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DC Auto

30/06/2017

Modelos italianos se destacam na coleção

Visita teve direito a passeio com uma Mercedes-Benz 300SL Roadster, ano 1962, de US$ 1,5 milhão
Rogério Machado, de Irvine (EUA)*
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Ferrari 275 GTB (1965)/Don Murray/ Rogério Machado
Depois dos Porsche foi a vez dos carros italianos. Estacionada para manutenção sobre o elevador, uma Alfa Romeo 1900C Touring, de 1953. O “C” é abreviatura de Corto e significa que usa o entre eixos menor.

A Alfa 1900 foi o primeiro modelo da marca produzido completamente em uma linha de montagem. O carro fez muito sucesso nas competições e a Alfa usava o seguinte slogan: “O carro familiar que vence corridas”.

Ela utilizava uma carroceria monobloco, sem o chassi adicional, o que era um temor para os construtores independentes de carrocerias, ou Carrozzieri, que viam ali uma ameaça para sua atividade.

Realmente, a adoção do monobloco com métodos modernos e velozes de montagem iria, gradativamente, levar à produção de carrocerias para as próprias fábricas. Para quebrar esse clima, a Alfa produziu cinco tipos de monoblocos do 1900, inclusive este 1900C, especialmente para construtores externos.

Além disso, firmou contrato com a Pinin Farina e a Touring para a produção de versões especiais. O exemplar do Don foi construído na Touring, marcando o início de grandes mudanças na indústria italiana.

Uma pequena Alfa Romeo Giulietta 1300SZ, fabricada em 1962, foi o carro seguinte. Esta berlinetta de dois lugares, de autoria do Elio Zagato, é muito rara porque foi construída para uso em competições com a carroceria de alumínio e a história do modelo curiosa.

Durante uma corrida, em 1956, um piloto acidentou sua Alfa Romeo Sprint Veloce e a carroceria ficou irrecuperável. Tentando aproveitar o chassi, ele levou o carro até a Zagato e pediu para que fosse construído sobre ele uma carroceria mais leve.

O resultado foi uma carroceria de alumínio que fez muito sucesso nas pistas, atraindo, imediatamente, outros pilotos querendo a mesma transformação. A Alfa Romeo viu ali uma oportunidade de negócio e pediu a construção de um lote de carros.

Somente 200 exemplares foram feitos à mão, entre 1959 e 1963, em dois modelos: 170 unidades com a parte traseira menor e arredondada, chamado de “coda tonda”, desenhadas por Franco Scaglione no estúdio Bertone, e 30 unidades com a traseira finalizando de forma aerodinâmica, um “Kamm Tail”, denominada “coda tronca”, esta desenhada por Ercole Spada no estúdio Zagato.

O passado do carro do Don indica que correu nas pistas uruguaias e argentinas até voltar para a Europa e, depois, terminar aqui nos EUA.

Outra Alfa Romeo produzida pela Carroceria Zagato se destacava bem ao lado. O imponente e raro modelo 2600 SZ, de 1966, desenhado pelo já citado Ercole Spada faz parte de uma série de 150 unidades que a Alfa encomendou ao Zagato, baseada no modelo 2600.

Este modelo esportivo utiliza freios a disco, câmbio de cinco marchas e é o mais valorizado daquela linha. Novamente aqui se torna evidente a ajuda das fábricas italianas aos construtores de carrocerias após a introdução do monobloco.

Seguindo pela coleção, uma série de Ferrari incluindo Dino GTS (1974), Dino 246GT Serie L (1969), Daytona GTB/4 (1969) e 275 GTB (1965) deixavam claro o padrão da coleção.

Outros clássicos completavam o grupo italiano como o Siata 300 (Società Italiana Auto Trasformazioni Accessori), do qual foram produzidas somente 50 unidades, o Siata-Fiat com carroceria Gilco, de 1952, que participou da corrida Mille Miglia em 1954 e 1955, o Cisitalia 202, de 1949, considerado o primeiro GT da história, a Lancia Aurelia B24S conversível, de 1957, considerada um dos mais belos carros do seu tempo e, finalmente, outra Lancia B20 coupé, desenhada por Pininfarina. Todos eles com grande significado histórico em condição surpreendente.

