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11/11/2015

Falta estímulo à inovação no País

Luciane Lisboa
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Outra crítica do presidente da Fapemig em relação à falta de estímulo à inovação no Brasil é a dificuldade que os estudantes brasileiros têm de pôr em prática, aqui, os ensinamentos aprendidos na academia.

Vilela contou que em recente visita feita à Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, onde estão muitos bolsistas do "Ciência sem Fronteira", o diretor do programa na universidade disse a ele que os estudantes brasileiros são excelentes, que sabem tudo de teoria, mas são muito mal educados.

"Perguntei a ele por quê, e ele me explicou que os alunos brasileiros não conseguem ficar só olhando, quando têm oportunidade querem colocar a mão na massa. Isso acontece porque aqui eles não têm mecanismos para isso. Têm dificuldade de colocar em prática o que aprendem, porque não há peças, ferramentas para isso", ressaltou.

Conforme o presidente da Fapemig, o diretor da universidade norte-americana também criticou a falta de conhecimento dos estudantes brasileiros sobre negócios. Segundo ele, embora fossem excelentes pesquisadores, só pensavam em ciência, não sabiam como tirar o projeto do papel. Por isso ele tinha criado um curso chamado Science plus Bussiness (Ciência mais Negócios) para ajudar nessa parte. "O engraçado é que em 2004 eu fui tentar fazer algo do tipo aqui no Brasil e a Capes não deixou. Mas lá eles deixam. A questão do corporativismo aqui é muito grave e o resultado disso é que nossos estudantes brilhantes acabam não voltando para o País depois de finalizarem os estudos lá fora, o que é lamentável."

Mesmo assim, Vilela disse que continua acreditando muito no País e espera que a crise atual sirva para apresentar novos caminhos. "O que a gente precisa é de políticas públicas focadas no coletivo e na transferência de tecnologia. Criar uma forma de aquilo que nós geramos no meio acadêmico chegue de fato ao mercado", vislumbra.

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Inércia - O professor também defende mais investimentos no agronegócio brasileiro, já que hoje a atividade se sustenta praticamente com tecnologia e insumos vindos de fora. "Nós perdemos a transgenia por uma bobagem muito grande. Compramos uma briga que não era nossa (entre a França e a multinacional Monsanto) e proibimos a Embrapa, UFV, Lavras, Piracicaba, entre outras instituições, de fazer soja transgênica. Perdemos porque foi considerado um alimento frankstein. A França inventou isso e nós embarcamos", relatou.

Vilela disse, ainda, que o Brasil precisa aprender a valorizar mais os jovens, já que o maior patrimônio de um país é a juventude. "Nós criminalizamos a agricultura, criminalizamos a mineração e agora estamos criminalizando os jovens. Os universitários brasileiros são um espetáculo. Mas o retorno que estamos dando para eles é péssimo."

Na opinião do professor, a culpa de os jovens não se interessarem mais pelos estudos é do sistema. "Aqui se coloca um menino que nasceu com a internet, que nunca conheceu o mundo sem estar conectado na internet, dentro de uma sala de aula e o proíbe de usar a tecnologia. Aí, exige-se dele que fique duas horas assistindo a uma aula chata de um professor que sabe menos que o Google", criticou.

E continuou: "Quando você questiona isso na universidade, ninguém aceita, porque a instituição envelheceu se autoprotegendo. Existe aquele velho corporativismo que não aceita mudanças, que prefere colocar a culpa do problema no estudante. O jovem é taxado de desinteressado e isso é um perigo, pois nenhum país do mundo cresceu criminalizando a sua juventude", completou.

A solução, segundo o presidente da Fapemig, é criar mecanismos, como as startups, para dar guarida para os estudantes que querem transformar ciência em negócios. "Mas as dificuldades são enormes.  muito difícil conseguir montar um parque tecnológico dentro do campus de uma universidade brasileira. Não se tem apoio quase nenhum do governo. Isso é incompreensível, tendo em vista que tinha que ser uma mania nesse país, uma prioridade. Também é preciso convencer a sociedade brasileira de que a ciência e a tecnologia são parte da salvação desse momento que nós vivemos", concluiu.


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