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Negócios

07/12/2017

Lojistas da Ouvidor preveem alta nas vendas

Crescimento deve chegar a 15%
Thaíne Belissa
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O pagamento do 13º salário deve aquecer as vendas/Alisson J. Silva
Localizada bem no centro da capital mineira e tradicional ponto de compras da cidade, a Galeria Ouvidor espera receber mais de 50 mil pessoas por dia durante o mês de dezembro. O movimento representa 15% de crescimento em relação ao resto do ano, segundo expectativa do administrador, Valter Faustini. Embora os lojistas ainda não tenham sentido esse grande movimento nos primeiros dias do mês, eles estão otimistas em relação à próxima semana e esperam aumento nas vendas de até 20% em relação a igual período do ano passado.

De acordo com o administrador, os lojistas começaram o ano com muito pessimismo, mas ele acredita que a “maré ruim está passando”. Ele relata crescimento nas vendas dos comerciantes de diferentes setores, principalmente nos últimos dois meses, e está bastante otimista para as vendas de Natal. “As expectativas são as melhores possíveis. O movimento já aumentou desde o dia 30 de novembro, quando as pessoas recebem a primeira parcela do 13º salário, e deve aumentar mais”, aposta. Segundo ele, a galeria recebe, em média, 45 mil pessoas por dia, mas em dezembro é esperado um aumento de 15% nesse fluxo.

Faustini lembra que a galeria é muito diversificada em tipos de produtos vendidos, incluindo lojas de roupa masculina, feminina e infantil, de calçados, joias, cosméticos, cabelos e perucas, embalagens, artesanato, livrarias, entre outros. Segundo ele, o comportamento de venda é diferenciado de acordo com o segmento, mas ele acredita que as lojas que oferecem lembrancinhas e embalagens para presentes devem vender mais. Além disso, ele destaca as lojas de cabelos e perucas que, embora seja um segmento mais inusitado para essa época do ano, acaba registrando boas vendas. “As mulheres querem ficar ainda mais bonitas no fim do ano”, diz.

Beleza - A informação é confirmada pelo empresário David Ribeiro, proprietário da loja Mercado dos Cabelos, que tem duas unidades no andar da rua São Paulo. Segundo ele, a expectativa é de que as vendas de Natal deste ano cresçam entre 15% e 20% em relação a igual período do ano passado. De acordo com ele, nessa época do ano, as vendas de apliques, alongamentos, perucas e cabelo natural aumentam bastante. “Chega dezembro, as pessoas recebem o 13º salário e aproveitam para investir no cabelo. Elas normalmente já pensam nas festas de fim de ano e até no Carnaval”, afirma.

Segundo ele, as perucas são as peças mais vendidas no fim do ano, justamente porque elas têm maior valor agregado e são, portanto, um investimento do 13º salário. Embora esteja otimista em relação às vendas em dezembro, o empresário lembra que elas ainda não compensarão as perdas no faturamento nos últimos dois anos. “Em 2016, tivemos uma queda de 30% nas vendas em relação a 2015. Este ano, devemos fechar com 10% a 15% de crescimento em relação ao ano passado, mas ainda assim não vamos recuperar o patamar de 2015. Mas já é um começo”, analisa.

No mesmo andar, a Maria Flor Maquiagem e Acessórios também deve registrar aumento de 15% a 20% nas vendas deste Natal, em relação à data no ano passado. Pelo menos essa é a expectativa da proprietária, Gabriela Mercês. “Estou mais otimista porque o ano todo foi melhor que 2016. Devo fechar este ano com crescimento de 8% a 10% em relação ao ano passado”, diz.

A loja comercializa itens de maquiagem e para as unhas, mas na véspera de Natal o que mais vende são os kits de maquiagem, que já vão montados e embalados para presentear. Segundo ela, o grande movimento esperado para o Natal ainda não aconteceu, mas ela espera por ele na próxima semana. “Dezembro começou fraco, mas acredito que, a partir da semana que vem, as vendas começam a aumentar”, aposta.

O proprietário da DMM Joias, Dimas de Matos Machado, também está esperando o movimento aumentar a partir da próxima semana. Sua expectativa é de que as vendas de Natal cresçam 20% em relação à data no ano passado. “As vendas já melhoraram em novembro e estou esperando que dezembro acompanhe esse crescimento”, diz. A loja fica no andar da rua São Paulo e vende joias e semijoias, que variam de R$ 70 a R$ 400. Para o Natal, a aposta é principalmente nas semijoias. “Joias são peças que as pessoas investem para elas mesmas. Já as semijoias são mais baratas, então estou acreditando que elas serão mais procuradas para quem quer presentear”, afirma.

COMÉRCIO DE ARTESANATO COMEMORA EXPANSÃO

Enquanto a maior parte dos comerciantes da Galeria Ouvidor ainda espera pelo aumento de vendas de fim de ano, as lojas de artesanato já tiveram seu próprio Natal entre os meses de setembro, outubro e novembro. Isso acontece porque elas são fornecedoras de matéria-prima dos artesãos, que compram com antecedência para confeccionar e vender as peças para o Natal.

É o caso da Loja Bibelô, localizada no terceiro andar. De acordo com o gerente de vendas, Roberto Prado, o mês de novembro é um dos melhores para a loja. Ele afirma que as vendas nesse período em 2017 tiveram um crescimento de 8% em relação a 2016. Ele acredita que o mercado do “faça você mesmo” está ampliando no Brasil, o que explica a evolução nas vendas.

“No exterior, o ‘faça você mesmo’ já é bem comum. No Brasil ele está ficando mais forte agora com o crescimento de vídeos de como fazer e de passo a passo na internet. Essa facilidade está popularizando o ofício do artesão”, analisa. A loja vende diferentes tipos de matérias-primas, entre tintas, contas, pérolas e massa de biscuit. Mas, segundo o gerente, os campeões de venda para o Natal são as fitas decorativas e as peças em MDF.

No mesmo andar, a Raicri também viveu seu “Natal” nos meses de outubro e novembro, segundo a gerente, Kátia Crispin. De acordo com ela, a loja, que vende todo tipo de matéria-prima para artesãos, ficou muito movimentada este ano e as vendas tiveram um crescimento de 15% em relação ao mesmo período em 2016. “Claro que as vendas ainda não cresceram tanto quanto gostaríamos, mas já foi um avanço. Acredito que este ano as pessoas estão mais animadas, estão recolocadas no mercado de trabalho e com expectativa de que a crise vai acabar”, afirma. De acordo com ela, o item mais vendido foram os papéis com decoração natalina.

Já no Ponto do Artesão, uma das principais lojas do setor da galeria, as vendas de Natal deste ano decepcionaram. De acordo com o proprietário, Túlio César Teixeira Cardenas, as vendas caíram 10% em relação ao período setembro a novembro do ano passado. Ele acredita que o número negativo ainda é reflexo da crise econômica. “Este ano está mais difícil com a instabilidade da política. Esse clima interfere muito e as pessoas acabam não saindo para gastar abertamente”, diz. Mesmo que as vendas tenham sido em menor volume em relação ao ano passado, o empresário destaca a importância desse período para o estabelecimento.

“Nessa época o movimento melhora consideravelmente e as vendas crescem entre 10% e 12% em relação ao resto do ano”, diz. De acordo com ele, os produtos que mais vendem nessa época são tintas, tecidos com temas natalinos, roupa, gorro e peruca de Papai Noel.

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