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Economia

05/12/2017

Mercado aguarda taxa de 7% nesta semana

Patamar, que pode ser o mais baixo da história, deve favorecer consumo e investimentos, mas em médio prazo
Ana Amélia Hamdan
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A A queda dos juros se soma aos diversodos juros se soma aos diversos indicadores econômicos que medem a economia e influencia positivamente o consumo/Alisson J. Silva
A última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está prevista para terminar amanhã e vem acompanhada da expectativa de queda da Selic. A taxa básica de juros atualmente está em 7,5%. Caso o comitê anuncie redução de 0,5 p.p, a Selic chegará a 7%, ou seja, o menor nível da história. A taxa mais baixa já registrada é de 7,25% e foi atingida em 2012. O impacto da redução dos juros ocorre junto às famílias, empresas e governo federal, conforme apontam economistas ouvidos pela reportagem. A medida tem potencial para estimular consumo e investimentos, mas as mudanças não devem ser sentidas de imediato, já que dependem de outros fatores.

Coordenador do curso de Economia do Ibmec/MG, Márcio Salvato explica que a expectativa da redução da taxa Selic ocorre porque o Banco Central a tem usado para controle da inflação. Como os índices inflacionários já estão abaixo do nível da meta, a redução dos juros torna-se possível. Além disso, ele informa que, caso a expectativa se concretize, o Banco Central estará dando sinais para que as pessoas voltem a consumir.

Porém, o economista ressalta que a taxa de juros para o consumidor não depende apenas da Selic. A inadimplência em alta, por exemplo, dificulta que a redução seja praticada, de fato, pelos bancos. “O risco do empréstimo ainda é alto”, diz. Com isso, o efeito do aquecimento no consumo pode não se concretizar rapidamente, “a despeito dos esforços para baixar a taxa de juros”.

Outro efeito da queda das taxas de juros é para as empresas. “Para os empresários, fica mais barato contrair empréstimos. Com isso, abre-se a possibilidade de execução de planos de investimentos”, diz Salvato. Dessa forma, a medida pode facilitar a expansão das empresas.

Na avaliação do economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Guilherme Almeida, a queda dos juros se soma a um coquetel de indicadores econômicos que está em andamento e influencia positivamente o consumo.

Ele explica que a Selic precifica o crédito dos bancos comerciais e, com isso, pode levar ao barateamento do crédito ao consumidor. Mas ele pondera que esse não é o único fator que influencia nos juros praticados pelos bancos e que o impacto para o consumidor final pode levar de dois a três meses para começar a aparecer. Com a tendência de o crédito ficar mais acessível, há incentivo ao consumo familiar, principalmente de bens duráveis e semiduráveis.

Produção - A queda dos juros também impacta na produção, segundo explica o economista e professor dos MBAs da Fundação Getulio Vargas, Mauro Rochlin. “O consumo tende a aumentar. Para atender a esse consumidor, é necessária uma produção maior”, resume. Ele ressalta que a queda da taxa de juros é positiva para todo o comércio, mas beneficia especialmente setores como a construção civil, altamente dependente da oferta de crédito.

Aplicações -  De acordo com o economista Guilherme Almeida, a queda dos juros também vai provocar uma mudança nas aplicações financeiras. Ele explica que, com os juros em alta, ganham os investimentos que têm renda fixa como referência. Com a queda dos juros, a rentabilidade desses investimentos tende a cair, havendo tendência de migração para renda variável, sendo a mais típica o mercado de ações. A questão é que esses trazem um risco maior. “Fundos de renda fixa, como CDI, estavam fazendo sucesso com a taxa de juros em 14,25%, como a registrada há dois anos”, diz Almeida.

Com o quadro traçado pela queda dos juros, há estímulo ao investimento na chamada economia real. Isso quer dizer, por exemplo, que o empresário que estava com o dinheiro investido em aplicações financeiras e que teve queda nos rendimentos com a redução dos juros, pode considerar vantajoso investir na própria empresa.

Exemplo de que isso está ocorrendo, segundo ele, é que a formação bruta de capital fixo subiu 1,6% no terceiro trimestre no comparativo com o trimestre anterior, segundo o IBGE. “O indicador mostra que o investimento produtivo apresentou evolução”, disse.

Com todo esse movimento, a medida também causa impacto positivo no nível de emprego. “A medida incentiva a retomada da economia e dos investimentos empresariais e gera melhoria no mercado de trabalho”, resume Almeida.

De acordo com Salvato, a queda nos rendimentos de algumas aplicações também estimula o consumo. “Se as pessoas não estão ganhando tanto na aplicação, elas podem preferir consumir”, explica o professor do Ibmec.  

Crédito e governo - Professora responsável pela disciplina Economia Brasileira no curso de Negócios Internacionais da Universidade Fumec, Adriana França pondera que a taxa Selic reflete em todas as outras taxas de juros e, de maneira geral, a redução deve dar uma “melhorada” no crédito bancário, mesmo que esse dependa de outros fatores, como a inadimplência. Mas ela faz a ressalva de que, mesmo se a Selic cair ao menor nível da sua história, a taxa de juros continua muito mais alta quando comparada com as praticadas em outros países.

Já o economista Mauro Rochlin ressalta que a queda dos juros também impacta positivamente as contas do governo federal. “Parte da dívida do governo está indexada à taxa Selic. Se a Selic cai, a dívida cai”, explica.

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