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Finanças

06/02/2018

Ibovespa cai 2,59% puxado pelo exterior

Noticiário internacional afetou também o câmbio e a moeda norte-americana valorizou 1,05% na sessão
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B3 acompanhou as quedas sucessivas registradas em Wall Street, porém em menor ritmo/Divulgação
São Paulo - O Ibovespa acompanhou a queda de seus pares em Nova York, porém, em ritmo um pouco mais contido. Segundo analistas, a correção é menos acentuada dos ganhos que acumulou no primeiro mês de 2018 porque ainda há motivos que dão sustentação às perspectivas mais otimistas na cena doméstica, muito embora assuntos como a reforma da Previdência estejam parcialmente precificados.

Perto do fechamento da sessão, o índice à vista da bolsa brasileira acompanhou uma sequência forte de mínimas em Wall Street e perdeu, inclusive, o patamar dos 82 mil pontos. O índice fechou ontem em baixa de 2,59%, aos 81 861,08 mil pontos, na mínima do dia. Ainda assim, neste ano, o Ibovespa acumula ganhos de 7,15%.

?Vamos acompanhar a tendência das bolsas americanas, em baixa ou alta, mas a magnitude vai ser diferente?, disse Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial. Segundo ele, o mercado acionário dos Estados Unidos passa por um processo de desalavancagem e isso acaba contaminando globalmente.

Para o Brasil, no entanto, ele diz que esse efeito é menor uma vez que o Ibovespa não acompanhou todo o ciclo de alta do mercado americano e, também agora, não deve seguir em todo o ajuste.

Fabricio Stagliano, analista-chefe da Walpires Corretora, complementa afirmando que o recuo é limitado também pela expectativa sobre a cena doméstica, que ainda é positiva e diante da safra de bons resultados nos balanços que estão sendo divulgados.

Para os dois analistas, a cena doméstica contou pouco nesta segunda. Com a agenda vazia de notícias mais relevantes, as declarações de integrantes do governo e de políticos em torno do andamento da reforma da Previdência foram monitorados.

?Ainda estamos diante das mesmas notícias e essa falta de novidade corrobora para um cenário negativo?, ressaltou Figueredo, que acredita que o tema ganhe fôlego e impacto no mercado após o Carnaval - para quando foi marcada a discussão na Câmara da proposta.

As blue chips, preferidas dos estrangeiros, sofreram na sessão de ontem. As ações ON e PN da Petrobras foram impactadas pela forte queda das cotações do petróleo no mercado futuro e encerraram em baixa de 4,50% e 4,66%, respectivamente. No setor financeiro, os recuos mais fortes foram notados nas units do Santander (4,07%), Itaú Unibanco PN (3,51%) e Banco do Brasil (2,98%).

Dólar - A combinação entre o cenário externo desfavorável para países emergentes e o ceticismo com a reforma da Previdência no Brasil levou o dólar a operar em alta durante toda a sessão de negócios.

A divisa norte-americana já iniciou o dia com pressão de compra e renovou sucessivas máximas ao longo do dia, até os minutos finais de negociação. No mercado à vista, o dólar terminou o dia cotado a R$ 3,2503, com alta de 1,05% ante o real. No futuro, a moeda subiu 1,36% no contrato de março, aos R$ 3,2715, pressionado pela forte deterioração dos mercados norte-americanos no final do dia.

As adversidades do cenário internacional formaram um pano de fundo negativo durante todo a sessão, com aumento importante da volatilidade nos mercados globais. O movimento de aversão ao risco, que atingiu principalmente as moedas de países emergentes, veio ainda na esteira dos números fortes do mercado de trabalho norte-americano e das especulações sobre a possibilidade de o Federal Reserve aumentar para quatro o número de elevações dos juros nos Estados Unidos este ano.

Mas a alta do dólar ante o real foi além das demais divisas emergentes, uma vez que contou com a reforma da Previdência como o componente extra de preocupação. ?Pesou a constatação de que, passado o recesso e com toda a campanha que foi feita em favor da reforma, o governo continua precisando dos mesmos 40 votos que necessitava no final de 2017?, disse Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora. ?A percepção é de que, se a proposta não for votada agora, caberá ao próximo presidente procurar alternativas para tapar o buraco, o que pode incluir medidas impopulares, como aumento de impostos?, afirmou.

Taxas de juros - A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerrou em 6,820%, ante 6,830% no ajuste anterior, a taxa do DI para janeiro de 2020 oscilou de 8,08% para 8,09%. O DI para janeiro de 2021 encerrou com taxa em 8,94%, de 8,92% no ajuste de sexta-feira, e a taxa do DI para janeiro de 2023 avançou de 9,60% para 9,66%.

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