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Agronegócio

12/06/2018

Indústria prevê alta dos preços de lácteos

Principais causas são a entressafra do leite e perdas de R$ 300 mi no Estado com a paralisação dos transportes
Michelle Valverde
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Na indústria as perdas chegaram a R$ 300 mi/Divulgação
A paralisação dos caminhoneiros causou prejuízos em diversos segmentos do agronegócio de Minas Gerais e um dos mais atingidos foi o setor lácteo. Sem ter como escoar a produção, o que tornou obrigatório o descarte do leite, o prejuízo inicial calculado no campo é de R$ 130 milhões somente com as perdas da matéria-prima. Já a indústria láctea, que suspendeu as atividades de processamento e as entregas para o varejo, deixou de faturar cerca de R$ 300 milhões nos 11 dias da paralisação. As perdas já estão causando aumento de preços em toda a cadeia.

Segundo o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Costa Moreira, os prejuízos tanto no campo como na indústria já impactam no mercado final, com menor oferta de produtos lácteos e preços mais elevados.

“A indústria de laticínios está recompondo os estoques do varejo. Durante a greve dos caminhoneiros, o esvaziamento foi significativo. Achamos que nesta semana a reestruturação da venda no varejo estará concluída. Com os dias parados e os prejuízos, o reajuste de preços em toda a cadeia é praticamente automático, mas o índice ainda não foi definido. Já tínhamos motivo para a alta de preços pela entrada de entressafra. E com o descarte de 80% da produção, a oferta de leite foi muito reduzida”, explicou.

Moreira explica que ao longo dos 11 dias de paralisação dos caminhoneiros, cerca de 80% da produção mineira de leite que é entregue às indústrias foi descartada no campo por falta de transporte. O percentual corresponde a 100 milhões de litros, o que gerou um prejuízo inicial entre R$ 120 e R$ 130 milhões apenas na produção primária.

Além do descarte de grandes volumes da produção, a falta de transporte também impactou de forma negativa na alimentação do rebanho. Com menor volume de concentrado disponibilizado para alimentar as vacas, a produtividade dos animais foi reduzida e a produção levará um período maior para se recuperar.

“Neste período, que já é de entressafra, a oferta de leite foi ainda mais reduzida. Os pecuaristas que não tinham estoques de ração nas fazendas ofereceram uma dieta empobrecida para o rebanho e estes animais demandarão maior tempo para recuperar a produtividade. É um impacto muito grande”.

Já a indústria, com a falta de caminhões para receber o leite e fazer entregas, deixou de faturar R$ 300 milhões. O impacto será sentido no fluxo de caixa, já que no período de paralisação, a comercialização e recebimento também foram comprometidos.

Reajustes - Até o momento, as empresas do setor estão trabalhando para atender aos pedidos feitos antes da greve. Os novos negócios, em função dos elevados prejuízos, tendem a ficar mais caros, mas o reajuste dependerá da reação do varejo e do consumidor final.

“O reajuste dos preços vai atingir toda a cadeia. A indústria vai pagar mais pelo leite captado e terá que repassar para o varejo. O consumidor está pagando a conta da greve. Neste primeiro momento, as empresas estão negociando com o produtor de leite e teremos uma definição para a alta mais no fim do mês. A elevação estará vinculada ao desempenho do mercado varejista e consumidor. Certamente vai subir ainda sem percentual definido, mas depende do comportamento mercado”, explicou.

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