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11/07/2013

Iniciativa pública revê modelos de gestão

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Empresas privadas são parâmetro .

GIL LEONARDI
Para Barrence, foi preciso reavaliar todo o formato de operação do Estado
Para Barrence, foi preciso reavaliar todo o formato de operação do Estado

Historicamente acusada de morosa e ineficiente, a administração pública tem, aos poucos, adotado práticas inspiradas na iniciativa privada e também valorizado os modernos conceitos de recursos humanos (RH).

Segundo o professor e mestre em gestão de pessoas da Faculdade IBS/Fundação Getulio Vargas (FGV), Alexandre Rolim, o principal atrativo das carreiras públicas sempre foi a estabilidade, mas esse quadro vem mudando rapidamente nos últimos anos. "Estamos vivendo uma situação rara no Brasil: a escassez de mão de obra que fez com que a iniciativa privada oferecesse melhores salários e outras vantagens. Isso aliado ao surgimento da geração Y, menos apegada à estabilidade, fez com que o setor público sofresse uma evasão de talentos", explica o professor.

Mesmo com todas as novidades a administração pública carrega características próprias da sua natureza que precisam ser levadas em consideração. A abertura de vagas, por exemplo, deve seguir uma legislação própria, que restringe a época e a forma de seleção. "O gestor público não pode simplesmente abrir uma vaga de acordo com a necessidade ou mudar uma pessoa de setor quando precisar. Por isso eles precisam capacitar e mapear competências. À medida que criam condições de trabalho que favoreçam esse tipo de ação, conseguem diminuir o perfil burocrático da gestão", analisa o professor.

Para o analista, estamos vivendo a época da realização e por isso o setor público precisa se reinventar, criando uma política que alie remuneração e reconhecimento. Nesse momento o profissional de RH ganha importância estratégica dentro do Estado.

Minas Gerais vem sendo apontada por especialistas como um bom exemplo de esforço para maior qualificação e, conseqüentemente, melhores resultados entregues pela administração pública. O programa batizado como Choque de Gestão, implantado em 2003, buscou a eficiência para reequilibrar o Estado no âmbito fiscal.

Reorganização - Segundo o diretor-presidente do Escritório de Prioridades Estratégicas do Estado, André Barrence, para alcançar esse objetivo foi preciso reavaliar todo o formato de operação do Estado e aí o RH aparece como decisivo. "Precisamos reorganizar as nossas formas de trabalho e, com isso, investir alto em qualificação e treinamento. Para vencer as naturais resistências à novidade, deveríamos ter um objetivo muito claro e uma forma de trabalho bem traçada", relembra Barrence.

Para ele, a grande virada foi a mudança da lógica de funcionamento do governo, que deixou de funcionar por função e passou a funcionar por projetos. O movimento de profissionalização da gestão foi além da meritocracia, buscando pessoas capacitadas e vocacionadas para trabalhar no setor público. "O novo servidor público tem que ir além do técnico. O seu objetivo não deve ser apenas colocar a máquina pública para funcionar, mas ir além, interagir com as demais esferas da sociedade, criando um ambiente empreendedor", aponta o diretor.

Entre os instrumentos implantados, Barrence enumera a certificação de servidores, incentivo à performance, bonificação por resultados e a avaliação, sempre utilizada no sentido positivo e não de punição. " um modelo dinâmico, que precisa ser revisto. O tempo todo tiramos o servidor da sua zona de conforto. A ideia é transformar o que era resistência em energia motivadora. Temos um Estado de dimensões nacionais, com o maior número de municípios do Brasil, então é um esforço enorme fazer o alinhamento dessa massa de servidores, fazer com que tenham suas funções e objetivos muito claros", avalia.

Para colocar toda esse engrenagem em movimento, foi criado o Escritório de Prioridades Estratégicas, ligado diretamente ao governador. Ele funciona como uma consultoria para a reflexão e implantação das estratégias. A sua característica é ter uma equipe enxuta composta por especialistas capazes de atuar com habilidades específicas em áreas prioritárias. De uma certa maneira ele funciona como um protótipo do que deveria ser a administração como um todo.

Dentro desse novo escopo, para Barrence, o segredo é fazer com que as equipes tirem o melhor proveito da experiência das gerações mais velhas em conjunto com o "gás" da nova geração. Ele acredita que as carreiras públicas estão sendo revalorizadas e atrativas para as diferentes gerações. "Tenho muito entusiasmo por essa união. Hoje o Estado é visto como um local em que as pessoas tem autonomia de pensamento, em que são desafiadas todo o tempo. Elas estão aqui porque veem uma oportunidade de realização além da estabilidade", finaliza.

DANIELA MACIEL


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