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Agronegócio

17/02/2017

Importação de café gera embate entre os produtores e a indústria

Diante da autorização, pelo Conselho Executivo da Camex , a estratégia será recorrer a Michel Temer
Michelle Valverde
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A importação pode afetar a rentabilidade do setor/Cleverson Beje/Faep/Divulgação
Enquanto a indústria brasileira do café comemora a possibilidade de compra no mercado externo, com estabelecimento da cota de 1 milhão de sacas de 60 quilos e a redução do imposto para a importação do conilon de 10% para 2%, o setor produtivo segue apreensivo e vai recorrer ao presidente da República, Michel Temer, para tentar impedir a liberação. A decisão quanto à possibilidade de o País importar o grão deve ser anunciada nas próximas semanas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Na última quarta-feira, o Comitê Executivo de Gestão do órgão aprovou a importação.

O pedido de autorização de compra do grão no mercado externo foi feito pela indústria do café torrado, moído e solúvel ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em decorrência da baixa oferta do café no mercado interno. A seca prolongada comprometeu a produção do conilon no Espírito Santo e na falta do produto, as indústrias têm recorrido ao café arábica para manter a produção. Porém, os custos com a aquisição do grão são mais elevados.

Já o setor produtivo alega que a oferta de café é suficiente para garantir o abastecimento e que a importação, caso autorizada, prejudicará a formação dos preços pagos aos cafeicultores e deixará a produção vulnerável às novas pragas e doenças. Além disso, a autorização abrirá precedentes para que em outros períodos de menor oferta e preços elevados novas remessas de café sejam autorizadas e ingressem no País. A insegurança tende a afetar a intenção de investimentos por parte dos cafeicultores.

Autorização - O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão vinculado à Camex, autorizou, na última quarta-feira, a importação de café conilon entre fevereiro e maio. O volume aprovado é de 1 milhão de sacas de 60 quilos, sendo limitada a 250 mil sacas por mês. A taxa de importação para este volume foi reduzida de 10% para 2% no período. A decisão precisa ser validade pela Camex, o que pode acontecer nas próximas semanas. O volume que for importado após maio e ultrapassar o total de 1 milhão de sacas autorizado será taxado em 35%. Antes, o imposto cobrado era de 10%.

O próximo passo é a publicação das medidas de mitigação de risco fitossanitário do café importando do Vietnã, resultado da Análise de Risco de Pragas (ARP) elaborada pelo Mapa.

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Indústria - O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, acredita que a Camex aprovará a importação. A aquisição do café é considerada fundamental para que a indústria, principalmente do solúvel, continue produzindo e atendendo a demanda externa e evitando a perda do mercado para outros países.

“A cota estabelecida é limitada e pequena para atender a demanda da indústria, que utiliza cerca de 1 milhão de sacas por mês. O volume autorizado não é representativo e não prejudicará o produtor de café. Fora da cota estabelecida, a importação é inviável porque a alíquota de 35% eleva muito o custo. Caso aprovada, a importação vai resolver parte do problema da indústria, com o café chegando no pico da entressafra, momento mais crítico já que convivemos com a falta de estoques e a oferta de café fica mais restrita”, explicou Herszkowicz.

Setor produtivo - O setor produtivo do café é contra a importação do grão e afirma que o levantamento dos estoques utilizado pelo Mapa para justificar a importação não é compatível com a realidade.

Outro ponto questionado é o período em que as importações irão acontecer. De acordo com o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, o café só chegará ao País em meados de abril, período de colheita da safra de café, o que provocará recuo nos valores pagos aos produtores. Para impedir a aprovação, o setor irá recorrer ao presidente da República, Michel Temer.

“A solução agora é muito mais política do que técnica. Tecnicamente o Mapa já levou ao conhecimento da Camex que é preciso importar o café, o que nós não concordamos de jeito nenhum. A estratégia do setor produtivo será recorrer ao presidente Temer, que é a única pessoa, hoje, que pode interferir para que essa loucura não seja cometida. A impressão que nos dá é que nós não estamos no Mapa e, sim, no Ministério da Indústria e do Comércio, porque o foco do Mapa passou a ser a indústria em detrimento dos produtores. É assustador”, explicou Mesquita.

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