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10/01/2017

Minas investiga 23 casos de febre amarela, com 14 óbitos

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O número de casos suspeitos de febre amarela em Minas Gerais avança rapidamente. Até a manhã de ontem, o Estado havia contabilizado 23 casos prováveis da doença, com 14 óbitos em investigação. Diante do aumento dos registros, o Estado deve pedir ajuda da força nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para melhorar a assistência aos pacientes. Semana passada, o Ministério da Saúde já havia feito um alerta à Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o avanço de casos suspeitos no País.

Até sexta-feira (6), quando o comunicado para a OMS foi feito, haviam sido contabilizados 12 casos suspeitos, com cinco mortes. Os registros ocorreram nas cidades de Ladainha, Malacacheta, Frei Gaspar, Caratinga, Piedade de Caratinga e Imbé de Minas, localizadas em regiões consideradas de risco para a febre amarela (vales do Jequitinhonha, Mucuri e Rio Doce).

Ontem, no entanto, o número de municípios com casos suspeitos aumentou. A febre amarela é provocada por um vírus, transmitido pela picada de mosquitos infectados.
O Ministério da Saúde ainda não tem informações sobre o histórico dos pacientes, se eles tinham relação entre si. Uma reunião foi realizada ontem para discutir o avanço de casos suspeitos. É a segunda em menos de uma semana. Os casos, por enquanto, estão sendo considerados como de transmissão silvestre.

Diante do aumento, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de moradores de áreas de risco estarem com vacinas em dia. A recomendação é que a população tenha pelo menos duas doses do imunizante, aplicadas com 10 anos de intervalo, no caso de adultos. Em crianças com mais de seis meses e menores de 2 anos, a recomendação é de que a primeira dose seja dada aos 9 meses e o reforço seja feito aos 4 anos.

A vacinação precisa ser feita em quem se destine a regiões consideradas de risco. Além da imunização, pessoas que planejam turismo rural devem adotar medidas como usar sapato fechado, camisa de manga longa, calça comprida e repelentes.

Autoridades sanitárias mineiras devem organizar vacinação de reforço nos próximos dias. Pacientes com doenças que comprometam o sistema imunológico devem procurar o médico para saber se a vacinação é indicada. O Ministério da Saúde garante haver vacina suficiente para a população de áreas de risco.

Mortes em 2016 - No ano passado, foram registrados seis casos de febre amarela no País, com cinco mortes. Os óbitos ocorreram nas cidades goianas de Senador Canedo, São Luiz de Montes Belos, Goiânia, nas cidades paulistas Bady Bassit e Ribeirão Preto e em Manacapuru, no Amazonas.

A confirmação mais recente foi do caso de Ribeirão Preto (SP). A vítima era um homem de 52 anos, morador de região próxima de mata. Ele não estava vacinado e buscou atendimento médico em 22 de dezembro. Na região foi identificada a morte de macacos pela febre amarela, o que sempre põe em alerta autoridades sanitárias, por ser indicativo de recrudescimento da circulação do vírus em áreas silvestres.

O ciclo silvestre de transmissão do vírus de febre amarela se estabelece com primatas e mosquitos. Todas as vezes em que a ocorrência em animais é identificada, há um alerta para se reforçar as medidas de proteção entre humanos, por meio da vacinação.

70% da população de Ribeirão Preto estão vacinadas. O ideal é que a cobertura seja de 100%. A recomendação da OMS é de apenas uma dose da vacina durante a vida. No Brasil, no entanto, a indicação é de que sejam dadas duas doses.

A doença é considerada infecciosa grave. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. A maior preocupação das autoridades sanitárias é evitar o retorno da forma urbana da doença, transmitida pelo Aedes aegypti (Foto), cujo número de criadouros no País é alto. O último caso registrado de febre amarela urbana no Brasil ocorreu no Acre, em 1942.

A infecção se instala quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra a doença é picada por um mosquito infectado. (AE)

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