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12/06/2018

Espanha se prontifica a receber imigrantes à deriva

Reuters
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Roma/Madri - A Espanha se ofereceu ontem para receber uma embarcação humanitária que está à deriva em águas internacionais com 629 imigrantes a bordo, enquanto Itália e Malta continuavam a rejeitar seu desembarque.

A União Europeia e a Acnur, agência de refugiados da ONU, pediram uma resolução rápida do impasse que envolve o navio Aquarius, que tem bandeira de Gibraltar e cujos passageiros incluem 11 crianças e sete mulheres grávidas resgatadas na costa da Líbia no fim de semana.

O barco se dirigia para a Itália, mas Matteo Salvini, líder do partido nacionalista de extrema-direita Liga e que se tornou ministro do Interior neste mês prometendo conter o fluxo de imigrantes vindos da África, proibiu o aporte da embarcação, dizendo que deveria se dirigir a Malta.

Malta, por sua vez, se recusou a receber o navio, dizendo que não tinha nada a ver com a missão de resgate, que foi supervisionada pela Guarda Costeira italiana. A pequena ilha, que tem menos de meio milhão de habitantes, diz que já aceita mais refugiados per capita do que a Itália, que já recebeu mais de 600 mil imigrantes que chegam de barco ao país desde 2014.

“Salvar vidas no mar é um dever, mas transformar a Itália em um gigantesco campo de refugiados não é”, falou Salvini no Facebook ontem. “A Itália não vai mais abaixar a cabeça e obedecer. Desta vez, há alguém dizendo não”.

Primeiro-ministro - Em uma possível solução ao impasse, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, um socialista que acaba de assumir o poder há uma semana, deu instruções para que a embarcação possa aportar no leste do país, em Valência.
Ao ouvir a oferta da Espanha, Salvini disse que o impasse havia sido resolvido graças ao “bom coração” dos espanhóis, mas que a UE não poderia contar com gestos únicos para lidar com os imigrantes que chegam à Itália.

Falando no centro da Itália durante uma visita a cidades atingidas por terremotos, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, agradeceu a Espanha.

“Esta é uma importante virada. Começando hoje, a Itália não está mais sozinha”, apontou Conte no Facebook. Agora é hora e regras de asilo “mais justas” na UE, acrescentou.

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