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DC Turismo

23/12/2017

ENTREVISTA | Felipe Vechia Guerra

Circuito do Ouro: o turismo como importante vetor de desenvolvimento
Daniela Maciel
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Felipe Guerra assumiu a presidência do Circuito Turístico do Ouro/Divulgação
O Circuito Turístico do Ouro (CTO) reúne 15 cidades que viveram e, em alguma medida, preservaram o patrimônio artístico, arquitetônico e cultural produzido durante o apogeu da exploração do ouro nos séculos 18 e 19 em parte do que hoje são a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e a região Central do Estado.

Barão de Cocais, Catas Altas, Santa Bárbara, Itabira, Nova Era, Ouro Preto, Mariana, Ouro Branco, Congonhas; Sabará, Caeté, Nova Lima, Raposos, Rio Acima e Itabirito juntas abrigam uma população de quase 790 mil habitantes, de acordo com projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para 2017.

No último 13 de dezembro o atual secretário de Turismo, Indústria e Comércio de Ouro Preto, Felipe Vecchia Guerra, assumiu também a presidência do CTO. Ele conversou com o DIÁRIO DO COMÉRCIO, sobre os desafios de cuidar e promover um território tão grande e diverso, que abriga dois patrimônios culturais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) – Ouro Preto e Congonhas - e tornar o turismo uma alternativa de renda e desenvolvimento social real para uma população historicamente acostumada e dependente de setores tradicionais da economia, especialmente a mineração.

O Circuito do Ouro, obviamente, nasce em um território marcado pela mineração. O setor é, até hoje, a grande mola propulsora da economia da região. Como mostrar para população e empreendedores que o turismo pode ser mais que uma alternativa, um vetor determinante de desenvolvimento econômico e social para a região e o Estado?

O Circuito do Ouro tem algumas cidades com potencial latente como Congonhas, Mariana e Santa Bárbara, por exemplo, além de Ouro Preto como destino indutor. Nossa missão é fazer com que Ouro Preto transborde essa potência para os outros municípios do circuito. A administração anterior começou essa organização com a criação dos roteiros (Roteiro Entre Cenários da História, com Ouro Preto, Mariana, Ouro Branco e Congonhas; Entre Trilhas, Sabores e Aromas, com Nova Lima, Itabirito e Sabará; Entre Ruralidades e Personalidades, com Itabira e Nova Era; Entre Serras da Piedade ao Caraça, com Caeté, Barão de Cocais, Santa Bárbara e Catas Altas). Foi um trabalho muito bem-feito. Agora é o momento de trabalhar profundamente a articulação entre as cidades-membro. Quando as empresas começam a ver uma organização, uma administração responsável, começam a acreditar e se aproximar. Comemoramos agora algumas parcerias importantes como com a Elo e a Coca-Cola para trazer estrutura. A Elo, por exemplo, vai patrocinar a sinalização turística em todas as cidades.

Outro ponto que precisamos nos fortalecer é na coleta e compreensão dos dados, gerando um diagnóstico formal que possa ser apresentado para os governos e empreendedores, provando que o turismo é o grande negócio de Minas.

E o mais importante de tudo é que a população compreenda a importância do turismo como vetor de desenvolvimento e aprenda a receber o turista. Apenas 50% da população de Ouro Preto já entraram no Museu da Inconfidência, sendo ele o segundo mais visitado da América Latina. Isso é um absurdo. Só cuida quem conhece. Precisamos gerar o sentimento de pertencimento.

Basílica de Bom Jesus de Matozinhos é destaque em Congonhas Foto: Daniel Silva

O CTO é muito próximo a Belo Horizonte, inclusive com municípios limítrofes. Quais as vantagens e desvantagens de estar tão perto da Capital? Existe um trabalho integrado entre o Circuito e a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), por exemplo, já que BH é a “porta de entrada” para os turistas de fora do Estado que seguem para a região do Ouro?

Estar perto da Capital é, certamente, uma grande vantagem. Além da mobilidade oferecida, Belo Horizonte tem crescido como destino turístico e se fizermos um trabalho integrado podemos crescer juntos. O Carnaval é um bom exemplo. Nos últimos anos a festa belo-horizontina tem tomado foliões das cidades históricas. Mas são festas de perfis distintos. É possível oferecermos produtos diferentes, que se complementem e façam com que o turista passe mais tempo no Estado, conhecendo lugares e atrativos diferentes. Temos um canal de conversa muito bom com a Capital.

Como divulgar e promover um circuito tão grande e diverso? Como ele pode ser “posto na prateleira” das agências de viagem de todo o mundo?

Temos que trabalhar de maneira integrada. As cidades devem identificar e apresentar a identidade de cada uma. Se conseguirmos mostrar isso o turista vai ter muito o que fazer e poderá permanecer mais tempo conosco. Ouro Preto, Mariana e Congonhas têdm a questão histórica/cultural como seu principal ativo. Já Ouro Branco, que fica ao lado, tem um centro histórico pequeno na comparação com as demais. Em compensação tem uma serra deslumbrante, que permite a realização das atividades de ecoturismo e turismo de aventura. Logo depois, Itabirito oferece o pastel de angu, uma iguaria da culinária mineira. O que é determinante aqui é que o turista tenha informação e infraestrutura para se deslocar entre os atrativos.

Por isso estamos investindo em tecnologia, no site, no aplicativo do CTO. Precisamos alcançar o turista quando ele ainda não decidiu o destino. Ninguém, hoje, viaja sem fazer uma pesquisa na internet. A tecnologia ajuda a garantir segurança. O viajante pode se planejar, sabe que não vai perder tempo e, certamente, acaba mais satisfeito com a experiência.

A tragédia ocasionada pelo rompimento da barragem de Fundão da mineradora Samarco, em Mariana, em 2015, ainda prejudica o turismo no município e nas cidades vizinhas?
Sim. Muita gente, até hoje, pensa que a lama atingiu o Centro Histórico de Mariana e deixa de visitar a cidade. Isso, claro, impacta o circuito e, principalmente, Ouro Preto. As cidades são irmãs, então quando alguém desiste de conhecer uma delas, acaba não indo à outra também. Se não bastasse a perda de empregos gerados diretamente pela mineração, perdemos a arrecadação e os empregos ligados ao turismo.

Ouro Preto é, certamente, a grande estrela do CTO. Essa, entretanto, é a primeira vez que um representante da cidade assume a presidência do circuito. Por que e isso facilita a interlocução com órgãos do Estado, como a Secretaria de Estado do Turismo de Minas Gerais (Setur-MG), por exemplo?

Nessa política de tratar o turismo de forma regionalizada, a função do Ouro Preto é, justamente, transbordar esses turistas para as outras cidades. Durante os últimos 20 anos a cidade acabou se furtando desse papel. Claro que dentro de um conjunto em que a cidade é o principal personagem, acaba atrapalhando todo mundo. Isso vem mudando. Ouro Preto está diversificando a economia pelo turismo. A mineração vem em queda em todo o Estado e a diversificação da economia é o único caminho.

É bom lembrar que o cargo de presidente do CTO pertence a Ouro Preto durante esse mandato de dois anos. Isso é importante para garantir a continuidade do trabalho.

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