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Economia

18/05/2017

Minas Gerais está muito atrás da Austrália

Estado arrecada US$ 276 milhões em royalties contra US$ 3,1 bi do governo de WA
LEONARDO FRANCIA, de Perth (Austrália)*
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Minas Gerais e a Austrália têm em comum as atividades das duas maiores exploradoras de minério de ferro do mundo: a Vale e a BHP Billiton/Divulgação
Belo Horizonte e Minas Gerais, Perth e Western Australia têm muito em comum. Perth está para Belo Horizonte assim como Minas Gerais está para Western Australia. Em outras palavras, isso significa que Minas é o maior Estado minerador do Brasil, com sua capital em Belo Horizonte, e que Western Australia é o maior Estado minerador da Austrália, com sua capital em Perth. Além disso, são os dois países, Brasil e Austrália, as terras natais das maiores mineradoras do mundo: Vale e BHP Billiton.

Porém, em alguns aspectos, Minas Gerais ainda corre bem atrás de Western Australia. Usando o câmbio atual, enquanto o Estado arrecadou R$ 858,4 milhões, ou cerca de US$ 276 milhões, com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) no ano passado, Western Australia recolheu AUD$ 4,2 bilhões, ou em torno de US$ 3,1 bilhões, no mesmo período com o pagamento dos royalties da mineração.

Em Minas, os royalties da atividade mineral representam só cerca de 1,6% da arrecadação global do Estado, com base em dados de 2016. Em Western Australia, os mesmos royalties da mineração respondem por 17% a 18% de toda a receita do governo estadual, conforme destacou o diretor-executivo do Departamento de Minas e Petróleo de Western Australia, Phil Gorey. “Cerca de 25% desse montante arrecadado são redirecionados para o desenvolvimento do Estado”, acrescentou.

O representante do governo de WA, abreviação de Western Australia, revelou que a produção estadual chega ao expressivo volume de 750 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Outros números robustos de WA são as cerca de 700 companhias envolvidas em projetos de exploração e pesquisa mineral. Ao todo, são aproximadamente 450 projetos de mineração relevantes em todo o Estado.

Apesar das diferenças, as mineradoras que atuam em WA não podem se limitar ao território australiano. Para o representante do Departamento de Desenvolvimento do Estado de WA, Paul Mercer, “se uma companhia australiana quiser sobreviver, ela tem que olhar para fora da Austrália”. Segundo ele, isso já acontece, mas de um forma que guarda suas peculiaridades.

“Já temos um longo relacionamento B2B (business to business ou empresa para empresa) com a América Latina, inclusive com o Brasil», disse Mercer. Segundo ele, essa relação se desenvolve de várias formas, como a formação de joint ventures, desenvolvimento de parcerias, fornecimento de serviços e equipamentos, ou ainda o intercâmbio de profissionais.

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Ladu - O Governor of Commonwealth Australia (chefe de Estado que representa a rainha do Reino Unido, Elizabeth II, na Austrália), Peter Cosgrove, compartilha da mesma opinião. “Os setores de mineração da Austrália e da América Latina estão destinados a trabalhar juntos”, afirmou, durante o Latin America Downunder (Ladu), em Perth, na Austrália.

“Nesses tempos atuais, algumas nações se fecham e adotam práticas protecionistas, mas acreditamos que a América Latina continua aberta a novos negócios”, avaliou.

O Ladu é um congresso sobre mineração, que reúne os países latino-americanos mineradores, incluindo o Brasil, e a Austrália. O evento começou ontem em Perth, que fica no Estado de Western Australia (WA), e termina hoje. O tema central deste ano é “Mineração Sustentável”, mas os painéis discutem desde questões técnicas, novas tecnologias, projetos em desenvolvimento e oportunidades de negócios, até o relacionamento das mineradoras com as comunidades.

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