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Minas 2032

07/10/2015

Gestão e execução de projetos são deficientes

Leonardo Francia
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O presidente do Conselho de Infraestrutura da Fiemg, Alberto Salum, levantou ainda outros problemas inerentes ao gargalo estrutural do País: a má qualidade dos projetos de obras estruturantes e a má condução das concessões no que diz respeito ao equilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

"O investimento brasileiro já é baixo e temos outros gargalos. Há deficiências na gestão e execução de projetos de infraestrutura. Tem que ter um banco de projetos no País. Tem que ter qualidade e estar disponível, independente do dinheiro que será investido naquele momento, porque na hora que tiver recursos o aporte será feito pela iniciativa privada ou pelo poder público. Dinheiro pode ser buscado, mas para buscar o projeto já deve estar pronto", afirmou.

Na análise de Salum, a origem dos atrasos das obras, que elevam seus custos, está na má qualidade de projetos. "O governante consegue uma verba, precisa fazer a obra e rapidamente coloca em ação. Isso futuramente gerará algum tipo de aditivo ou problema porque a obra não está consistente. Normalmente trabalha-se no Brasil com uma qualidade inferior de projetos", lamentou.

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Equilíbrio - Outro gargalo citado pelo vice-presidente da Fiemg foi a má condução dos processos de concessão, especialmente na negociação do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. "Muitos me perguntam por que algumas concessões não deram certo. Porque estavam mal formuladas. E, se for mal formatada, ela pode dar Àvazio" ou se alguém ganha não entrega o produto final. A concessão tem que estar muito equilibrada, tem que ter o dinheiro do investimento disponível, financiadores e taxa de retorno razoável. Isso é outra coisa em que o Brasil peca", disse.

Para Salum, a sociedade precisa entender que qualquer tipo de empresa tem que ter retorno. "No Brasil, quando uma empresa tem lucro é mal vista em muitos casos. Se você chega nos Estados unidos, essa mesma empresa vai para a capa de revistas como um case de sucesso. Isso tem que acabar por aqui", destacou.

Segundo o industrial, nenhum empresário vai investir hoje no Brasil com os riscos que o País oferece para depois ficar sendo julgado como um problema para a sociedade. "O investidor tem que ser remunerado e temos que parar de achar que isso é um problema. Isso não é um problema.  uma solução. Quanto mais a iniciativa privada tiver condição de trabalho, menos o governo terá que colocar dinheiro. E quanto mais estrutura de boa qualidade a iniciativa privada puder colocar, mais qualidade o usuário terá, completou.

Questões legais não podem travar andamento de obras

Salum também lembrou dos problemas ligados à legislação. "Hoje, em Minas, tem uma questão ligada às licenças ambientais, que é um problema sério porque todo fiscal que for interpretar a lei tem motivos para parar o projeto. A questão legal está tão explicada que você não consegue andar e não há bom senso", detalhou. Porém, para ele, isso não acontece somente em relação ao meio ambiente. "Nos Tribunais de Contas também. Não sou contra eles, eles têm que existir e têm seu papel, mas não podem se envolver num processo a ponto de paralisá-lo, sem que isso seja julgado", acrescentou.

Para Salum, o setor público deve alcançar um equilíbrio fiscal que viabilize a redução dos gastos correntes e promova a ampliação da sua capacidade de investimento. "Não adianta continuar cortando os orçamentos em cima do investimento. Se por um lado aumentam os impostos com falta de investimentos, você vai ter perda de qualidade de arrecadação na outra ponta, porque quem paga os impostos são os empreendedores", argumentou.

O empresário foi enfático ao afirmar que "na medida que a economia nacional não gira, haverá problemas de desemprego, e aí começa a ter inadimplência. O grande empregador do País tem que ser a iniciativa privada, e não o governo". Ele afirmou ainda que o que a Fiemg a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendem para avançar nessa agenda é a melhora da qualidade das licitações.

Tripé - "Hoje no País estamos trabalhando com o menor preço e o governante fica refém disso. Muitas vezes, cai-se num tripé difícil de sair: o governante tem que aceitar o menor preço, a empresa dá um desconto que é inexeqüível e a outra empresa que tinha condição e saúde financeira não ganhou o processo e pode complicar suas contas", explicou.

Conforme o industrial, em alguns certames os descontos de preço chegam a 20%, 30% em obras que não podiam ter 2%. "Isso acontece porque as empresas têm problemas financeiros e querem rodar, mas haverá gargalo lá na frente. O governante vai ficar sem a obra, a empresa quebra e a outra que poderia fazer com qualidade melhor passa a não ter aquele projeto dentro do seu escopo. Essa combinação é fatal, principalmente para o governante, porque uma obra inacabada para ele custa muito mais caro", disse.

Salum considera que as concessões podem ser uma solução para o gargalo estrutural do País. "Não sou contra elas, acho que com a defasagem que temos de infraestrutura elas são o caminho, mas não podemos nos esquecer que chegamos a essa situação por falta de investimentos no passado e que isso onera a população. Em relação às concessões, torço para que deem certo, mas atualmente existem muitas incertezas e muita empresa com saúde debilitada para tal. Devido à fragilidade das empresas hoje, isso pode comprometer o sucesso das concessões", avaliou.



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