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DC Auto

28/04/2017

Fiat Uno ganha vida nova com o Firefly

Motor de três cilindros melhorou o desempenho e o consumo do veterano da marca italiana
Amintas Vidal*
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O Uno é o carro de maior sucesso da Fiat no Brasil. Lançado há 33 anos, ele estreou muitas novidades na linha da montadora italiana e mesmo no mercado nacional. Desde seu inovador design, pequeno por fora e amplo por dentro, passando pelo pioneirismo dos carros com motor 1.0 e estreando tecnologias como o câmbio automatizado operado por botões que substituíram a alavanca de comando, o Uno sempre foi um protagonista da indústria automotiva brasileira.

No lançamento do modelo 2017, coube ao compacto estrear a mais moderna linha de motores oferecida pela Fiat no Brasil, a Firefly. A nova planta, construída na fábrica de Betim, é exclusiva para produção desses motores e abrange um galpão de 22 mil metros quadrados com capacidade de produzir 400 mil unidades por ano, na somatória dos modelos 1.0 e 1.3, conforme demanda.

O “novo” Uno foi reestilizado em setembro de 2014. Ele ganhou muitas mudanças visuais para ficar com o design mais atual, mas manteve os três quadradinhos frontais que o caracterizava desde seu lançamento em 2010. A Fiat lançou o Uno 2017 com pequenas alterações externas, a mais evidente, a eliminação dos quadradinhos. Para-choque dianteiro, grades, novas rodas para as versões Way e Sporting e novos adesivos para a Sporting completam as mudanças. O design interior, que sofreu grandes alterações em 2014, manteve-se igual e apenas o grafismo do painel de instrumentos foi renovado. A grande diferença está em seu comportamento dinâmico, graças à adoção do novo motor.

DC Auto recebeu para avaliação o Uno Attractive 1.0 Firefly equipado com diversos opcionais de fábrica. Vendido atualmente apenas em versões completas (estratégia da marca para posicioná-lo acima do Mobi) essa versão é equipada com direção elétrica com função CITY (deixa a direção ainda mais leve para manobras de estacionamento), ar-condicionado, vidros dianteiros e travas elétricas, farol de neblina, airbag duplo, ABS, encosto do banco traseiro bipartido, computador de bordo, regulagem de altura do volante, entre muitos outros itens de série. Seu preço sugerido no site da montadora é R$ 43.320.

O exemplar que testamos ainda contava com dois pacotes opcionais que incluíam muitos equipamentos, sendo os principias e raros para a categoria: controle de estabilidade e tração, Hill Holder (dispositivo que mantém o carro imobilizado para auxiliar arrancadas em pistas inclinadas), cinto de três pontos para o passageiro central do banco traseiro, Tilt Down (rebatimento automático retrovisor direito ao acionar a ré) e mais 14 equipamentos de segurança e conforto. Com tudo isso seu preço sugerido sobe para R$ 47.855.

Por dentro impressiona a qualidade e variedade de materiais que compõem o acabamento do Uno. Nada que o torne um carro de luxo, mas é bem mais rico em detalhes que seus concorrentes. Comparado ao Palio, que está um nível acima dele, o Uno quase não deixa a desejar nestes quesitos. A quantidade de equipamentos também chama a atenção, assim como o número generoso de botões para controlar todos eles. O computador de bordo concentrado em uma tela de alta definição posicionada no centro do painel e o volante com 12 botões para controlá-lo, assim como o sistema de som e o de telefonia, são os destaques deste modelo.

Ao contrário da concorrência, que apostou nos motores de 3 cilindros com duplo comando e 4 válvulas por cilindro, a Fiat optou em manter apenas um comando e duas válvulas por cilindro, visando diminuir o número de peças e consequentemente atrito e peso na busca por eficiência e confiabilidade. Para alcançar o desempenho dos seus adversários, a montadora agregou outras tecnologias ao seu tricilíndrico: sistema de combustão com alto nível de turbulência e posição otimizada das velas que permitiram estabelecer a mais alta taxa de compressão da categoria (13,2:1), variador de fase hidráulico que atua no comando de válvulas otimizando o funcionamento do motor quando ele não é muito exigido pelo condutor (diminuindo ainda mais o consumo), virabrequim descentralizado que permite ângulos variados das bielas nas diferentes fases de funcionamento do motor. O comando é feito por corrente que não exige manutenção por toda a vida útil do motor e os bicos injetores dispensam o uso do tanquinho de gasolina para partidas a frio.

Toda essa tecnologia resultou no maior torque da categoria, 10,4 / 10,9 kgfm aos 3.250 rpm com gasolina e etanol respectivamente. Sua potência é 72 / 77 cv aos 6.250 rpm, também com gasolina e etanol respectivamente.

Durante uma semana rodamos aproximados 450km e comprovamos todos os benefícios que este novo motor conferiu ao Uno. O primeiro contato revela uma contradição: apenas ao dar a partida, o motor trepida mais que os outros três cilindros da concorrência, mas em funcionamento, tanto com o carro parado como circulando, ele é o que menos transfere vibrações para a cabine. O isolamento acústico torna seu interior muito silencioso, principalmente para um modelo deste segmento. Assim como no caçula Mobi, ouve-se mais os pneus e o vento sobre a carroceria que o motor em si. A calibragem das suspensões garante mais conforto que estabilidade, mas a carroceria inclina menos nas curvas que o Palio, por exemplo. A direção também se mostra muito leve em manobras, mas pouco firme em velocidades maiores. Apesar da potência menor que seus concorrentes, o alto torque do motor Firefly garantiu bom desempenho ao Uno, bem acima do proporcionado pelo antigo motor Fire de quatro cilindros. Ainda destoa um pouco o câmbio, pois o curso longo e pouco preciso no engate não combina com o ótimo acerto do motor.

Economia - Mas o grande destaque do Uno é mesmo a economia de combustível e, por possuir um tanque com 48 litros, sua consequente autonomia. Andando de forma muito econômica, sempre com gasolina no tanque, obtivemos médias expressivas na estrada e na cidade. Em trecho de estrada acidentada, subidas e decidas, circulando entre 90 e 110 km/h, atingimos 22 km. Em grandes trechos planos chegamos aos 25 Km/l. Na cidade foi possível atingir até 14 Km/l circulando nas partes mais planas de Belo Horizonte, mas mesmo nas mais acidentadas, conseguimos manter sempre acima de 11 Km/l. Andando normalmente, sem focar em uma baixo consumo, foi possível atingir 16 km/l na estrada e 12Km/l na cidade, circulando por trechos variados.

As vendas do Uno não refletem suas qualidades. No fechamento do mês passado ele emplacou apenas 3.367 unidades, figurando em 18º lugar entre os automóveis, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Apesar das constantes atualizações técnicas, seu nome e design já sentem o peso da idade e isso pode explicar sua atual posição de mercado, mas para quem procura um compacto com muitos equipamentos de conforto e segurança, o Uno ainda é uma ótima opção.

*Colaborador

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