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01/12/2016

Experientes engrossam fila de temporários

Crise resgata profissionais mais velhos dispostos a aceitar salários menores e ocupar cargos menos importantes
Daniela Maciel
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Urbano: chefes de família entre os mais atingidos pela crise/Newton Santos/Divulgação
Tradicionalmente, o varejo contabiliza bons resultados nos últimos meses do ano e as contratações de trabalhadores temporários se tornam comuns para atender o volume de vendas. Boa parte dessas vagas é ocupada por jovens em busca do primeiro emprego ou ainda pouco experientes. A crise macroeconômica vivida pelo País em 2016, entretanto, alterou essa realidade. Engrossam a fila de candidatos a um emprego temporário, profissionais mais velhos e experientes dispostos a aceitar salários menores e ocupar cargos menos importantes do que tinham até então.

De acordo com levantamento realizado pelo site Vagas.com, realizado entre 20 e 26 de outubro, a idade média dos trabalhadores que buscam uma oportunidade em trabalho temporário é de 33 anos. A pesquisa mostra o crescente interesse pelo emprego temporário em todas as faixas etárias. Da base consultada, 74% estão interessados em realizar um trabalho temporário neste final de ano. Em 2015, esse índice era de 70% e, em 2014, 67%.

O estudo também revela que vem aumentando a cada ano o percentual de pessoas com experiência em emprego temporário. Do total de respondentes, 54% já realizaram algum trabalho temporário anteriormente. Em 2015, esse grupo era de 40% e, em 2014, 28%. Dos que estão interessados nessa oportunidade, 24% informaram já ter atuado em vagas de final de ano (como Natal e Ano Novo) e que pretendem ganhar R$ 1.620 por mês como temporário.

Chefes de família - De acordo com o coordenador da pesquisa na Vagas.com, Rafael Urbano, os resultados mostram que entre os mais atingidos pela crise estão os chefes de família. “O sonho dessas pessoas é se recolocarem no mercado. Daqueles que pleiteiam uma oportunidade como temporário, a maioria está desempregada (78%). No ano passado, o índice era de 66%. Antes esses profissionais queriam uma renda extra, agora a situação é mais preocupante”, explica Urbano.

E mesmo os que estão empregados buscam uma nova oportunidade não para a compra de um bem de maior valor ou para fazer poupança. A maioria é motivada pelo pagamento de dívidas pendentes.

O levantamento também mostra quais são os tipos de dívidas daqueles que pretendem conseguir um emprego temporário para quitar despesas (13%). Para esta mesma massa de endividados, o cartão de crédito surge novamente como maior vilão dos gastos. É o item prioritário de quitação, com 47% de preferência. As contas da casa (água, luz, IPTU etc), aparece logo na sequência dos débitos, com 46%. A importância com o pagamento dos estudos é o terceiro item, com 25%. Quitar débitos em carnês é desejo de 14%.

Com 13%, o cheque especial vem logo depois. O financiamento do carro soma 10% e as demais despesas com veículo 17%. O financiamento da casa é prioridade para 10%. Despesas com saúde aparecem na sequência, com 9% das intenções e, em último lugar, o cheque pré-datado, com 1%.

“Isso mostra a gravidade do endividamento das famílias, que já alcança as contas básicas, como água e luz. O ideal é que aqueles que conseguissem vagas de fim de ano fossem efetivados, mas essa será uma realidade rara. A pequena melhora na economia nacional ainda não foi sentida por esse grupo da população”, analisa o coordenador da pesquisa.

Há outro grupo (26%) que pretende aproveitar para se recolocar no mercado de trabalho. Ganhar uma renda extra para pagar dívidas é desejo de 13%. Para 10%, ganhar experiência profissional é a intenção. Poupar dinheiro é objetivo de 9%. Os que pretendem pagar os estudos somam 8%. São 2% os que querem juntar dinheiro para comprar algo que desejam muito. Aproveitar a oportunidade e mudar de emprego é realidade para 2%.

Tudo isso também impacta o mundo dos mais jovens. Além do maior volume de trabalhadores concorrendo, esse novo contingente é mais experiente, gerando desvantagem competitiva para os mais novos. A situação fica ainda mais crítica porque além da oferta maior de trabalhadores, a demanda de vagas está menor, motivada pelo mau desempenho econômico do País ao longo do ano.

“Se pudermos dizer que essa situação é boa para alguém, é para os empregadores, que podem escolher a melhor mão de obra para ser contratada. É hora do RH (departamento de recursos humanos) agir estrategicamente, estabelecendo uma relação transparente com os candidatos, encontrando os melhores perfis dentro de um prazo bastante apertado”, aconselha o pesquisador.

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