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13/07/2018

Grupos aportam US$ 124 mi na brasileira Movile

Reuters
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São Paulo - A companhia brasileira de serviços para tecnologia móvel Movile recebeu aporte de US$ 124 milhões, o maior investimento já realizado na empresa criada há oito anos e cujo principal negócio é o aplicativo de pedido de entrega de comida, iFood.

A rodada, primária e secundária, foi feita pelo grupo sul-africano de investimentos em internet Naspers e pelo fundo brasileiro Innova Capital, que tem entre os investidores o financista Jorge Paulo Lemann.

Os recursos serão canalizados no iFood e também nos negócios de venda de ingressos Sympla e de transações financeiras Zoop, afirmou o presidente-executivo da Movile, Fabricio Bloisi. A companhia já captou US$ 375 milhões nos últimos oito anos, dos quais cerca de US$ 270 milhões nos últimos 12 meses.

Bloisi não revela números de faturamento de toda a Movile, mas cita planos ambiciosos para a empresa, que pretende ter um valor de mercado de cerca de US$ 10 bilhões nos próximos anos. Ele diz que tem se inspirado em grupos chineses como a Meituan Dianping, que pretende levantar US$ 4 bilhões em IPO previsto para outubro.

“Estamos confiantes como nunca no Brasil, apesar das incertezas recentes, e captar US$ 124 milhões é uma resposta para isso....O mercado de internet do nosso tamanho permite à indústria crescer muito, mas é um mercado hoje em dia subinvestido”, disse Bloisi ao ser questionado se as incertezas sobre as eleições de outubro e criadas pela greve dos caminhoneiros atrapalharam a rodada de investimento.

“Nossa perspectiva de longo prazo é extremamente positiva...Existe uma tendência transformadora guiada pela internet móvel e que vai transferir dezenas de bilhões de valor para novos negócios. Se não investirmos agora, vamos perder espaço para outras empresas de fora (do Brasil)”, disse o presidente da Movile.

Ele não citou, mas o interesse chinês por empresas de tecnologia no Brasil já se manifestou no início deste ano, quando o aplicativo de transporte urbano 99 teve seu controle comprado pela Didi Chuxing.

“Não queremos ser uma empresa de US$ 1 bilhão, queremos ser uma empresa de US$ 10 bilhões, vamos captar mais recursos para podermos investir mais em crescimento”, disse Bloisi. “Nosso mercado poderia ser 10 vezes maior. Tem espaço para o Brasil ter cinco empresas de US$ 10 bilhões. Estamos pensando como chineses.”

Como parte deste “pensamento chinês”, o executivo citou que a Movile quer ampliar a rede logística do iFood e reforçar o aplicativo com os serviços de meio de pagamento fornecidos pela Zoop, que foi alvo de aporte de US$ 18 milhões da Movile em meados de março e que deverá ser responsável por 90% das transações a serem feitas no iFood nos próximos meses.

Ampliação - Bloisi afirmou que parte dos recursos do novo aporte de US$ 124 milhões será usada para elevar no curto prazo o número de motoboys que prestam serviços para o iFood em seis vezes ante os 5 mil atuais. Hoje o aplicativo oferece entrega de comida em 398 cidades do Brasil e segundo Bloisi ainda há espaço para ampliar esse número. “O iFood ainda vai crescer 100% ao ano por alguns anos”, disse o executivo. Ele acrescentou que em março o número de pedidos de comida feitos no aplicativo somou 8,2 milhões ante 24 mil quando a Movile investiu na empresa há quatro anos.

A lógica da Movile é incentivar o sistema de ecossistema de negócios, assim como fazem grupos chineses e empresas latino-americanas como o Mercado Livre, em que os negócios de uma empresa incentivam outras companhias do mesmo grupo. Segundo Bloisi, isso ajuda também a reduzir custos e a dar mais eficiência aos investimentos. “A Zoop, ao entrar em nosso ecossistema, aumentou as transações realizadas em 10 vezes no último trimestre.” Já o aumento da rede de motoboys também ajudará na entrega dos ingressos vendidos pela Sympla, comentou o executivo.

Supermercados - Porém, sobre o aplicativo colombiano de entrega de compras de supermercado, Mercadoni, alvo de um aporte da Movile em dezembro passado, Bloisi fez mistério sobre quando um eventual desembarque poderia acontecer no Brasil. O segmento alvo do aplicativo está recebendo investimentos de grandes grupos tradicionais de varejo do País, que incluem o GPA. “Estamos focando agora em iFood, ingressos e Zoop”, disse o presidente da Movile.

A Movile afirma ter hoje mais de 150 milhões de usuários dos serviços de suas empresas, que incluem a plataforma de educação infantil PlayKids. A companhia atualmente tem cerca de 1.600 funcionários espalhados por sete países e está contratando mais 600 trabalhadores para áreas de programação nos próximos meses. Segundo Bloisi, uma eventual decisão sobre uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Movile “vai ser tomada ao longo dos anos. A empresa já poderia ser pública hoje”. (Reuters)

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