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21/02/2018

Falta de mobilidade urbana afeta varejo

Hipercentros, como o de Belo Horizonte, são os que mais sofrem os efeitos da falta de estrutura
Mírian Pinheiro
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Sair de casa e não ter onde estacionar o carro é um problema que incomoda boa parte dos motoristas brasileiros, ao ponto de fazê-los desistir de uma compra: é o que aponta a pesquisa inédita sobre os impactos da mobilidade urbana no varejo, realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O estudo revela que mais da metade das pessoas (52%) que possuem veículos no Brasil já deixou de comprar algo por não conseguir estacionar próximo ao comércio.

Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG) e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Contagem, Frank Sinatra Santos Chaves, o resultado da pesquisa evidencia que todos os consumidores, inclusive ele, quer conforto, segurança, preço e bom atendimento. “Não é mais possível encontrar isso no centro da Capital. O trânsito não ajuda, a malha urbana precisa de reformas e, para piorar, o retorno dos camelôs às calçadas, o que dificulta ainda mais as compras”, critica.

Na opinião dele, com o crescimento das lojas de bairro todos têm mais comodidade para comprar e com atendimento personalizado. “Elas fazem promoções e sabem o que o cliente quer”, completa. Outro ponto destacado pelo presidente da FCDL-MG faz referência ao tempo e sua relação com dinheiro.

Nesse sentido, ele acredita que a economia é grande com o comércio próximo. “Quem pensa que o consumidor não está fazendo o mínimo de planejamento, mesmo que seja básico, para organizar suas contas, está enganado. Tudo começa com o que pesa no bolso e as formas de chegar ao alvo”, analisa.

Por outro lado, ele diz que ter um carro próprio ficou muito caro e o aumento dos impostos potencializou isso. “É desnecessário pontuar que se o transporte público fosse mais efetivo teríamos outro fator que contribuiria para o crescimento social e econômico”, avalia, embora se mostre confiante na capacidade dos varejistas de reverterem a situação, principalmente no hipercentro da Capital.

“O varejo é a vida da cidade. Ao longo do tempo, ele aprimorou a capacidade de reinventar-se frente às diversas situações impostas pelo mercado, tanto positivas - como é o caso das datas comemorativas - quanto negativas, tais como as crises econômicas. A solução está exatamente na união, que é a essência do associativismo”, ressalta. Na visão do presidente da FCDL-MG, o varejo precisa se unir para buscar as melhores estratégias junto aos órgãos responsáveis para melhorar a mobilidade urbana.

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Coração de BH - Chaves prevê que o comércio nos hipercentros entrará brevemente em um ciclo de mudanças e renovação. “Não há como acabar com um local que já foi considerado um dos grandes patrimônios de nossa cidade”, afirma. Para ele, a saída é estimular o crescimento da região, acionando os órgãos responsáveis a melhorar os incentivos para que o ‘coração’ de Belo Horizonte receba a energia necessária para voltar a pulsar.

“Todos estamos em um processo de retomada após quatro anos de crise. Precisamos nos unir para que, juntos, façamos a construção de políticas públicas urbanas, sociais e econômicas equilibradas e transformadoras. Ou seja, uma equação cujo resultado final será um ciclo virtuoso da economia”, diz, apelando para o senso de cidadania de todos.

O executivo acredita que por meio de políticas públicas urbanas, bem estruturadas e objetivas, o equilíbrio seja reencontrado. No entanto, ele lembra que não basta beneficiar somente o lado do lojista. “Há de se buscar soluções que também favoreçam o consumidor, para que este tenha mais prazer em comprar, se locomovendo de forma confortável e por um preço justo”, enfatiza.

Para o presidente da FCDL-MG, os fatores que afastam os consumidores dos hipercentros não afetam só a Capital. Ele diz que em suas constantes viagens de negócio, quando acessa grandes centros, vê que a situação é a mesma. “O varejo tentando sobreviver em meio a trânsito, camelôs, fragilidade da segurança pública e falta de estacionamentos. Isso tem que mudar, ainda mais agora com a retomada da economia”, salienta.

A pesquisa mostra muito bem que o desequilíbrio na organização urbana, em todas as suas nuances, está impactando nos hábitos de consumo. “Cabe ao lojista promover ações que sejam eficazes e que sejam consideradas as mudanças que ele quer ver em seu negócio”, ensina, reforçando que varejo é sinônimo de inovação e transformação.

Melhorar as condições ou minorar os impactos da falta de estrutura do hipercentro da Capital passa, na opinião dele, por políticas públicas eficazes. Ele diz que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) mantém um projeto de revitalização do hipercentro. “As medidas tentam resolver problemas como a retirada dos camelôs, a assistência aos moradores de rua e o reforço da segurança. Tudo para aumentar o bem-estar da população”, esclarece, ao listar o que espera que aconteça.

A PBH apresentou, em março do ano passado, o Plano de Reabilitação do Hipercentro. A proposta abrange estratégias de ampliação das oportunidades de inclusão social e produtiva; a melhoria das condições de segurança para benefício dos comerciantes, dos moradores e dos pedestres; e a geração de condições para o desenvolvimento econômico por meio do estímulo do uso residencial de prédios vazios e a atração de novos investimentos para a região.

TRANSPORTE PÚBLICO PRECISA SER REVISTO

Além de identificar o impacto da mobilidade urbana nas decisões de compra dos brasileiros, o estudo investigou a opinião dos consumidores sobre a qualidade do transporte público no País. Segundo o levantamento, em cada 10 brasileiros que moram nas capitais, oito estão insatisfeitos com o trânsito (77%) e sete com a qualidade do transporte público em sua cidade (71%).

Na opinião desses entrevistados, a principal ação a ser tomada para reverter o problema do trânsito é investir na qualidade do serviço de transporte, citado por 64%. Em seguida, surgem outras sugestões como ampliar vias já existentes (43%), aumentar a proibição de estacionamento nas ruas e avenidas (29%), garantir a segurança das pessoas (28%) e incentivar campanhas de carona solidária (24%).

Outro dado revelado pelo estudo é que 71% dos brasileiros concordam com medidas que priorizam o transporte coletivo, como construção de corredores e faixas exclusivas de ônibus, mesmo que isso implique em sacrificar o espaço de ruas e avenidas destinado a carros. Há, também, 80% de entrevistados que apoiam o fechamento de vias aos domingos para propiciar atividades de lazer e circulação de pedestres e ciclistas.

A pesquisa foi realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em parceria com o Ibope e ouviu 1.500 consumidores em todas as capitais.


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