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Negócios

13/04/2018

Mineira Bitcointoyou já executou R$ 30 milhões em um único dia

Thaíne Belissa
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Alexander Romiszowski, diretor da Bitcointoyou/
A mineira Bitcointoyou, uma das primeiras “corretoras” ou exchanges de bitcoin do Brasil, cresce em número e relevância, ocupando espaço entre as três maiores do País. Localizada em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a empresa emprega 35 funcionários, entre gestores, colaboradores do administrativo e atendentes de call center. A empresa tem 300 mil clientes e realiza cerca de 7 mil transações por dia, entre venda e compra de bitcoin.

No momento em que a moeda vive certa estabilidade, depois de uma montanha-russa de valorização e desvalorização abruptas, o diretor da Bitcointoyou, Alexander Romiszowski, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, explica a atuação da exchange e esclarece dúvidas comuns relacionadas ao uso da moeda virtual.


O que é a Bitcointoyou?

Somos uma intermediadora de negócios. Mas o que é isso? Existem outras intermediadoras de negócios mais conhecidas como o Mercado Livre. Você tem uma geladeira e quer vender para alguém que precisa comprar: o Mercado Livre é a plataforma de intermediação desse negócio. A Bitcointoyou é uma intermediadora de compra e venda de criptomoedas, uma corretora pioneira nesse negócio no Brasil.

Vocês trabalham só com bitcoin?

Hoje trabalhamos só com bitcoin porque ele vem se mostrando mais seguro, estável, está no mercado há muito tempo. Os recursos investidos em segurança na nossa plataforma são enormes e, toda vez que eu insiro uma nova moeda, eu tenho que dobrar ou triplicar esses recursos. Por isso decidimos que o foco da plataforma seria o bitcoin nesse momento.

O bitcoin tem liquidez?

Nas últimas 24 horas, nós movimentamos 117 bitcoins, o que significa a movimentação de R$ 2 milhões. Isso quer dizer que tem liquidez: a partir do momento que você quer colocar seu bitcoin à venda, alguém vai comprar. Nós já chegamos a ter execuções de R$ 30 milhões em um dia.

O que define a valorização do bitcoin e por que ele é tão volátil?

Ele tem um aspecto positivo que é não sofrer influência política. O Lula foi preso e a valorização dele não foi afetada por isso, diferente do dólar. A valorização dele se dá pela movimentação nos mercados internacionais, é a lei da oferta e da demanda: tem gente comprando, tem gente vendendo e isso é, de fato, o que movimenta o valor do bitcoin, em tempo real.

Mas, como confiar se a moeda não tem lastro?

Lastro é uma coisa que deixou de existir em 1971 quando, até então, todo o dinheiro mundial era lastreado em ouro. Em 1971 o presidente dos Estados Unidos anunciou que a partir daquela época o dólar não seria mais lastreado em ouro, mas seria controlado pelo governo. O bitcoin, apesar de não ter lastro, tem a segurança de mostrar a origem do dinheiro. Se eu sei que você transferiu certo valor para uma corretora, se eu sei a origem dele, o quanto ele vale e quanto você ganhou, de certa forma eu estou lastreando essa moeda. O bitcoin é uma moeda virtual, mas eu materializo em nota fiscal. A partir do momento que você tem todas as provas da compra você materializa. Não é uma moeda que não tem nada por trás.

O bitcoin pode ser uma bolha?

Não é uma bolha pelo simples fato de que você tira o seu dinheiro quando você quiser. As plataformas de exchanges só estão esperando o seu clique para transferir seu dinheiro para a sua conta bancária. Então, se bitcoin fosse uma bolha e se tem alguém inflando essa bolha não daria certo porque tem outras pessoas desinflando essa bolha, tirando o dinheiro. A bolha que é bolha mesmo vai enchendo, enchendo, um ano, dois anos e de repente estoura e acaba. Mas o biticoin tem oito anos. Nenhuma bolha da história mundial durou esse tempo.

Como a Bitcointoyou garante a segurança das transações?

Hoje, a Bitcointoyou investe mais de R$150 mil por mês para manter um banco de dados salvo na Microsoft nos Estados Unidos. Ou seja, todos os dados do cliente e a carteira digital dele está nesse ambiente, que é o mais seguro do mercado. Para se cadastrar na nossa plataforma pedimos documentos do usuário, a conta dele e até um registro fotográfico do rosto dele, então não tem anonimato nenhum. Eu tenho um CNPJ de 10 anos, sede própria, paguei no último ano, só para a prefeitura de Betim, R$ 2 milhões em impostos, pois quando o cliente opera dentro da plataforma eu gero uma nota fiscal.

