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Economia

12/01/2018

Forno de Minas quer cancelar registro de companhia aberta na CVM

Saída da B3 também foi anunciada
Leonardo Francia
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Criada nos anos 90 como empresa familiar, a Forno de Minas se organizou há dois anos para eventual IPO, o que agora é descartado/Divulgação
A Forno de Minas pedirá o cancelamento do seu registro de companhia aberta perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o fechamento do seu capital. A fabricante de alimentos congelados, sediada em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), também sairá da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo). O fechamento do capital acontecerá pouco mais de dois anos após a empresa fazer seu registro de companhia aberta na CVM e começar a se organizar para realizar uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da ordem de R$ 150 milhões.

A Forno de Minas não se pronunciou sobre o assunto, mas, em fato relevante divulgado ao mercado, ontem, a companhia afirmou que a totalidade dos seus acionistas aprovou, em assembleia extraordinária, o cancelamento do registro na CVM, o fechamento do capital da empresa e a retirada de ações de sua emissão da B3, onde estava listada no segmento Bovespa Mais.

A Forno de Minas encaminhou o registro de companhia de capital aberto à CVM em agosto de 2015, o que abriria as portas para a empresa fazer um IPO ou outra operação no mercado de capitais. Normalmente, as empresas partem para a abertura de capital como uma estratégia de captar recursos sem ter que pagar os juros elevados cobrados pelos bancos, além do negócio ganhar visibilidade.

A Forno de Minas chegou a arquitetar uma oferta pública de ações e, inclusive, rumores de mercado davam conta de que a empresa estaria pronta para realizar seu IPO. Na época, uma fonte que preferiu não se identificar, afirmou ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que a operação deveria levantar R$ 150 milhões, teria como operador o Credit Suisse e a opção de busca de recursos de terceiros também poderia contar com a participação de uma linha de R$ 30 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A operação não se confirmou, mas os motivos ainda não foram esclarecidos. De acordo com informações passadas pela Forno de Minas à B3 e à CVM, a empresa teve um prejuízo líquido de R$ 18,5 milhões de janeiro a setembro de 2017 contra um lucro líquido de R$ 19,6 milhões nos mesmos meses de 2016.

Conforme a empresa explicou em relatório de desempenho financeiro, que consta no site da CVM, o prejuízo apurado de janeiro a setembro de 2017 é decorrente do aumento de 17,8% nas despesas com vendas, da alta de 7,3% nas despesas gerais e administrativas e do salto de 1.607% nas despesas operacionais líquidas, na comparação com os mesmos meses de 2016. Este aumento é resultado, especialmente, de uma questão tributária sobre o pão de queijo cru congelado de 2012 a novembro de 2015.

Trajetória - A Forno de Minas foi fundada na década de 1990. A empresa familiar foi pioneira na produção de pão de queijo congelado. Durante nove anos, o negócio cresceu tanto que, em 1999, surgiu a oportunidade de vender a marca para uma gigante internacional: a multinacional Pillburry, que em seguida foi comprada pela General Mills.

A empresa ficou sob o comando da multinacional durante dez anos, até que, em 2009, a família recomprou o negócio. Desde então, a Forno de Minas vinha adotando uma série de ações agressivas como forma de retomar e ampliar cada vez mais seu mercado e ampliar sua participação no segmento.

Prova disso é que, em 2010, a companhia vendeu 30% de seu capital para o fundo de private equity Mercatto Alimentos. Dessa forma, a empresa se transformou em sociedade anônima (S/A) de capital fechado e, em 2013, a Bozano Investimentos comprou a Mercatto e se tornou sócia da Forno de Minas.

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