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Economia

12/01/2017

IPCA fecha 2016 em 6,29%, abaixo do teto da meta

Recessão, desemprego e juros altos reduziram a inflação oficial
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Com a mudança da bandeira tarifária, o preço da energia elétrica contribuiu para queda do IPCA/Alexandre Campbell
Rio de Janeiro - Os aumentos de preços na economia brasileira voltaram a ficar comportados em dezembro. A alta de 0,30% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi o resultado mais baixo para o mês desde 2008. A variação fez a inflação oficial no País encerrar 2016 em 6,29%, dentro da margem de tolerância da meta estipulada pelo governo, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de inflação em 2016 livra o Banco Central de dar explicações ao Ministério da Fazenda. Mas, segundo o IBGE, o arrefecimento dos preços foi impulsionado por ingredientes negativos, como recessão econômica, deterioração no mercado de trabalho e juros altos. “A demanda mais fraca contribuiu muito no sentido de desacelerar o IPCA em 2016”, justificou a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos.

A tendência é que o alívio na inflação se prolongue ao longo deste ano e traga o IPCA para o centro da meta (4,5%), o que permitiria uma redução mais forte na taxa básica de juros (Selic) nos próximos meses, dizem analistas.

O economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Melo, avalia que há possibilidade de a queda na inflação provocar redução mais aprofundada na Selic no início do segundo trimestre. “O Banco Central tem mais chances de reduzir a Selic em 0,75 ponto porcentual em abril, após observar no primeiro trimestre o desempenho da inflação, do nível de atividade e do comportamento do dólar”, ressaltou.

Segundo Eulina, vários componentes pressionaram os preços no ano passado, como o impacto climático sobre as lavouras, o efeito da instabilidade política sobre o dólar e o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre diversos produtos, como chocolate, cigarro e cerveja. No entanto, desemprego, queda na renda e restrição ao crédito reduziram o consumo das famílias, impedindo repasses maiores aos preços.

Reflexos - A demanda mais fraca está presente nos aumentos menores dos alimentos, mas também em recuos importantes como os de passagens aéreas, automóvel usado, peças de mobiliário. Já as principais elevações de preços em 2016 entre os itens não alimentícios foram consequência da indexação, ou seja, de aumentos que repõem a inflação passada, que foi bastante elevada. “São muito indexados itens como plano de saúde, empregado doméstico, taxa de água e esgoto, ônibus urbano”, explicou a coordenadora do IBGE.

O plano de saúde subiu 13,55% em 2016, segundo maior impacto no IPCA do ano, atrás apenas da alimentação fora do domicílio (com alta de 7,22%). O empregado doméstico aumentou 10,27%, terceiro maior impacto, enquanto que os produtos farmacêuticos ficaram 12,50% mais caros.

Depois de subir 51% em 2015, a conta de luz recuou 10,66% em 2016, o que também ajudou a diminuir a taxa acumulada pelo IPCA. Na direção oposta, passagens aéreas, gasolina e cigarro foram os itens que mais pressionaram a inflação: 73% da alta do IPCA de dezembro.

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Projeção - Para 2017, a expectativa é que a inflação comece o ano pressionada por reajustes de preços administrados. O IPCA absorverá, sobretudo, aumentos nos gastos com transportes, como ônibus urbano, táxi, metrô e ônibus intermunicipal. No entanto, a expectativa para o ano é de taxas de inflação menores do que as registradas em 2016, uma vez que as previsões para o clima e a safra agrícola do País são melhores, reconheceu Eulina.

O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Souza Leal, estima que o IPCA anualizado chegue a 4,5% ainda no primeiro semestre do ano, mas acelere no segundo semestre, até fechar o ano em 4,8%. Segundo ele, alcançar o centro da meta de 4,5% ao fim de 2017 é factível, mas dependerá do comportamento dos preços dos alimentos. (AE)

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