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DC Turismo

10/02/2018

Minas Gerais deixou de ser apenas conhecida e passou a ser desejada

Daniela Maciel
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Arrais: turismo é a bola da vez em Minas Gerais/Alisson J. Silva
Organizar, fomentar, promover e divulgar o turismo em um Estado praticamente do tamanho da França, com atrativos que vão de patrimônios históricos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), até a gastronomia reverenciada ao redor do mundo, passando por paisagens naturais igualmente únicas, com direito a três diferentes biomas, é um bom desafio para Gustavo Arrais. Ao assumir interinamente a Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais (Setur-MG), em fevereiro, o empresário, que até então era secretário adjunto, milita nos segmentos hoteleiro e de agência de viagens há 30 anos e tem como experiência pública a Secretaria Municipal de Turismo e Cultura de Camanducaia (Sul de Minas), além da própria Setur-MG.
Gustavo Arrais, que recebeu o DIÁRIO DO COMÉRCIO com exclusividade, falou sobre os desafios, a riqueza e variedade dos atrativos mineiros e, até mesmo, sobre a febre amarela.

Vivemos em um Estado muito grande territorialmente e com grandes diferenças culturais e sociais entre as suas diversas regiões. Quais os primeiros e principais desafios da sua gestão?

Não estou começando um novo projeto. Estou seguindo as orientações do ex-secretário Ricardo Faria. Começamos a trabalhar praticamente juntos na Setur-MG e determinamos um projeto para o Estado. Minas Gerais não é um estado, é um país. Ao mesmo tempo em que tem geada e gelo em Monte Verde e Gonçalves (Sul de Minas), tem um calor de 40 graus em Montezuma e Espinosa (Norte de Minas), tem montanhas, cerrado, café e banana. O desafio é grande, mas já venho de um trabalho na hotelaria e agência de viagens há mais de 30 anos, e isso me deu uma pequena sabedoria nesse sentido. Estamos posicionando o Estado na sua principal vocação que é: cultura, história e parques. Temos como modelo lugares como Groelândia, Austrália e Nova Zelândia - países grandes - que posicionam o seu produto turístico com uma única divulgação. Por exemplo, na Austrália, o meio ambiente. O que não quer dizer que lá não tenha outros tipos de turismo, mas o visitante é fisgado pelo turismo ambiental, chegando lá é abordado por todo leque de atrativos. Trazendo isso para Minas Gerais, o Estado é o berço da história brasileira, reúne 60% do patrimônio barroco. Então, aquele turista que quer conhecer a sua história a fundo, ele tem que, obrigatoriamente, vir a Minas Gerais. Mas se ele quiser as melhores trilhas, escaladas, cachoeiras, é em Minas Gerais que ele vai achar. Então, estamos pontuando o que Minas Gerais oferece. Agora, quando ele chega aqui, 99% se encantam pela gastronomia. E indo mais além, Minas Gerais tem para todos os gostos e bolsos. Mas não basta ter bons preços e diversificação de produtos. É preciso ser bem atendido. Aqui temos uma doçura, um prazer em receber. É uma mistura de muito o que se ver e fazer, com bom preço e qualidade de atendimento.

Ainda somos um destino regional, frequentados, principalmente pelos próprios mineiros e depois pelos nossos vizinhos da região Sudeste. O que está sendo feito e ainda pode ser melhorado para a promoção e a divulgação do Estado tanto dentro como fora do Brasil?

Estamos trabalhando. O nosso ex-secretário fez “só” 85 feiras, entre nacionais e internacionais divulgando o nosso produto, colocando-o na prateleira. Não vai aqui uma crítica às gestões passadas mas, por exemplo, a CVC, com mais de 5 mil agências, não era visitada há cinco anos. Fomos até eles e colocamos nossos produtos na CVC. Colocamos também na Flytour. Fomos tão bem que ganhamos o prêmio de vendas. Participamos em todas as companhias aéreas - nas televisões de bordo -, e de todos os eventos que tinham a ver com o nosso produto. Temos métricas para mostrar que a visitação aumentou e, mais importante que isso, que Minas deixou de ser apenas conhecida e passou a ser desejada. Acredito que se continuarmos com esse trabalho profissional e técnico, em breve, vamos ter uma enxurrada de bons turistas chegando ao Estado.

Quais as ações recentes da Setur-MG?

A Setur-MG fez a Plataforma do Turismo de Minas Gerais. É um armazém com todas as informações turísticas do Estado. Hoje, qualquer um pode planejar os seus investimentos porque tem um inventário com o qual trabalhar. Uma vez isso finalizado, todos os municípios e circuitos treinados, com todos usando, já nasceu o primeiro fruto: o nosso portal www.minasgerais.com.br, que também já está pronto. Ele é baseado em variáveis buscadas no portal e não apenas em um texto. O município alterou uma informação, um texto, o portal é automaticamente atualizado. Esse ano, pretendemos fazer o aplicativo, o Mais Gastronomia e o Mice Minas Gerais, com todas as salas de reuniões, de eventos e congressos listadas. Agora Minas Gerais deixou de copiar e passou a liderar em tecnologia de turismo no Brasil.

Muitas vezes é possível perceber uma certa desarticulação do trade turístico do Estado. Qual o papel da Setur-MG nessa organização?

