Publicidade

FAEMG

16/12/2016

Leite: entre bons preços e adversidades

Custos mais altos e aumento das importações prejudicaram a rentabilidade do setor
Michelle Valverde
Email
A-   A+
A alta nos custos de produção, principalmente com o milho e a soja, impediu melhores ganhos financeiros neste ano/Daniel Kinpara/Divulgação/Flickr
O mercado do leite, em 2016, foi marcado inicialmente pela grande elevação dos preços pagos aos produtores, valores que desde meados de setembro voltaram a recuar em função do período de safra. Apesar da alta, o que poderia garantir aos pecuaristas melhores resultados financeiros em 2016, os custos também ficaram maiores, prejudicando a rentabilidade da atividade. O setor ainda enfrentou perdas provocadas pela maior importação de lácteos. Para o próximo ano, a tendência é de valorização do leite no mercado internacional, o que pode estimular a retomada das exportações mineiras.

De acordo com presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, o que poderia ser um ano de ganhos acabou sendo marcado pelo aumento dos custos, principalmente com a alimentação do rebanho.

Os principais itens que impactaram nos custos de produção da pecuária leiteira, além da mão de obra, foram: concentrados proteicos e energéticos, com alta de 18,14%, seguidos pela qualidade do leite (16,72%), suplemento mineral (13,69%) e sanidade (9,04%). As adversidades climáticas também pesaram, prejudicando a produção de alimentos e encarecendo a ração.

“Mais de 50% da composição dos custos de produção dizem respeito à mão de obra e à alimentação, envolvendo a ração farelada e volumosa. Quando se passa por um ano em que o milho e a soja tiveram preços tão altos, o custo de produção fica muito elevado. Apesar de um preço bastante alto para a média dos últimos anos, o setor amargou um ano difícil em função desses custos”, disse Alvim.

Para se ter ideia, em outubro, o preço médio foi de R$ 1,55 por litro de leite, 43,7% superior ao de outubro de 2015. O preço do produto se valorizou, mas o custo de produção aumentou. 16,2%. Nesse período, os preços da soja e do milho, que são importantes componentes da ração animal, já estavam com preços mais acessíveis.

“O ano foi bastante atípico. Em um primeiro momento os preços pagos pelo litro de leite, felizmente, subiram muito, porque senão tivessem valorizado, muitos produtores teriam saído da atividade, uma vez que os custos de produção cresceram mais que o reajuste visto nos preços. Então, 2016 foi o ano que os produtores tiveram preços fora da curva e, mesmo assim, não tiveram ganho real com a atividade”.

Alvim explica que a elevação dos preços do leite aconteceu depois de sucessivas quedas na produção, que nos anos anteriores foi prejudicada pela estiagem severa e pelos preços menores que os custos.

“Os preços ficaram maiores porque de 2014 para 2015 a produção no Brasil caiu 2,8%, de 2015 para 2016 caiu 5,8%, e no primeiro semestre de 2016, mesmo com os preços elevados, a produção ficou pelo menos 5% inferior em relação ao primeiro semestre de 2015. Com as sucessivas quedas na produção, os preços subiram pela menor oferta. Virou um leilão no interior do Estado e do País, com as indústrias demandado matéria-prima, senão não fabricavam”, disse Alvim.

Leia também:
Balde Cheio fortalece os pequenos
Cenário pode favorecer exportações
Reidratação deve ser suspensa no País


Liderança - Minas é o maior produtor de leite do País, com 27% da produção nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho do Estado é composto por 5,9 milhões de vacas ordenhadas, com produtividade média de 1,6 mil litros por vaca ao ano, 54,2% abaixo da produtividade mundial, que tem média de 3,5 mil litros por vaca ao ano.

A produção de leite, em Minas, dever alcançar 9,6 bilhões de litros, aumento de 2% em relação a 2015. No País, o volume estimado é de 35 bilhões de litros, 1% maior que o gerado em 2015. O Valor Bruto da Produção (VBP) do leite em Minas estimado para 2016 é de R$ 11,3 bilhões, um crescimento de 11,7%.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

16/12/2016
ENTREVISTA | Gestão, inovação e qualidade garantem estabilidade em momentos de crise
Roberto Simões, o presidente da Faemg
16/12/2016
Elevação de custos comprometeu lucratividade
Agronegócio mineiro cresceu 5,18% até agosto, mas sinaliza cautela
16/12/2016
Conhecimento e saúde para o homem do campo
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas) deve aumentar em 10% no próximo ano o número de pessoas atendidas nos cursos das áreas de Formação...
16/12/2016
Um ano de safra recorde na cafeicultura, com 28,9 milhões de sacas
Alta foi de 29,7% frente a 2015
16/12/2016
Cenário favorável para milho e soja
Demanda aquecida, incremento das exportações e quebra da safra elevaram os preços
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.