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24/03/2017

Fiat Chrysler Automobiles em compasso de espera

Rogério Machado*
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Sergio Marchione, CEO do Grupo FCA/Rogério Machado
Quando a General Motors anunciou a venda das marcas Opel e Vauxhal, no início desse ano, estava claro que outros movimentos no setor automotivo iriam se processar. O comprador foi ninguém menos que o grupo PSA (detentor da Peugeot e da Citroën) que, com a aquisição, deu um passo importante, saltando para a segunda posição na lista das maiores montadoras europeias.

Uma má notícia para seus concorrentes diretos, entre os quais, a FCA (Fiat Chrysler Automobiles). Embora a FCA tenha sido formada recentemente, em 2014, suas raízes vêm de 2009, quando a Fiat se uniu à Chrysler para reverter o declínio provocado pela crise financeira aquele ano.

A Fiat lidava com inúmeros problemas domésticos na época e esse coquetel administrativo culminou na formação da FCA, mantendo a gestão distante das intempéries italianas.
A operação da FCA foi bem-sucedida no que se refere à marca Jeep, mas a volta da Fiat aos Estados Unidos não teve o retorno esperado. Um elevado número de concessionários americanos da marca está deficitário.

Interessante observar que, enquanto as maiores montadoras do planeta se voltam para o futuro do automóvel, tanto no aspecto energético quanto do carro autônomo, não se percebe grandes movimentos por parte do grupo italiano.

Por trás de todo esse processo, vale lembrar que a filial da montadora, aqui em Betim (MG), sempre serviu de suporte financeiro, atingindo um desempenho excepcional durante vários momentos difíceis para a Fiat no cenário internacional.
A crise brasileira compromete de modo importante este suporte que durante muitos momentos foi vital.

Nos bastidores do recente Salão de Genebra (Suíça), as especulações que já circulavam, desde o início de 2016, sobre uma eventual fusão da FCA com alguma concorrente no setor automotivo, saíram definitivamente do armário.

No início, o interessado era o grupo chinês Guangzhou Automobile Group, depois, foi a General Motors e, mais recentemente, a Volkswagen. O fato é que, pelo que já vimos anteriormente em outras fusões, é comum o uso da fase especulativa para tornar a mesa de negociações mais favorável para o vendedor.

Além disso, é evidente desde 2016 o movimento do grupo FCA para se tornar mais atraente, seja através de intervenções sobre os produtos oferecidos ou mesmo a partir da redução do custo operacional das unidades que estão deficitárias, o que inclui o Brasil.
O CEO da FCA, Sergio Marchione, hoje com 64 anos, já havia anunciado sua aposentadoria para o início de 2019, o que indica uma corrida contra o relógio.

*Colaborador

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