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11/11/2015

Futuro do agronegócio passa pela universidade

Luciane Lisboa
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O professor da Universidade Federal de Lavras (Ufla, coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (Nintec) e também do Parque Científico e Tecnológico do município (Lavrastec), Luiz Gonzaga de Castro Júnior, também defendeu que o eixo central de discussão sobre o futuro do agronegócio passa necessariamente pela universidade.

"Nós muitas vezes vamos atrás da universidade em busca de soluções, mas para que ela tenha solução para nossos questionamentos é preciso que viva a nossa realidade. O problema sério do Brasil é que aqui existe um delay entre o tempo da universidade e o tempo do mercado. Isso passa por questões culturais, legais e burocráticas", afirmou Castro Júnior.

Na opinião do professor, a universidade é um local de discussão, de conhecimento, lugar para se trabalhar o que se pretende. Nessa linha, ele considera que falta uma inserção maior de entidades como a Faemg, a Fiemg e a Fapemig dentro do campus, discutindo ações na formação do estudante.

"Esse é um problema grave", disse. Isso porque se espera dos universitários soluções considerando que o conhecimento já está pronto lá dentro. Mas quem de nós aqui não passou pela universidade?", questionou.

Castro Neto lembra que não é raro encontrar ex-universitários que dizem que passaram a ser agrônomos depois que foram atuar no mercado. "Aí entramos na questão do estímulo, porque se você estimular o estudante ele responde. Quer dizer, então, que a universidade não está cumprindo seu papel", ressaltou.

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Parcerias - O caminho, na opinião do professor, é buscar parcerias para trabalhar esses gargalos. "Precisamos atuar também junto aos professores. Ouvimos reclamações de muitos docentes universitários de que os alunos estão piorando, mas muitas vezes quem está piorando são eles ou, pelo menos, eles não se encaixam no padrão atual. Então temos que trabalhar os dois lados, para não ficar uma insatisfação mútua."

O professor relatou que na Agência de Inovação da Ufla atua justamente na intercessão entre mercado e os pesquisadores. No caso da cadeia produtiva do café, especificamente, Castro Neto enfatiza que os projetos desenvolvidos dentro da agência contam com a participação dos alunos em todo o processo de construção. "Esse é o diferencial, porque gera no aluno uma satisfação muito grande, já que ele percebe que mesmo como estudante faz parte do mercado", ressaltou.

Dessa forma, o estudante é levado a buscar alternativas, a pensar de forma diferenciada. "Ele passa a ver o mercado de forma diferente.  disso que precisamos. Nós, que somos mais velhos, já vivemos bastante, temos que ter humildade de reconhecer que talvez as soluções que temos para buscar não sejam as melhores e mais efetivas para o problema. Por que não ampliar esse horizonte de pensamento?", questionou.

Para finalizar, o professor lembrou que a universidade brasileira sempre soube fazer muito bem ensino, pesquisa e extensão. "Isso o aluno vive desde o dia em que ele entra, mesmo com todos os problemas que enfrentamos aqui. Mas em termos de inovação, que é pegar aquilo que está sendo pesquisado e colocar no mercado, isso o universitário não conhece. São pouquíssimas instituições de ensino que fazem", completou.


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