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17/03/2017

'Gabriela, cravo e canela', prenda baiana

Rogério Faria Tavares*
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Lembro-me nitidamente de quando conheci Salvador (Foto), há mais de trinta anos. As boas recordações animaram-me a voltar à cidade outras vezes. Na semana passada, pude rever a terra do sol e do mar. Ela continua acolhedora e vibrante. Logo na primeira hora em solo soteropolitano, depois do check in, peço uma moqueca de peixe no restaurante do hotel. O festival de sabores é fascinante. Resisto bem ao tempero forte, ao dendê e às ervas, comprovação da riqueza cultural do Brasil e de sua formação étnica.

Já é noite quando chego à sede da Academia de Letras da Bahia para a celebração do seu centenário. Guiado pelo seu decano, o professor Edivaldo Machado Boaventura, anfitrião perfeito, percorro com reverência o palacete, onde também já funcionou o Museu de Arte do estado. Antiga residência da família de Francisco Marques de Góes Calmon, que governou o estado entre 1924 e 1928, é conhecida, por isso, como o Solar Góes Calmon.

Impressiono-me com o belo jardim que contorna a casa frequentada, ao longo do século, por nomes como Afrânio Peixoto, Zélia Gattai, João Ubaldo Ribeiro e Antonio Torres. Detenho-me em frente ao busto de Jorge Amado, por décadas o escritor brasileiro mais conhecido no exterior e um dos mais lidos do País. Quem nunca ouviu falar de ‘Capitães da Areia’, ‘Tereza Batista Cansada de Guerra’, ‘Tieta do Agreste’ ou de ‘Gabriela, cravo e canela’?

Nas duas versões da novela levada ao ar, Gabriela ganhou corpo na interpretação de Sônia Braga (em 1975) e de Juliana Paes (em 2012), mobilizando o imaginário popular e contribuindo para imortalizar a personagem do livro. Em “Romântico, sedutor e anarquista – como e por que ler Jorge Amado hoje” (Companhia das Letras, 138 páginas), Ana Maria Machado escreve que “Gabriela, cravo e canela”, publicado em 1958, é considerado marco inicial de uma nova fase na obra de seu autor: ‘com ela, as mulheres passarão ao primeiro plano na ficção de Jorge Amado’. Sobre a personagem, sublinha: ‘Nesse quadro é que se insere Gabriela, livre, alegre, sensual, atraente, sedutora por natureza (...). É jovem e linda, cozinha divinamente, gosta de andar descalça, de dançar, rir e brincar’.

Pai de Gabriela, agora com cinco meses, recorro ao significado de seu nome: variante de Gabriel, que vem do hebraico, quer dizer ‘mulher de Deus’, ‘mulher forte de Deus’ ou ‘fortaleza de Deus’. Nada mais apropriado ao bebê que chegou em outubro, em plena saúde, depois de quarenta e uma semanas de gestação, para abençoar a casa em que já morava o seu irmão Carlos. Enquanto escrevo essas linhas, ele brinca com bonecos e carrinhos. Gabriela está ao meu lado, em seu berço, fitando-me com seus olhos grandes e interessados, falando e cantando em sua língua, conectando-me ao sagrado, ao mistério profundo da vida. Aproveito cada minuto ao seu lado. A alegria de vê-la crescer não tem preço.

*Jornalista. Da Academia Mineira de Letras

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