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Agronegócio

21/03/2017

Faemg defende agilidade nas respostas

Roberto Simões enfatiza a qualidade da carne produzida no País e diz que irregularidades são exceções
Michelle Valverde
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Os embarques de carnes produzidas em Minas Gerais em 2016 geraram US$ 771,9 milhões, com volume de 351 mil toneladas/Afrig/Divulgação
Os reflexos provocados pela Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira, podem prejudicar a cadeia produtiva da carne em Minas Gerais. Diante da possibilidade de redução das exportações, caso os países compradores optem pela suspensão das negociações, os representantes do agronegócio reforçam a qualidade da carne produzida em Minas Gerais e esperam que fatos pontuais não prejudiquem o trabalho desenvolvido há anos para a melhoria da qualidade das carnes para a conquista de certificações e de aberturas de mercados. Apesar de terem citado Minas Gerais nas investigações, nenhum frigorífico instalado no Estado foi interditado.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, criticou a forma como foi divulgada a Operação Carne Fraca. Para ele, faltou cuidado e articulações da Polícia Federal junto ao governo federal, e a consequência foi a divulgação de fatos restritos a algumas plantas frigorificas como se fossem a realidade de todo o País.

“Lamentamos profundamente que haja comportamentos desta maneira e a forma como são abordados. A desonestidade existe no mundo inteiro e em qualquer setor. Mas é preciso restringir o problema, delimitar seu real tamanho e cuidar de resolvê-lo da melhor maneira e o mais rápido possível. Agora vem a nossa gloriosa Polícia Federal e a imprensa, que fazem um alarde tão grande da situação, que parece que todas as nossas carnes, tudo o que produzimos e os anos de genética que usamos para ter um gado precoce nada vale porque só comemos carne podre e com papelão. A PF precisa ser menos midiática. Tinha que ter conversado com o governo, apresentado o problema e feito o planejamento das ações para punir somente quem estava fora dos padrões”.

O receio do presidente da Faemg é que os países importadores de carnes de bovinos, frangos e suínos suspendam as negociações, provocando enorme prejuízo para o setor produtivo.

Além disso, poderá haver queda no mercado interno, onde é consumida cerca de 80% da produção de bovinos de Minas. Ele afirma que o momento é de mostrar que a carne produzida em Minas Gerais e no País é de alta qualidade e de que sejam tomadas medidas rápidas e eficazes nos estabelecimentos onde foram identificadas falhas no processo produtivo.

 Simões explica que, por ano, várias comitivas de países importadores da carne brasileira visitam o Brasil, as fazendas e os frigoríficos, e somente depois de todas as exigências atendidas são concedidas as certificações que autorizam os negócios.

“Cabe a nós sermos o mais rápido e mais competente possível, para mostrar ao mercado, como um todo, que as providências estão sendo tomadas e temos milhares de outros fiscais honestos e milhares de estabelecimentos honestos produzindo carne de qualidade.

Os próprios compradores da nossa carne já vieram ao País e comprovaram isso. Os Estados Unidos, que são os mais rigorosos do mundo em termos sanitários, já vieram aqui e comprovaram a eficiência da produção e abriram o mercado para nós. Não é por causa de meia dúzia de desonestos que vamos colocar tudo a perder”, disse Simões.

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Estado - O assessor técnico da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Feliciano Nogueira de Oliveira, ressalta que é importante reconhecer que a situação é localizada e que não envolve plantas frigoríficas instaladas em Minas Gerais.

“Sabemos da gravidade do problema e isso traz um incômodo muito grande para o setor. As inconformidades estão localizadas em algumas empresas do segmento industrial. No campo, a produção de suínos, bois e frangos segue mantendo a qualidade e a sanidade e sem sinalizações de problemas. Mesmo sabendo que a cadeia produtiva como um todo será prejudicada, a gente tem a expectativa de que não haja prejuízo tão grande nas nossas exportações, porque em nenhuma planta de Minas foi diagnosticado problema”, disse Oliveira.

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