Turismo não aceita fundo de garagem. Ele exige muita técnica. Dentro dessa técnica existe a “lei das quatro horas de voo”. Os turistas viajam, em média, quatro horas. Então é importante que a gente venda Minas Gerais dentro desse dado. Temos toda a América do Sul pra ser atendida. Por exemplo, a Argentina descarrega 2,2 milhões de turistas para fazer o segmento de sol e mar no Brasil. Por que não trabalhar para que eles conheçam também a nossa história? Muitas vezes nos preocupamos em trazer europeus e norte-americanos enquanto temos um mercado tão grande e importante bem mais perto e que não estava sendo abordado. É claro que queremos que todos venham, mas podemos trabalhar com mais efetividade.






Desde 2016, a Setur-MG, em parceria com o Instituto Estadual de Floresta (IEF), tem desenvolvido um programa de abertura dos parques estaduais à visitação pública. Esse planejamento está caminhando dentro do esperado?

Todos os nossos parques estão cheios. O Parque do Ibitipoca (na Zona da Mata, Circuito Serras de Ibitipoca, nos municípios de Lima Duarte e Santa Rita do Ibitipoca), Pico da Bandeira, no Parque Nacional do Caparaó (Zona da Mata, Circuito Pico da Bandeira, na cidade de Alto Caparaó), e o Janelão (no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, parte do Circuito Velho Chico, Norte de Minas, entre os municípios de Itacarambi, Januária e São João das Missões) estouraram a portaria, quer dizer, tiveram mais visitantes que o permitido e estão aumentando a infraestrutura para receber mais gente. Isso mostra o sucesso dessa política. O IEF entendeu que cada turista ao entrar em um dos parques sai de lá um ecologista. O meio ambiente visto apenas pela televisão não sensibiliza ninguém. Quando a pessoa vai a um parque, se torna um torcedor, um defensor do meio ambiente porque ele começa a entender.

Outro ponto: a Costa Rica, por exemplo, abandonou o posicionamento de sol e mar e passou a investir nos parques. Os Estados Unidos tem 100 mil quilômetros de parques sinalizados. A Europa, 80 mil quilômetros e o Brasil apenas com 200 quilômetros sinalizados. Pois bem, Minas Gerais enxergou o problema e hoje passamos de seis para 11 parques abertos. Um bom exemplo é o projeto Passarinhar. Tem gente vindo da Europa para conhecer espécies que só ocorrem em Minas Gerais.

O recente surto de febre amarela em alguns pontos do Estado impactou de alguma maneira o programa?

Não sou da Secretaria de Saúde, mas parece que o pior já passou. Aqui em Belo Horizonte e outros lugares não temos visto cancelamentos de diárias. Espero que isso seja resolvido rapidamente.

Falando de Belo Horizonte, que em 2016 teve o Conjunto Arquitetônico da Pampulha reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade e depois de uma longa e severa crise de demanda, segundo pesquisas, vem se tornando um destino de lazer. Qual importância da Capital como indutora do turismo estadual e como a Setur-MG desenvolve parcerias com a municipalidade?

Belo Horizonte é mais que a cidade, é a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e ainda mais. A cidade é um destino rico, Patrimônio da Humanidade e próxima a outros grandes destinos como Ouro Preto, Mariana e Congonhas (região Central, Circuito do Ouro) e Inhotim (RMBH, Circuito Turístico Veredas do Paraopeba, na cidade de Brumadinho), entre outros. Belo Horizonte com um pouco mais de promoção e divulgação vai ter muito mais visitação. Temos feito muito bate-bola com o Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau (BHC&VB). Temos que trabalhar, trazer todo mundo mais pra perto, como uma única força para trabalhar o destino Belo Horizonte.

O ICMS Turístico parece ser, principalmente, uma ferramenta de incentivo para que os municípios construam políticas públicas para o turismo. Isso tem dado certo? E qual a importância dessa organização já que os turistas desembarcam nas cidades e não nos estados ou no País?

É verdade, o turismo acontece nas cidades. Os municípios, então, precisam de técnica, de um lugar para tirar uma dúvida do visitante, precisa de turismólogos, ou seja, precisam de estrutura. E isso se dá através dos circuitos. Quem diz que os circuitos não dão retorno, não entende de turismo e nem de Minas Gerais. Ano passado os circuitos realizaram 1.704 ações. Tínhamos um pouco mais de 300 municípios no Programa de Regionalização. Hoje são 602, só perdendo para a AMM (Associação Mineira de Municípios). Ou seja, o turismo é a bola da vez em Minas Gerais. Os prefeitos que entraram entenderam que o turismo é a solução para a crise e também para quem não tem crise. A política de regionalização e de apoio aos municípios nunca esteve tão forte.

Já em relação ao ICMS Turístico, ele ainda não está a contento. É imprescindível que ele passe de 0,1% pra 0,5%, o que não é nenhum absurdo. Hoje ele está entre R$ 7 milhões e R$ 8 milhões para todos esses municípios. Para estarem circuitados as cidades precisam ter Contur (Conselho Municipal de Turismo), Funtur (Fundo Municipal de Turismo), plano de desenvolvimento em execução. Então é dinheiro para atrair turista e com isso gerar emprego, bom salário e prosperidade.





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