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Minas 2032

20/11/2014

Expansão do agronegócio depende do uso consciente da água

Produtores rurais terão que investir cada vez mais em tecnologias que promovam a preservação do recurso
Michelle Valverde
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Todo o planejamento envolvendo a utilização da água deverá ser de longo prazo/Evandro Rodney / IEF
Diante do aumento da população mundial, a demanda por alimentos tende a ser cada vez maior e o Brasil deverá ser um dos principais fornecedores de comida no futuro. Por isso, será necessário investir cada vez mais em tecnologias que promovam o uso racional dos recursos naturais, aumentem a produtividade e adequem as culturas às restrições ambientais, que serão mais severas. Os investimentos em pesquisas e a formulação de políticas de longo prazo são considerados fundamentais para o crescimento do agronegócio.

De acordo com o superintendente do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Santos Vilela, são vários os desafios a serem superados ao longo das próximas décadas, para que Minas Gerais, junto aos demais estados produtores, faça com que o Brasil se torne o grande fornecedor mundial de alimentos. E uma das questões mais graves a ser enfrentada é a hídrica.

"O ano de 2014, quando registramos uma estiagem rigorosa e atípica, trouxe à tona algumas questões sobre o papel da agricultura e do setor rural no futuro do país. Há duas décadas era ensinado que a água era um recurso infinito e o Brasil tinha as maiores reservas do mundo. Por isso, existia o mito que não era necessário se preocupar. Porém, a população cresceu, elevando a demanda pelo recurso e o conceito não mudou. Muito pouco tem sido feito com foco na segurança hídrica", diz.

Ainda segundo Vilela, para eliminar os gargalos é preciso que o planejamento envolvendo o uso da água e o desenvolvimento do agronegócio em Minas e no país seja de longo prazo e integrado.

"O planejamento precisa ser feito de maneira simples, sem fracionar as decisões em vários ministérios, como é feito hoje. Temos a legislação, mas são tantos órgãos envolvidos que eles não se comunicam. Também é preciso conscientizar a população. No agronegócio, o gerenciamento do meio ambiente é fundamental para o desenvolvimento da produção agrícola e pecuária", diz.

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Exemplos - Várias técnicas que permitem o desenvolvimento do agronegócio e contribuem para a manutenção do meio ambiente têm sido adotadas no Estado. Entre elas estão o sistema de plantio através da Integração Lavoura, Pecuária e Florestas (ILPF), a irrigação por gotejamento, o plantio direto, a recuperação das áreas degradadas e a ampliação da produtividade, que permite cultivar maior volume em menor espaço.

"O produtor tem que tomar ciência da responsabilidade de preservar os recursos naturais, caso contrário ele vai sentir na pele os efeitos da má utilização dos recursos, presenciando a morte do gado e a escassez hídrica.  necessário fazer a água permanecer no solo, o que é estimulado pelo reflorestamento, pela recuperação das nascentes e das áreas próximas aos rios. A introdução de novas tecnologias que permitam produzir conservando o solo e a água é a grande tendência, que trará benefício para toda a produção", afirma.

Acesso à assistência técnica precisa melhorar

Na avaliação do superintendente do Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Pierre Santos Vilela, o acesso dos produtores às informações ainda é precário e precisa ser melhorado para que as tecnologias e pesquisas desenvolvidas cheguem ao campo e possam ser implementadas corretamente.

"O modelo de agricultura e pecuária a ser utilizado precisa gerenciar as práticas para que ocorra a convivência sustentável com o meio ambiente. Para que isso aconteça, as pesquisas, a assistência técnica e a extensão rural devem chegar ao produtor para mudar a gestão e introduzir os novos modelos de tecnologia", diz ele.

"Mas existe o gargalo dos investimentos em pesquisa e na retomada da extensão rural no país, que está abandonada desde a década de 1990. Para mudar, o produtor precisa de auxílio, de especialistas que avaliem as necessidades das propriedades, busquem alternativas e ensine o produtor a aplicá-las de forma eficiente", acrescenta.

O maior acesso à assistência técnica e às pesquisas também é considerado como o principal caminho para se produzir e processar alimentos a baixo custo, reduzindo perdas e driblando os gargalos.

"A tecnologia é o caminho para transformação. Precisamos de pessoas treinadas. Mas convivemos com a falta de planejamento e de investimentos. Apesar de o setor se mobilizar e buscar soluções junto ao governo, nos últimos 20 anos foram poucas as ações para mudar a situação. Com a tecnologia é possível ampliar a produtividade, gerando maior volume de alimentos em um menor espaço,  possível reduzir os custos e tornar a produção mais competitiva no mercado mundial".

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