Publicidade
21/04/2018
Login
Entrar

FAEMG

16/12/2016

Leite: entre bons preços e adversidades

Custos mais altos e aumento das importações prejudicaram a rentabilidade do setor
Michelle Valverde
Email
A-   A+
A alta nos custos de produção, principalmente com o milho e a soja, impediu melhores ganhos financeiros neste ano/Daniel Kinpara/Divulgação/Flickr
O mercado do leite, em 2016, foi marcado inicialmente pela grande elevação dos preços pagos aos produtores, valores que desde meados de setembro voltaram a recuar em função do período de safra. Apesar da alta, o que poderia garantir aos pecuaristas melhores resultados financeiros em 2016, os custos também ficaram maiores, prejudicando a rentabilidade da atividade. O setor ainda enfrentou perdas provocadas pela maior importação de lácteos. Para o próximo ano, a tendência é de valorização do leite no mercado internacional, o que pode estimular a retomada das exportações mineiras.

De acordo com presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, o que poderia ser um ano de ganhos acabou sendo marcado pelo aumento dos custos, principalmente com a alimentação do rebanho.

Os principais itens que impactaram nos custos de produção da pecuária leiteira, além da mão de obra, foram: concentrados proteicos e energéticos, com alta de 18,14%, seguidos pela qualidade do leite (16,72%), suplemento mineral (13,69%) e sanidade (9,04%). As adversidades climáticas também pesaram, prejudicando a produção de alimentos e encarecendo a ração.

“Mais de 50% da composição dos custos de produção dizem respeito à mão de obra e à alimentação, envolvendo a ração farelada e volumosa. Quando se passa por um ano em que o milho e a soja tiveram preços tão altos, o custo de produção fica muito elevado. Apesar de um preço bastante alto para a média dos últimos anos, o setor amargou um ano difícil em função desses custos”, disse Alvim.

Para se ter ideia, em outubro, o preço médio foi de R$ 1,55 por litro de leite, 43,7% superior ao de outubro de 2015. O preço do produto se valorizou, mas o custo de produção aumentou. 16,2%. Nesse período, os preços da soja e do milho, que são importantes componentes da ração animal, já estavam com preços mais acessíveis.

“O ano foi bastante atípico. Em um primeiro momento os preços pagos pelo litro de leite, felizmente, subiram muito, porque senão tivessem valorizado, muitos produtores teriam saído da atividade, uma vez que os custos de produção cresceram mais que o reajuste visto nos preços. Então, 2016 foi o ano que os produtores tiveram preços fora da curva e, mesmo assim, não tiveram ganho real com a atividade”.

Alvim explica que a elevação dos preços do leite aconteceu depois de sucessivas quedas na produção, que nos anos anteriores foi prejudicada pela estiagem severa e pelos preços menores que os custos.

“Os preços ficaram maiores porque de 2014 para 2015 a produção no Brasil caiu 2,8%, de 2015 para 2016 caiu 5,8%, e no primeiro semestre de 2016, mesmo com os preços elevados, a produção ficou pelo menos 5% inferior em relação ao primeiro semestre de 2015. Com as sucessivas quedas na produção, os preços subiram pela menor oferta. Virou um leilão no interior do Estado e do País, com as indústrias demandado matéria-prima, senão não fabricavam”, disse Alvim.

Leia também:
Balde Cheio fortalece os pequenos
Cenário pode favorecer exportações
Reidratação deve ser suspensa no País


Liderança - Minas é o maior produtor de leite do País, com 27% da produção nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho do Estado é composto por 5,9 milhões de vacas ordenhadas, com produtividade média de 1,6 mil litros por vaca ao ano, 54,2% abaixo da produtividade mundial, que tem média de 3,5 mil litros por vaca ao ano.

A produção de leite, em Minas, dever alcançar 9,6 bilhões de litros, aumento de 2% em relação a 2015. No País, o volume estimado é de 35 bilhões de litros, 1% maior que o gerado em 2015. O Valor Bruto da Produção (VBP) do leite em Minas estimado para 2016 é de R$ 11,3 bilhões, um crescimento de 11,7%.

Publicidade

Aproveite! Assine o DC e tenha notícias exclusivas

Leia também

14/12/2017
Conhecimento e integração são caminhos para a superação dos desafios
ENTREVISTA | Robertos Simões, presidente do Sistema Faemg
14/12/2017
Agropecuária fortalece a economia
Além de gerar emprego e renda, o setor tem contribuído para diminuir a inflação
14/12/2017
Melhoria de qualidade do café amplia mercado
Mesmo em um ano de adversidades e preços baixos, o café de Minas ganhou mais espaço no cenário internacional
14/12/2017
Minas tem safra recorde de grãos, com alta de 21% ante 2016
Clima e tecnologias contribuíram
14/12/2017
Silvicultura | Queda no consumo reduz áreas florestais em 0,4%
Com 1,4 milhão de hectares de florestas plantadas e respondendo por 20% da área nacional, Minas Gerais possui a maior área de reflorestamento do Brasil, segundo os dados da...
› últimas notícias
Leia mais notícias ›
› Newsletter
O melhor conteúdo exclusivo e gratuito no seu e-mail:




Cadastrar
› Mais Lidas
Leia todas as notícias ›
Publicidade
› Assine o DC

Acesso completo

aos conteúdos online e versão impressa.
Único jornal especializado em Economia, Negócios e Gestão de Minas Gerais.
Ferramenta indispensável para fazer bons negócios.
› Edição Impressa


20 de abril de 2018
Conteúdo exclusivo para assinantes
› DC no Facebook
 
© Diário do Comércio. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.