Americano raro – Finalmente chegamos a um carro americano muito significativo na história do automobilismo, o Briggs Cunningham C-3, de 1953. Acontece que, para participar das provas em Le Mans, na França, uma das exigências era de que o participante deveria ter produzido, comercialmente, no mínimo 25 unidades com sua marca.

O piloto e construtor americano, em um grande esforço, decidiu fabricar os carros e, para manter o preço dentro dos planos, recorreu ao construtor italiano Vignale. O desenho ficou por conta do designer Giovanni Michelotti. A Chrysler forneceu os motores da linha Fire Power e, em 1953, o primeiro carro estava sendo vendido.

No mesmo ano, Cunningham ficou na terceira posição em Le Mans.

Terminada a visita, nos aproximamos de uma Mercedes-Benz 300SL Roadster (1962), cor marfim, um clássico fabricado dois anos antes da interrupção da produção e, por isso, equipado com as últimas tecnologias disponíveis na fábrica.

Entre elas, o bloco do motor em alumínio e freios a disco. Conversando sobre o 300SL, perguntei sobre a resposta do motor ao tempo, já que equipado com injeção mecânica poderia sofrer com longos períodos de inatividade.

Don não hesitou, me convidou a entrar no carro com ele e virou a chave. O chassi tubular aparece discretamente sob o painel e, embora menos restritivo do que aquele da Gullwing, exigiu também a adoção de largas soleiras de porta, mas o acesso é fácil.

Surpreendentemente, o odômetro marcava cerca de 18.000 milhas, ou seja, 30.000 quilômetros, o que não é nada para os 55 anos desde que saiu da linha de montagem.

O seis cilindros de três litros funcionou imediatamente e, após posicionados no luxuoso interior de couro vermelho, com um ótimo conjunto de instrumentos, saímos para uma volta.

O warm-up (período em que o motor atinge a condição ideal de funcionamento) é monitorado por quatro marcadores em forma de coluna indicando a temperatura da água, do óleo, pressão de óleo e nível do combustível, localizadas em um mostrador vertical no centro do painel posicionado entre o conta-giros, a esquerda, e o velocímetro, a direita.

Após alguns quarteirões, já estava aquecido na escala correta e o motor já funcionava suavemente. Após alguns quilômetros ele estacionou e me disse para assumir o comando. O grande diâmetro do volante se destaca imediatamente e, mesmo assim, o acionamento é pesado.

Logo descubro o motivo: a relação entre o giro do volante e a resposta das rodas é muito próxima. Ao menor giro do volante a resposta das rodas é imediata. O grande diâmetro também contribui com a estabilidade e manutenção da trajetória.

Os assentos em concha mantém o motorista na posição em curvas. O isolamento acústico é ótimo, considerando um carro esportivo dos anos 1960, mas o rugido do motor está presente e reage instantaneamente à pressão do acelerador ajudado, também, pelos longos dutos de admissão que tornam o motor mais flexível.

Tudo contribui para a produção dos 225 cavalos com uma elasticidade impressionante. A alavanca de marchas possibilita uma boa precisão, embora um pouco longa, e o freio de mão está em uma posição pouco usual, ao lado do console, bem próximo do motorista.

Em um carro especial seria impossível exigir muito mais, mesmo assim, quando andava em giro mais baixo era o Don que pedia para acelerar.

A 300SL Roadster custa perto de US$1,5 milhão e o proprietário é um privilegiado em poder utilizá-la em raids e viagens, quase como um carro atual.

Esperamos retornar um dia a esta coleção tão significativa na expectativa de encontrar as quatro Ferrari que não estavam lá.

* Colaborador

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