13/12/2016 - Infraero quer retomar voos de grande porte na Pampulha em 2017

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) planeja retomar as operações de voos de grande porte no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, no ano que vem. Perto de concluir a obra de implantação da sinalização vertical e horizontal no local, prevista para ser entregue no próximo dia 23, a administradora do aeródromo afirma que este é o último requisito pendente para que os aviões com mais de 100 assentos voltem a operar. A intervenção estrutural é exigência da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para liberar voos comerciais desse tipo no aeroporto. A utilização do aeródromo, que em 2004 chegou a contabilizar cerca de 3,2 milhões de embarques e desembarques, foi tema de audiência pública realizada ontem pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Hoje, o baixo volume de operações no local, motivado pela crise econômica e pela perda do interesse de seu uso, faz com que o aeroporto, que já foi o principal da Capital, esteja às moscas. Em 2015, foram 712 mil embarques e desembarques, número 4,5 vezes menor, comparado ao de 11 anos antes. O aeroporto encerrou o ano passado com déficit de R$ 21,9 milhões, rombo que só vem crescendo a cada ano. Para 2016, a estimativa da Infraero é de um saldo negativo de mais de R$ 30 milhões. Em cinco anos, contados a partir de 2011, a empresa pública espera contabilizar prejuízo de R$ 76 milhões. A retomada das operações das aeronaves de grande porte, no entanto, é a aposta da Infraero para reverter a situação. De acordo com o superintendente de gestão operacional da entidade, Marçal Goulart, a medida pode levar o terminal a fechar no azul já no ano que vem, se aprovada. “Nosso planejamento traz para 2017 um superávit de aproximadamente R$ 4 milhões”, destaca o superintendente da Infraero. A liberação dos voos, porém, ainda não têm prazo certo para ocorrer. Para isso, será necessária uma portaria da Anac regulamentando a atividade. “Não há mais nenhuma pendência por parte da Infraero. Agora é só aguardar a homologação da Anac para operar”, completa o superintendente dos aeroportos do grupo B da Infraero, Antônio Erivaldo Sales. Segundo Goulart, após a conclusão da obra, o aeroporto estará completamente apto a oferecer voos comerciais de grande porte. “Mas, dentro de um limite operacional estabelecido por processadores. Temos condições de operar no máximo três aeronaves de grande porte por hora, de forma organizada e simetricamente distribuída nesse horário. Então, para essa condição, alguns ajustes já foram feitos, recursos foram investidos e a infraestrutura encontra-se totalmente adequada para a operação”, garante. Leia também Aéreas cobram por bagagem a partir de março Interesse - Companhias aéreas como Gol, Latam e Avianca já demonstraram interesse em atuar no terminal. Sales revela que as empresas teriam encaminhado documentos à Infraero pleiteando a operação no aeroporto da Pampulha. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Vitória estariam entre os destinos dos novos voos. O deputado estadual Agostinho Patrus Filho (PV), responsável por convocar a audiência, afirma que a maior utilização do terminal é fundamental para fomentar o comércio de negócios em Belo Horizonte, bem como os serviços de bar, restaurantes e hotéis na região. Sobre os questionamentos em relação ao prejuízo aos moradores locais com a volta das aeronaves maiores, o político cita como exemplo os aeroportos de Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). “A Infraero propõe um horário limite para os voos, nos moldes de como funciona o aeroporto de Congonhas, para que não traga também transtornos aos moradores da região da Pampulha. Mas que o terminal possa servir de um hub que integra os voos nacionais com os voos regionais. Minas perdeu muitos voos regionais ao transferir os voos para Confins. E é importante que o aeroporto da Pampulha volte a cumprir esse papel”, pondera Patrus Filho. Os argumentos, no entanto, não são suficientes para convencer a comunidade vizinha ao aeroporto. Na audiência de ontem, alguns poucos moradores da região, que integram o movimento “Mais voos aqui não”, afirmaram terem sido pegos de surpresa com a possibilidade. Eles cobraram mais atenção dos órgãos públicos ao meio ambiente e aos impactos que podem ser gerados com a volta dos voos, principalmente os referentes à poluição sonora. Em outra ponta, Paulo César Rangel, diretor-presidente da BH Airport, concessionária do Aeroporto Internacional de Confins, disse não ser possível comparar a situação da Capital com as de Rio e São Paulo no que tange à coexistência de dois aeroportos. Ele citou que estudos de instituições mundo afora mostram que em locais com fluxo de menos de 15 milhões de passageiros, inevitavelmente, um dos aeródromos é canibalizado. “Antes, é preciso fortalecer o movimento de passageiros na região”, afirmou. Vale lembrar que no último dia 6 a BH Airport inaugurou o Terminal 2 do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (RMBH). As obras para a construção do local, entre outras melhorias, foram resultado de investimento de nada mais, nada menos do que R$ 880 milhões.