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Economia

20/04/2017

Femsa avalia impactos da captação de água em Itabirito

Estudo hidrogeológico receberá investimentos de R$ 1,15 milhão
Ana Amélia Hamdan
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Fábrica da Coca-Cola em Itabirito consome cerca de 110 metros cúbicos de água por hora/Eric Salama/Femsa
Com o objetivo de verificar o possível impacto, em nascentes da Serra da Moeda, da captação de água para abastecimento de sua fábrica em Itabirito, na região Central de Minas, a Coca-Cola Femsa encomendou um estudo hidrogeológico no qual investirá R$ 1,15 milhão até 2018. A primeira fase do levantamento, que recebeu aporte de R$ 400 mil, está pronta e concluiu que não foram encontradas evidências de interferência na vazão das nascentes mais próximas.

De acordo com o levantamento, mesmo com todo o consumo da região, 79% da atual reserva renovável da área pesquisada – 1,03 milhão de litros por hora – não é usada. O estudo apontou que o volume de reserva renovável na região é de cerca de 11,43 bilhões de litro/ano e de reserva permanente é de aproximadamente 800 bilhões de litros.

“Há reservatório subterrâneo que pode ser usado. É uma reserva significativa”, disse o geólogo Danilo Almeida, que participou da pesquisa. Segundo ele, foi constatada a redução da vazão de algumas nascentes, mas a causa seria a redução do índice de chuva na região.

Com isso, a empresa manterá o sistema de captação de água. Atualmente, a fábrica é abastecida por dois poços – o Cauê e o Gandarela –, localizados na Serra da Moeda, na Região Central. A captação da água é feita pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Itabirito.

Segundo o estudo, os dois poços juntos captam 324 metros cúbicos de água por hora. Em época de alta demanda, como no verão, a Coca-Cola utiliza cerca de 100 a 110 metros cúbicos de água por hora, ou seja, um terço da capacidade total.

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Consumo - A fábrica da Coca-Cola em Itabirito, do grupo Fomento Econômico Mexicano S/A (Femsa), tem capacidade produtiva de 2,1 bilhões de litros de refrigerante por ano. De acordo com o gerente de assuntos corporativos da empresa, Rodrigo Simonato, a unidade é uma das mais econômicas em termos de uso da água, gastando cerca de 1,5 litro de água por litro de bebida produzida.

Diretor-presidente da Saae Itabirito, Wagner Melilo informou que a Coca-Cola utiliza, por mês, em média, do poço Cauê, 53.251 metros cúbicos e, do poço Gandarela, 27.440 metros cúbicos.

Ele ressalta que os poços foram construídos para atender a região. “Hoje, quase 100% da vazão (dos poços) é destinada à Femsa. Mas essa realidade irá mudar logo”, disse.

Segundo Melilo, está sendo construída uma adutora para abastecer duas comunidades no entorno. Além disso, há outros dois pedidos de ligação em análise. De acordo com Melilo, a área vem sendo monitorada. “Todos os estudos comprovam, até agora, que o aquífero é sustentável”, afirmou.

A Coca-Cola Femsa está localizada no limite de Itabirito com as cidades de Brumadinho e Nova lima, ambas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e foi inaugurada em meados de 2015. “A Coca-Cola quer ficar no município por muitos anos e não tem qualquer interesse de causar impactos negativos”, disse Simonato.

O estudo hidrogeológico foi elaborado pela empresa Schlumberger Water Services, que, segundo a assessoria da Coca-Cola, tem atuação internacional e é especializada em desenvolvimento, gestão, proteção ambiental dos recursos hídricos.

De acordo com Rodrigo Simonato, o estudo é público e já foi apresentado ao Ministério Público, à área acadêmica e a conselhos, além de ter sido protocolado na Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram). As informações foram divulgadas ontem, pela Coca-Cola, em entrevista.

A empresa dará continuidade ao levantamento este ano, com o monitoramento de 19 nascentes e poços, quanto à vazão, nível de água e bombeamento dos poços, mapeamento de estruturas geológicas, entre outros. Nesta etapa serão investidos R$ 600 mil. Está prevista para 2018, após um ano de monitoramento, a atualização do estudo, com investimento de R$ 150 mil.

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