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Economia

11/01/2017

Feriados podem gerar perdas bilionárias

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Rio de Janeiro - Os 12 feriados ou pontos facultativos em dias úteis de 2017, quatro deles com a possibilidade de enforcamento de outros dias, podem gerar perdas bilionárias à indústria e ao comércio, segundo estimativas de entidades dos dois setores. Nas contas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a perda para o setor em todo o Brasil deve chegar perto dos R$ 68 bilhões, o correspondente a 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do País. Desde que a entidade realiza esse levantamento, há nove anos, essa relação nunca foi tão grande.

Já o comércio brasileiro deve amargar um prejuízo de R$ 10,5 bilhões e só no Rio de Janeiro as perdas devem chegar a R$ 7,5 bilhões, nas contas da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) e do Clube de Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-Rio), respectivamente. Representantes das entidades sugerem como saída para aliviar as perdas a redução ou deslocamento dos feriados para as segundas e sextas-feiras e a flexibilização das leis trabalhistas de forma a reduzir os custos dos estabelecimentos que desejam abrir as portas também nesses dias.

“Ainda que alguns segmentos industriais não paralisem nos feriados, como a siderurgia e petrolífera, há um custo adicional com encargos e mão de obra nessas datas. Temos consciência de que o setor de turismo se beneficia nos feriados, mas nem de longe compensa as perdas da indústria, comércio e serviços. Só o prejuízo da indústria é sete vezes maior do que o ganho do turismo”, argumenta o economista da Firjan, William Figueiredo.

O gerente-executivo de Políticas Econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Pinheiro de Castelo Branco, ressalta que os feriados afetam o desempenho das empresas e aumentam os custos operacionais, comprometendo a produtividade.

No Rio de Janeiro, as perdas estimadas pelo CDL com o que a entidade considera um excesso de feriados em 2017 são de R$ 7,5 bilhões em receitas de vendas no ano. De acordo com o CDL, cada dia parado representa uma perda média de cerca de R$ 405 milhões. Ao longo do ano, o comércio terá 29 dias de movimento prejudicado e novembro será o mês com mais feriados: Finados, Proclamação da República e da Consciência Negra. A estimativa é do Centro de Estudos da entidade, com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e corrigida para 2017.

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“Enforcamentos”
- Segundo o presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves, os feriados do ano e seus possíveis prolongamentos vão penalizar os lojistas, principalmente as lojas de rua, que sofrem especialmente com a falta de movimento no centro da cidade nos feriados. Com os chamados “enforcamentos”, há a possibilidade de o cidadão folgar 13 dias, incluíndo os sábados, considerado pelo varejo o melhor dia de vendas da semana.

“Não há dúvida que este excessivo número de dias parados prejudicará o comércio. São quase 30 dias de vendas depreciadas. E não são apenas os empresários lojistas que perdem, mas também o governo que deixa de arrecadar impostos. No caso dos comerciários, nossa estimativa que eles podem perder até um salário no ano, um verdadeiro 14º jogado fora. Não somos contra os feriados em datas comemorativas, e até mesmo, quando possível, o adiamento deles. Mas somos a favor de que a sociedade civil organizada, empresários, líderes de classe e autoridades se sentem à mesa para discutir outras soluções que evitem tamanho desperdício”, conclui Aldo.

O CDL-Rio reconhece, no entanto, que hotéis, bares, restaurantes e serviços ligados ao turismo são os mais beneficiados com os feriados e alguns shopping centers, devido a maior presença de turistas. Figueiredo, da Firjan, diz que um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, amenizaria o problema se fosse tornado lei, pois transfere, com algumas exceções, todos os feriados para as segundas-feiras, evitando os enforcamentos. Em Pernambuco, uma lei estadual também é exemplo. “Determina que, quando há mais de um feriado em dia útil por mês, ele concentra os recessos num dia só”, observa. (AG)

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