.

O objetivo, segundo a gerente de Marketing e Comunicação da Ale, Rejayne Nardy, é expandir a iniciativa e levar o projeto a outras partes do País. “Decidimos compartilhar com nossos consumidores um pouco dos nossos incômodos e questões em relação ao meio ambiente e às mudanças que ele vem sofrendo. Temos planos para levar a São Paulo, mas ainda estamos avaliando”, comenta.

O sistema utiliza uma plataforma de transbordo e quatro embarcações na coleta dos resíduos, cerca de 30 toneladas por mês somente na Baía de Guanabara, que abrange 16 municípios do Estado do Rio de Janeiro. Para promover a coleta o barco utiliza uma pá projetada na proa que faz a raspagem do lixo flutuante a até 0,5 metros de profundidade.

Dentre os materiais coletados estão pneus, camas, cadeiras e sofás. O patrocínio da Ale Combustíveis foi da ordem de R$ 300 mil.

Instalada em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Delp Engenharia Mecânica S/A, presente no mercado de bens de capital desde 1964, desenvolveu um sistema próprio para substituir a soldagem manual, aumentando a produtividade, reduzindo a poluição sonora e ambiental e promovendo economia de energia elétrica. O método automatizado, pioneiro na América Latina, é utilizado nas plataformas de petróleo da Petrobras.

“Antes, as aletas eram posicionadas uma a uma. Além de baixa produtividade, o processo tinha alto índice de ruído e emissão de sólidos particulados no ambiente. Otimizamos o serviço e o resultado dele e tornamos o processo mais seguro e econômico”, detalha o gerente de Engenharia de Materiais e Solda da Delp, Júlio Pires.

Com a tecnologia, a empresa, cuja atuação está concentrada nos mercados naval, de óleo e gás, geração de energia, indústria e serviços, conseguiu reduzir em 60% o tempo gasto nos processos de soldagem e em 33% o número de funcionários empenhados na atividade. Além disso, houve redução de 23% na quantidade de energia elétrica utilizada e de 400 quilos de resíduos sólidos resultantes dos processos de soldagem manual.

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