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Política

20/10/2017

Geddel lidera "organização criminosa"

FP
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Brasília - A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou em manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) “fez muito em pouco tempo” e o apontou como “líder de organização criminosa”. A frase de Dodge sobre a atuação do peemedebista faz referência às suspeitas que lhe são imputadas, de embaraço a investigações e de ocultação de R$ 51 milhões.

A manifestação da procuradora-geral se dá no bojo de um pedido de liberdade da defesa do ex-ministro. Ela rejeita os argumentos dos advogados e pede a manutenção da prisão. O documento é do dia 16 de outubro.

“Em um primeiro momento, Geddel violou a ordem pública e pôs em risco a aplicação da lei ao embaraçar investigação de crimes praticados por organização criminosa. Num segundo momento, passados nem dois meses do primeiro, reiterou a prática ao ocultar mais de R$ 50 milhões de origem criminosa. Fez muito em pouco tempo”, disse.

Geddel foi preso pela segunda vez no dia 8 de setembro na operação Tesouro Perdido, quando cumpria prisão domiciliar. A Polícia Federal encontrou um bunker com malas e caixas de dinheiro -somados R$ 51 milhões- e identificou ao menos três digitais do político.

Segundo Dodge, o valor “monumental” descoberto no apartamento é apenas “uma fração de um todo ainda maior e de paradeiro ainda desconhecido”. “Mesmo em crimes de colarinho branco, são cabíveis medidas cautelares penais com a finalidade de acautelar o meio social, notadamente porque a posição assumida por Geddel parece ter sido a de líder da organização criminosa”, escreveu.

“A elevada influência desta organização criminosa evidencia-se, aos olhos da nação, em seu poder financeiro: ocultou cinquenta e dois milhões de reais em um apartamento de terceiro, sem qualquer aparato de segurança, em malas que facilitaram seu transporte dissimulado”.
Na manifestação, Dodge fez referência às investigações da Cui Bono, que tem como tema desvios e fraudes na Caixa Econômica, banco que Geddel foi vice-presidente durante os anos de 2011 e 2013, sustentando que a liberdade do ex-ministro pode atrapalhar o andamento da apuração.

“Realço que é investigada uma poderosa organização criminosa que teria se infiltrado nos altos escalões da Administração Pública, e que seria integrada, segundo indícios já coligidos, por um ex-ministro de Estado e o ex-presidente da Câmara dos Deputados”, diz a procuradora.

“Deve ser lembrado a este juízo, que se usufruir de prisão domiciliar, Geddel poderá manter contatos, receber visitas, dar ordens e orientações que podem frustrar os objetivos das medidas cautelares nesta investigação. Como referido acima, ele deu provas materiais de que atuará de toda forma para que esta persecução criminal não tenha o mesmo êxito que teria se estivesse preso”, avalia Dodge.

Prisão domiciliar - O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Gustavo Ferraz, aliado de Geddel, cumpra prisão domiciliar. Ele está em prisão preventiva desde o dia 8 de setembro.

Ele foi alvo da Operação Tesouro Perdido, que descobriu um “bunker” de R$ 51 milhões em um apartamento em Salvador. A fortuna é atribuída a Geddel.

Gustavo Ferraz também vai ter que cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e pagar fiança.

Em plásticos que envolviam as notas, a Polícia Federal encontrou fragmentos das digitais de Ferraz e do ex-ministro. O aliado admitiu à PF ter ido buscar um dinheiro a pedido de Geddel e disse que estava disposto a colaborar com as investigações.

Na última segunda,-feira o deputado Lucio Vieira Lima, irmão de Geddel, foi alvo da PF também por causa da Tesouro Perdido.

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