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DC RH

12/01/2017

Igualdade de gênero se torna tema recorrente no mundo corporativo

Pesquisa mostra esforço para mitigar a desigualdade
Daniela Maciel
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Flávia Alencastro aponta que as políticas de RH estão fortalecidas dentro das empresas/Alisson J. Silva
Combater práticas preconceituosas e discriminatórias é um dos papéis das empresas no século 21. Nesse sentido, uma das bandeiras com maior visibilidade nos últimos tempos é a igualdade de gênero. Fruto de uma cultura machista, o tratamento inferior dado às mulheres no campo corporativo tem uma face extremamente visível na diferença salarial entre os gêneros quando desempenham a mesma função.

No Brasil e no mundo existe um esforço para a mitigação do problema, comandado especialmente pelos setores de recursos humanos (RH), com a implementação de políticas internas de controle e diminuição desse gap. Pesquisa global conduzida pela Robert Half, em 2016, com 1.675 gestores de 12 países, sendo 100 do Brasil, mostra uma grande preocupação com o tema. As principais ações em andamento para a redução do gap salarial entre homens e mulheres, segundo diretores de RH são: implementar transparência salarial, com 44% no Brasil e 31% no global. Discussão aberta sobre salários, aumentos e bônus, com 40% no Brasil e 18% no total. Monitorar promoções e salários, com 32% e 23%, respectivamente. Condução de auditoria de salários, com 28% no País e 25% no mundo. Eliminação de negociações salariais ao iniciar um emprego, com 23% e 19% respectivamente. E sistema de aumento fixo ligado às promoções, com 17% o Brasil e 16% no mundo.

Quando o resultado é comparado com as iniciativas que ainda deveriam ser adotadas, apenas no terceiro item há diferença. Em vez de monitorar promoções e aumentos salariais, os diretores de RH sugerem a condução de auditorias salariais.

De acordo com a gerente de divisão da Robert Half, Flávia Alencastro, o gap salarial é apenas a “cereja do bolo” em um contexto marcado pelas diferenças e pelo preconceito. De outro lado, a adoção dessas medidas revela uma preocupação crescente com a questão e um futuro ainda cheio de desafios, mas bastante promissor.

“Vejo as políticas de recursos humanos fortalecidas dentro das empresas e isso é um grande passo. Na minha experiência nunca tive uma empresa que fizesse distinção de gênero ao começar um processo seletivo, porém sabemos que quando menos profissionalizado é um determinado setor, mais situações discriminatórias são passíveis de acontecer”, explica Flávia Alencastro.

Liderança - Outro levantamento da Robert Half – o “Mulheres e o Mundo Corporativo”, realizado com 300 executivas, no início do ano passado, aponta que menos de 5% das posições de liderança são ocupadas por mulheres. O estudo ainda indica que 66% já sofreram discriminação no trabalho, 60% já ouviram comentários preconceituosos e 47% já tiveram suas habilidades questionadas em momentos de crise.

Das profissionais que responderam o questionário on-line, 87% afirmam que suas companhias não têm programa de desenvolvimento de liderança para mulheres e 83% acreditam que as empresas não preparam os homens para lidarem com as mulheres no ambiente de trabalho.

A globalização e os meios digitais, que tornaram a concorrência e a comunicação realmente planetárias, apontam o caminho para um ambiente de negócios mais amigável para as mulheres. Discriminação e machismo costumam ser péssimos para a reputação das marcas, independentemente do setor em que atuam. A ferramenta mais eficiente para atacar esse problema dentro das companhias é treinamento.

“O ser humano não deve aceitar ser tratado com base no preconceito. As empresas têm buscado, cada vez mais, o compliance, práticas e políticas que sejam respeitáveis. Elas devem criar canais de denúncia eficientes, que protejam quem denuncia e agir efetivamente sobre o problema. As empresas já entenderam que o bem-estar do profissional é determinante para a produção e para a boa imagem diante do público”, completa a gerente de divisão da Robert Half.

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