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DC Turismo

11/02/2017

Folia em BH prejudica festas do interior

Crise e ameaça de febre amarela também fizeram com que as prefeituras repensassem sobre o evento
Daniela Maciel
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Estimativa é de que entre 30 mil e 40 mil pessoas se divirtam entre os monumentos históricos de Sabará/Alden Starling
Tradicional e famoso em todo o Brasil, o Carnaval do interior de Minas Gerais passa, este ano, por muitas transformações. Impactadas pela crise econômica que assola o País, por dificuldades logísticas, pelo sucesso da folia em Belo Horizonte e até pela ameaça de febre amarela, muitas cidades tiveram que rever estruturas e algumas até desistiram de promover a festa.

Mariana, na região Central, promete uma festa familiar, marcada pelas marchinhas que embalam o sobe e desce pelas ruas tricentenárias da primeira capital de Minas. A expectativa é de que 15 mil pessoas curtam o Carnaval a cada dia na cidade. A programação inclui roda de samba, apresentação de marchinhas de Carnaval e blocos caricatos nas ruas do município. Os principais pontos da festa serão a Praça Gomes Freire (Jardim), rua Frei Durão e Praça da Tancredo Neves.

De acordo com o secretário de Cultura, Turismo e Patrimônio, José Luís Papa, o diálogo com os artistas e fornecedores locais proporcionou uma economia de 20% no orçamento em relação ao ano passado. Em 2017, o investimento direto da prefeitura de Mariana será de R$ 744 mil. A expectativa é de que a ocupação hoteleira chegue a quase 100%. Mesmo com o Carnaval de Belo Horizonte ameaçando tirar público dos eventos das cidades mais próximas, a expectativa é de que a “primaz” de Minas mantenha as ruas e hotéis lotados.

“Claro que a maior parte dos turistas que recebemos vem da Capital e seria ingênuo pensar que o Carnaval de BH não tem impacto sobre nós. Mas acredito que existe um grande número de pessoas que não abre mão da originalidade da nossa festa. Também estamos prontos para receber o público que ia para cidades que cancelaram o evento. É importante ressaltar que Mariana está pronta, com toda a infraestrutura montada para receber a todos com segurança, organização, limpeza e muita diversão. Com muito trabalho estamos afastando todas as dúvidas sobre as condições da cidade ainda por causa do rompimento da barragem da Samarco, em 2015”, destaca Papa.

Em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a maior preocupação do secretário interino de Cultura, Sérgio Alexandre Silva, é a segurança. A promessa é de que a folia seja voltada para a tradição. 97% dos grupos que se apresentarão são locais e a tônica deve ser as marchinhas e sambas. A estimativa é de que entre 30 mil e 40 mil pessoas se divirtam entre os monumentos históricos da cidade colonial nos quatro dias de festa.

“Assim que a nova administração assumiu, buscamos conversar com todos os envolvidos na realização do Carnaval e percebemos que a grande preocupação era a segurança. Então estamos nos esforçando para aprimorá-la. A oferta de atrações será diversificada e espalhada por pontos da cidade e também nos distritos. Os ensaios já estão acontecendo”, destaca Silva.

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Resgate - Tradição, história e folia também compõem o clima na cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. O investimento de R$ 500 mil, feito pela prefeitura municipal, vai priorizar o resgate da tradição dos blocos. Algumas das bandas mais famosas e que ajudaram a consolidar a festa nas últimas décadas não vão tocar esse ano.

Para o produtor do Carnaval de Diamantina, Eberty Salles, a cidade ousou ao se reinventar e aprender com o ressurgimento da folia em Belo Horizonte. “Diamantina vinha perdendo público desde 2011. Isso tem a ver com a crise e também com o Carnaval da Capital. Quem está trocando Diamantina por BH está justamente atrás de uma originalidade, uma festa de rua sem abadás ou áreas ‘vips’ que era a nossa marca. Por isso voltamos ao passado, valorizando os blocos e artistas locais”, avalia Salles.

Diamantina




Diamantina espera receber entre 20 mil e 30 mil pessoas por dia durante os quatro dias de festa. O berço de Xica da Silva quer promover, segundo o prefeito Juscelino Brasiliano Roque, um evento descentralizado e inclusivo. “Queremos que o público aproveite o Carnaval para conhecer também a história, experimentar a gastronomia, patrimônio e natureza de Diamantina, para querer voltar outras vezes. Estamos investindo menos da metade do ano passado sem abrir mão da qualidade e da valorização da nossa mão de obra. Só entre músicos serão mais de 500 artistas locais se apresentando”, pontua Roque.

Crise - Se alguns já estão no “esquenta”, outros pularam direto para o clima sem graça de fim de festa. Nova Lima, na RMBH, cancelou a folia por falta de dinheiro. Em nota, divulgada no dia 19 de janeiro, no site da prefeitura, está a justificativa. “Nova Lima atravessa uma grave crise econômica e, para sanear essas questões, a prefeitura municipal tem realizado uma série de medidas, como reduzir os gastos com a máquina pública, renegociar com fornecedores e buscar parcerias com os governos estadual e federal. Em consonância com essas ações, após análises financeiras e reuniões com as secretarias envolvidas, a Prefeitura Municipal de Nova Lima decidiu cancelar todas as atividades do Carnaval em 2017”.

Informações disponibilizadas pela assessoria de imprensa da prefeitura dão conta de que o investimento realizado em 2016 para a realização da festa foi de R$ 2 milhões e eram recebidos 30 mil turistas, em média, durante o reinado de momo. Sobre um valor mínimo para a realização do evento, respondeu: “É muito importante a população entender que a prefeitura não tem recursos financeiros nem para a realização de uma estrutura básica, que custa em torno de R$ 400 mil, valor esse que corresponde a um mês de merenda escolar para quase 10 mil alunos. A prefeitura sempre foi a patrocinadora do Carnaval, portanto, os impostos arrecadados com o licenciamento de ambulantes e hotelaria não são suficientes para cobrir uma estrutura mínima”, afirmou a assessoria por meio de nota.

Em Cássia, no Sul de Minas, o motivo alegado foi a ameaça de febre amarela. A proximidade com cidades que tiveram casos comprovados da doença foi apontado como principal motivo para cancelamento na nota divulgada nas redes sociais da prefeitura municipal, ainda em janeiro. “Comunicamos oficialmente que a Prefeitura Municipal de Cássia, após análise e debates internos, por meio de seu prefeito e secretários municipais, cancela o carnaval em Cássia no ano de 2017. Tal decisão embasa-se nas medidas de controle e combate à febre amarela, que vem causando transtornos aos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Cidades da região, como Delfinópolis (Sul de Minas) apresentam suspeitas de casos. Desta forma, todo cuidado é necessário para evitar que a doença atinja nossa cidade”, decretou laconicamente o executivo municipal.

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