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Opinião

15/05/2018

Mais tensões e incertezas

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A decisão do presidente Donald Trump, de abandonar o acordo nuclear firmado com o Irã na gestão anterior, faz crescer as tensões internacionais e, paralelamente, a imprevisibilidade que é inimiga da economia. Washington, ou Trump, tem quebrado sucessivamente algumas das mais elementares regras do convívio internacional e, neste último caso especificamente, conseguiu que até mesmo seus mais fiéis aliados na Europa Ocidental exibissem seu desacordo e contrariedade.

O futuro é incerto e essa condição já se reflete no mundo dos negócios, comprometendo a recuperação que até há pouco tempo dava sinais mais alentadores. Esse ambiente por certo não é bom também para o Brasil, que vinha encontrando no comércio internacional, principalmente de alimentos, a melhor resposta para suas dificuldades internas no plano econômico. E pode não ter sido mera coincidência o fato de que o desempenho no primeiro trimestre do ano tenha ficado aquém das expectativas, projetando, ao que tudo leva a crer, resultados mais modestos para o ano. E tudo isso agravado pelo calendário político, que retarda decisões cruciais, situação que fica mais evidente à medida em que se aproximam as eleições.

Ao se demonstrar incapaz, ou desinteressado, de encaminhar reformas apontadas como cruciais, o atual governo faz crescer um passivo que ou escapa de qualquer controle possível ou remete ao próximo governo uma tarefa, para dizer o mínimo, bastante amarga. Espanta que as articulações políticas em andamento e mirando os cargos majoritários nas eleições do dia 7 de outubro, passem ao largo desses assuntos, como se não existissem motivos para preocupação. As referências são esparsas e sempre orientadas pelas conveniências de cada grupo, distantes de propostas minimamente consistentes, definidoras de um programa que contenha as respostas reclamadas.

Nessas contas, e menos ainda, também não entram avaliações com relação ao cenário internacional, seus possíveis impactos para o Brasil e ações destinadas a reduzir os danos.

Nada parece ter mudado, faltam planos, faltam projetos e resta a conclusão lamentável de que os aspirantes ao cargo mais elevado na administração pública não se dão conta de que o escolhido terá que negociar e transigir para alcançar uma governabilidade que será fatalmente cada vez mais cara e cada vez mais instável. Tudo isso sem deixar espaços para que a gestão pública se realize próxima de mínimos parâmetros de eficiência e mérito.
Esperar respostas e resultados, seja de quem for, nessas condições, é algo que tristemente cada vez mais se aproxima, para os brasileiros, da utopia.

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