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Agronegócio

14/06/2018

Faturamento do agronegócio recua 4,9% de janeiro a maio

Apesar do maior volume, a queda no preço da tonelada reduziu para US$ 3 bilhões o giro da agropecuária mineira
Michelle Valverde
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A cafeicultura, que responde por 38,5% dos embarques da agropecuária, apurou queda de 19,4%/Gladyston Carvalho/Epamig/divulgação
As exportações do agronegócio de Minas Gerais retraíram 4,9% em faturamento ao longo dos primeiros cinco meses do ano e movimentaram US$ 3 bilhões. Entre janeiro e maio, a queda de 19,4% no valor das exportações de café afetou o desempenho estadual. Apesar do resultado negativo, alguns setores, como o de soja e produtos florestais, por exemplo, mantiveram os embarques em alta.

De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), nos primeiros cinco meses de 2018, Minas exportou 4 milhões de toneladas de produtos oriundos das atividades agrícola e pecuária. O volume ficou 8,9% maior que o embarcado em igual intervalo de 2017.

Apesar do maior volume destinado ao mercado internacional, o preço da tonelada praticado no mercado externo ficou menor, o que também contribuiu para a queda de 4,9% verificada no faturamento, que encerrou os primeiros cinco meses em US$ 3 bilhões. Enquanto a cotação média paga pela tonelada de produtos agropecuários entre janeiro e maio de 2017 foi de US$ 881,17, em igual período do ano atual o valor recuou para US$ 769,34, queda de 12,69%.

Com a queda no faturamento, a balança comercial do agronegócio encerrou os cinco primeiros meses de 2018 com superávit de US$ 2,8 bilhões, valor que retraiu 6,53% frente aos US$ 3 bilhões registrados no mesmo intervalo do ano passado. No período, foi verificado aumento de 16,54% nas importações, que movimentaram US$ 268,6 milhões.

Nesse intervalo, Minas Gerais teve como principais países importadores a China, com participação de 24,2% e movimentando US$ 746,7 milhões, seguido pelos Estados Unidos (8,4% e faturamento de US$ 259,4 milhões), Alemanha (7,7% e faturamento de US$ 238,8), Itália (5,9% e US$ 183,6 milhões) e Japão (5,4% e movimentando US$ 183,6 milhões).

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Grãos - Dentre os produtos, foi verificada queda de 19,4% no faturamento gerado com os embarques de café, principal item da pauta exportadora do agronegócio mineiro e que corresponde a 38,5% dos embarques do setor. Ao todo, a comercialização do grão com o mercado externo movimentou US$ 1,18 bilhão.

Ao longo dos primeiros cinco meses do ano foram exportadas 448,1 mil toneladas de café, variação negativa de 11,2%. Em relação aos preços da tonelada, foi observada queda de 9,27%, com a cotação média caindo de US$ 2.921 – valor praticado na média dos primeiros cinco meses de 2017 - para US$ 2.650 entre janeiro e maio de 2018.

De acordo com o superintende de Abastecimento e Economia Agrícola da Seapa, João Ricardo Albanez, a expectativa é de que haja reação nos embarques do café.

“Iniciamos a colheita da safra de café em abril e nossa expectativa é que ocorra maior embarque do grão nos próximos meses, o que contribuirá para a recuperação das exportações do setor agropecuário. O desempenho dos embarques de café também foi afetado pela paralisação dos caminhoneiros, que impediu o transporte de produtos”.
Outro produto importante, a soja, apresentou resultados positivos. No complexo soja os embarques movimentaram US$ 827 milhões, alta de 32,5%. Já em volume, a elevação foi de 27,4% com a destinação de 2 milhões de toneladas de produtos da soja ao mercado externo. O complexo soja responde por 26,8% das exportações do agronegócio.

As exportações de soja em grão somaram US$ 742,8 milhões, incremento de 32,1%. O volume embarcado ficou 26,2% superior e encerrou o período em 1,86 milhão de toneladas. As negociações de farelo cresceram 32,9% em faturamento, chegando a US$ 81,1 milhões, e 42,4% em volume, com 145,9 mil toneladas. Foram destinadas ao mercado internacional 3,8 mil toneladas de óleo de soja, volume 270% maior, o que elevou em 270% o faturamento, encerrando o período em US$ 2,9 mil.

“O café e a soja foram os produtos mais exportados nos primeiros cinco meses do ano. Observamos que a participação da soja cresceu em relação ao ano passado. Em 2017, as exportações do complexo soja representaram 13,9% do volume total e, neste ano, já responde por 26,8%”, disse Albanez.

Produtos florestais - Outro item que apresentou alta em faturamento foram os produtos florestais. A receita movimentada está 34,3% maior e somou US$ 332,9 milhões. Ao todo, foram destinados ao mercado internacional 511 mil toneladas, queda de 7,5%.

Sucroalcooleiro - Com a desvalorização dos preços do açúcar no mercado internacional, os embarques do complexo sucroalcooleiro estão em queda. Entre janeiro e maio de 2018, as exportações do setor somaram US$ 271,5 milhões, recuo de 19,7%. O volume embarcado permaneceu praticamente estável, com pequena variação positiva de apenas 0,9% e 810 mil toneladas destinadas ao mercado internacional. O preço da tonelada caiu de US$ 421,4 para US$ 335,1, desvalorização de 20,4%.

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