Como impedem a lavagem de dinheiro?

Nós temos complice. Quando a pessoa aceita nossos termos fica clara nossa postura para evitar lavagem de dinheiro. Por exemplo, você não pode fazer depósito na nossa plataforma em dinheiro, mas apenas transferência bancária, que é o que garante a origem do seu dinheiro. Mesmo você tendo um saldo na plataforma você não pode transferir ou solicitar pagamentos para terceiros. A gente vê notícias no mercado sobre lavagem de dinheiro e como isso acontece? Eles colocam dinheiro no banco e de lá distribuem, mas aqui eles não conseguem fazer isso. Mesmo não sendo regulamentados, nós seguimos as regras de boas práticas do mercado financeiro.

Além disso nós somos os primeiros a ter um registro no Sistema de Controle de Atividades Financeiras (Siscoaf). Nosso complice determina que eu tenho que informar ao Siscoaf sobre operações superiores a R$ 95 mil. Estou dedurando alguém? Não, somente mantendo um sistema financeiro seguro. Infelizmente não são todas as exchanges que trabalham assim.

Há relatos de pessoas que perderam muito dinheiro investindo em Bitcoin na internet porque, na verdade, estavam caindo no golpe da pirâmide. Você pode explicar como ele funciona?

Na plataforma da Bitcointoyou o cliente não fala comigo e eu não prometo 8% ou 10% de rendimento do dinheiro que ele vai colocar lá. Porque nós somos um ambiente de intermediação do negócio. Mas, o “piramideiro” faz essa promessa. A pirâmide precisa formar sua base, então o criador dela começa a angariar fundos por meio de sua confiança. Ele começa oferecendo 10% de rendimento para pessoa que inicia investindo pouco. Mas, com o tempo, essa pessoa investe mais.

O preço do bitcoin no ano passado valorizou mais de 900%, então isso facilitou para quem operava em pirâmide porque pagava-se às pessoas facilmente. Mas, no momento em que o preço caiu de R$ 70 mil para R$ 20 mil tivemos um escândalo no mercado e várias pirâmides deixaram de existir. Por quê? Porque a condição de pagamento dele não era mais a mesma e, como ele não tem conceito administrativo e financeiro, pegou o dinheiro e comprou carro, casa e fez viagens. E a pessoa que entrou nessa nem consegue cobrar do dono da pirâmide porque ela não tem prova depositou aquele dinheiro. Em corretoras como a Bitcointoyou, por outro lado, ela terá até uma nota fiscal. Para operar fora da exchange ou você tem um grande conhecimento de bitcoin ou cairá em uma dessas pirâmides.

A regularização do setor ajudaria a solucionar esses problemas de segurança?

Sim. E por que não pensar em uma regulação específica? O bitcoin é uma realidade, não tem volta mais. Ele já é aceito nas principais economias do mundo: Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Japão. Não é ilegal. Mas o que precisa acontecer é a criação de uma regulamentação específica. O erro é falar em colocar o bitcoin dentro do mercado financeiro. Temos que seguir as boas práticas do mercado financeiro, mas colocá-lo dentro desse mercado é errado porque bitcoin é um modelo novo. A regulamentação específica para o bitcoin trará segurança, estabilidade e visibilidade para o segmento. Se a regulamentação vier amanhã nós da Bitcointoyou já estamos preparados porque temos complice. E nós torcemos para que ela venha.

Como essa lógica da criptomoeda vai mudar o mundo corporativo e a forma de fazer negócios?

A criptomoeda vem mudando muitos conceitos não só relacionados à exchange, mas no surgimento de novas plataformas, ferramentas, negócios. A blockchain, que é a tecnologia por trás do bitcoin, está trazendo muita inovação. Novas profissões estão surgindo na área, misturando conhecimentos financeiro, tecnológico e de desenvolvimento. E as empresas dos mercados tradicionais já vêm investindo em tecnologia de blockchain. Tecnologias ligadas à distribuição, armazenagem, rastreabilidade, banco de dados de clientes. As grandes empresas vêm fazendo investimentos altos em desenvolvimento de startups que atuam nessa área.

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