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Economia

21/04/2017

Furnas investe R$ 32 milhões em usina de resíduos

Unidade de tratamento de lixo sólido urbano, em Boa Esperança, será capaz de gerar 1 megawatt de energia
Leonardo Francia
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Maquete da usina protótipo de Boa Esperança, no Sul de Minas, que deve criar 24 empregos diretos no município/Divulgação
A Furnas Centrais Elétricas vai investir R$ 32 milhões na construção de usina protótipo, capaz de gerar 1 megawatt de energia elétrica a partir do tratamento de resíduos sólidos urbanos, em Boa Esperança, no Sul de Minas. O empreendimento está sendo implantado em parceria com a paulista Carbogás Energia Ltda e deve gerar 24 empregos diretos no município mineiro.

Conforme explicou o gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação de Furnas, Nelson de Araújo dos Santos, a construção da usina em Boa Esperança faz parte da segunda fase de um projeto de pesquisa da empresa. Na primeira etapa, foi construída uma planta piloto em Mauá (SP), que confirmou a viabilidade da tecnologia.

“Iniciamos as pesquisas em 2012, fizemos um planta piloto em escala reduzida e as validações necessárias. Com a construção da usina em Mauá, entendemos como o equipamento funciona e agora partimos para um modelo em escala maior, para constatar como a tecnologia vai se comportar. Somente depois dos resultados da planta em Boa Esperança partiremos para a geração de energia e, se isso acontecer, o empreendimento pode virar um novo negócio para a empresa”, detalhou.

A planta mineira será erguida no entorno do reservatório da Usina de Furnas, em um terreno de 7,8 mil metros quadrados, com conexão com a rede elétrica da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Além disso, o projeto está regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no âmbito do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento.

A usina usará a gaseificação a leito fluidizado, processo inovador, com tecnologia 100% nacional. Basicamente, a planta utiliza um processo termoquímico para produzir gases combustíveis, usados posteriormente em caldeiras e turbinas a vapor para gerar energia elétrica, sem emissões no meio ambiente. Quando entrar em operação, a previsão é de que a plataforma opere em três turnos, com oito funcionários em cada um, mas podem ocorrer alterações.

40 mil habitantes - De acordo com o gerente de Furnas, apesar de a usina ser dimensionada para atender cidades de 40 mil habitantes, nada impede que a iniciativa seja implantada em regiões mais populosas. Nesse caso, podem ser usadas várias usinas em pontos estratégicos, o que reduz os custos de transporte dos resíduos, ou uma única unidade de maior porte.

Estimativas iniciais mostram que até 25% da energia elétrica para a faixa residencial pode ser atendida pela energia produzida com os resíduos sólidos urbanos. Além disso, a tecnologia pode, futuramente, ser solução para a destinação do lixo sólido urbano no País.
Dados do Plano Nacional de Resíduos Sólidos mostram que de 4.469 municípios investigados, 1.856 não fazem nenhum tipo de tratamento e 2.358 depositavam seus resíduos em lixões.

Outra pesquisa, de 2012, do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, revelou que grande parte das 64 milhões de toneladas de lixo urbano coletadas não era tratada adequadamente. Em 2014, o cenário já era outro: 65% dos municípios praticavam coleta seletiva.

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