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DC Sustentabilidade

08/07/2015

Inservíveis rendem R$ 350 milhões à Vale

Resíduos e ativos, velhos e obsoletos, são vendidos para cerca de 250 empresas parceiras espalhadas pelo País
Nádia de Assis
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A Sucataria do Leste é responsável pela reciclagem de correias transportadoras de minério de ferro/Vale
Resíduos e inservíveis que, a princípio, não teriam mais nenhuma utilidade permitiram à Vale um ganho de R$ 350 milhões entre 2011 e 2014. Isso porque, os resíduos, que podem ter origem metálica ou não metálica, e os inservíveis, ativos velhos e obsoletos, como caminhões, tratores e empilhadeiras, são comercializados para cerca de 250 empresas parceiras espalhadas pelo País.

Somente em 2014, a receita com a venda desses materiais alcançou R$ 83 milhões, valor que a companhia pretende manter em 2015. "Essa é a meta estabelecida e, se ela for alcançada, será extremamente positivo. Afinal, este é um ano de dificuldades gerais e o preço da sucata também sofre pressão. Por isso, apostamos em estratégias de venda e tentamos garantir um preço bastante competitivo", afirma o gerente de destinação sustentável de resíduos, Márcio Valente.

Conforme ele, o montante gerado permite o pagamento das ações de reciclagem e destinação correta. Valente garante que, atualmente, 100% dos resíduos têm destinação correta, enquanto aproximadamente 80% são reciclados. "Queremos alavancar ainda mais esse indicador e deixamos abertas as possibilidades de reciclagem. Estamos em busca de novas tecnologias e, inclusive, estabelecemos parcerias com empresas e escolas", diz.

Valente acrescenta que o estoque de resíduos nos últimos três anos passou de 48,6 mil toneladas em 2012 para 35,6 mil toneladas em 2014, diminuição de aproximadamente 27%.

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Sucataria - Uma das parcerias estabelecidas pela Vale desde 2011 é com a Sucataria do Leste, sediada em Governador Valadares, município do Vale do Rio Doce. Ela é responsável pela reciclagem de correias transportadoras de minério de ferro, tiras e mantas feitas de borracha e já gerou, ao longo de quatro anos, o reaproveitamento de 52 mil toneladas do material.

Até então, o material descartado era acumulado em algumas unidades operacionais do Brasil e ainda gerava uma despesa anual com incineração e aterro. Agora, ele é transformado em forros de caminhões e caminhonetes, cabos de aço para currais, lameiras de aço, cocho para animais e correias recicladas.

A Vale fornece aproximadamente 98% do material utilizado pela Sucataria do Leste. Entre 2011 e 2014, a empresa cresceu 300%, segundo o sócio-proprietário, Rildo César Alves Diniz. Ele explica que, anteriormente, a organização vendia somente no varejo e empregava quatro funcionários. Atualmente, são 48 colaboradores e 800 clientes ativos, sendo que a maior parte do faturamento, 70%, corresponde às vendas feitas no atacado.

Conforme ele, a parceria com a Vale foi crescendo gradativamente. A princípio, a empresa era responsável por adquirir somente as correias de Carajás, mas hoje já consegue reaproveitar aquelas utilizadas na operação do Brasil inteiro. Diniz garante que ainda há muito espaço para a expansão dos negócios. A variação positiva prevista para este ano é de 20% frente ao ano passado. Com isso, o faturamento deverá alcançar R$ 3,4 milhões.

De acordo com Diniz, o índice está relacionado ao aumento da demanda do setor agropecuário, que prefere o cocho para animais fabricado com a borracha. "Ela (a borracha) demonstra maior durabilidade frente a outros materiais", justifica o empresário. Com isso, é possível amenizar a retração observada em outros segmentos, como o de transportes.

A Sucataria do Leste tem outros projetos para ampliar os índices de crescimento nos próximos anos. Um deles seria a construção de uma usina de borracha, em Governador Valadares. Mas, por se tratar de um investimento mais elevado, o projeto deve começar a se concretizar a partir de 2016. "Ainda não sei exatamente de quanto será o investimento, mas certamente será preciso financiar parte do valor. Por isso, o projeto precisa ser muito bem planejado", salienta.



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